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Câmara dos Deputados vota ‘taxa das blusinhas’ em sessão decisiva nesta segunda

Câmara dos Deputados vota 'taxa das blusinhas' em sessão decisiva nesta segunda
Agência Brasil

A Câmara dos Deputados se prepara para uma sessão deliberativa crucial nesta segunda-feira (31), com a votação da Medida Provisória (MP) 1.357 de 2026, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. A proposta, de autoria do Poder Executivo, visa zerar o imposto de importação de 20% para compras internacionais feitas pela internet com valor de até US$ 50. A decisão sobre a MP tem gerado intenso debate entre diferentes setores da economia e da sociedade, com impactos diretos no comércio eletrônico e no bolso dos consumidores brasileiros.

Antes de seguir para o plenário da Câmara, o texto precisa ser aprovado pela Comissão Mista, que se reúne às 16h para analisar o relatório da senadora Leila Barros (PDT-DF). A parlamentar apresentou parecer favorável ao projeto, o que indica um caminho para a aprovação na etapa inicial. Se a MP for aprovada na Câmara, ela ainda precisará passar pela análise do plenário do Senado Federal para se tornar lei, antes que sua validade expire em 8 de setembro.

O debate em torno da ‘taxa das blusinhas’ e seus impactos

A Medida Provisória 1.357 de 2026 representa um ponto de inflexão na política de comércio exterior brasileira, especialmente no que tange às compras online. A isenção do imposto de importação para produtos de baixo valor, como vestuário e acessórios, tem sido defendida pelo governo como uma forma de fomentar o consumo popular e tornar produtos acessíveis a uma parcela maior da população.

No entanto, a proposta enfrenta forte oposição de empresários brasileiros, representados por entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A CNI argumenta que a isenção fiscal cria uma concorrência “desleal” para a indústria nacional, que já arca com uma alta carga tributária e custos de produção elevados. Segundo a entidade, a medida favorece produtos importados, especialmente da China, podendo comprometer a sustentabilidade de milhares de empregos no país e desestimular a produção local.

Caminho legislativo e articulações políticas

O processo de tramitação da MP 1.357/2026 não tem sido simples. Inicialmente, a instalação da comissão mista responsável pela análise da medida foi segurada pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP). A movimentação política e as conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Alcolumbre foram fundamentais para que a comissão mista avançasse, dada a urgência da votação antes do prazo final de validade da MP.

A aprovação na Comissão Mista é um passo crucial, mas a votação no plenário da Câmara dos Deputados, marcada para as 18h desta segunda-feira, será o verdadeiro termômetro da força política da proposta. O resultado definirá se a medida segue para o Senado ou se enfrenta um revés que pode levar à sua caducidade.

Outras pautas em ‘esforço concentrado’ no Congresso

Além da “taxa das blusinhas”, o Congresso Nacional está em uma semana de “esforço concentrado” para analisar outras pautas de grande interesse do governo federal e da sociedade. Entre elas, destacam-se propostas de emenda à Constituição (PECs) e medidas provisórias que abordam temas sociais e trabalhistas.

Uma das PECs em destaque é a que prevê o fim da jornada de trabalho de seis dias para um de descanso, a chamada escala 6×1. O texto deve ser analisado na quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O relator da proposta, senador Omar Aziz (PSD-AM), já apresentou parecer favorável, rejeitando emendas para manter o texto aprovado pela Câmara e evitar que a proposta retorne aos deputados.

A Câmara também poderá votar outras duas medidas provisórias ligadas aos trabalhadores de aplicativos: a MP 1360 de 2026, que simplifica as regras para mototaxistas e profissionais de motofrete, e a MP 1.366 de 2026, que cria uma linha de financiamento para entregadores adquirirem motos e bicicletas elétricas. Outros projetos importantes na agenda incluem a manutenção de incentivos fiscais para doações a programas de atenção oncológica e de saúde da pessoa com deficiência, a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, e o Plano Nacional de Cultura para os próximos 10 anos.

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