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Banco Central estende para 80 dias prazo de contestação do PIX para reforçar segurança contra golpes

Banco Central estende para 80 dias prazo de contestação do PIX para reforçar segurança contra golpes
© Bruno Peres/Agência Brasil

O Banco Central implementou uma mudança significativa nas normas do Pix, visando oferecer maior segurança jurídica e financeira para usuários e comerciantes. A partir desta terça-feira (1º), o prazo para contestar uma devolução realizada por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED) foi estendido de 30 para 80 dias. A medida, estabelecida pela Instrução Normativa BCB 766, busca mitigar prejuízos causados por fraudes que utilizam o próprio sistema de proteção bancária.

Proteção contra o uso indevido do mecanismo de defesa

A alteração foca especialmente em proteger quem recebeu um valor de forma legítima, mas sofreu uma devolução forçada por uma contestação fraudulenta. Com a nova regra, o recebedor ganha um fôlego maior para provar a legitimidade da transação original, contando com 80 dias a partir da data em que o dinheiro foi retirado de sua conta pelo MED. Esse prazo agora se equipara ao período que a vítima de um golpe tem para solicitar o início do processo de recuperação de valores.

O golpe que explora a boa-fé do comerciante

A estratégia criminosa que motivou a mudança é conhecida por explorar a vulnerabilidade de lojistas e prestadores de serviço. No golpe, o fraudador realiza um pagamento e, logo em seguida, simula um erro, solicitando que o comerciante devolva o valor via um novo Pix para uma chave diferente. Após receber o valor “devolvido”, o criminoso aciona o MED alegando fraude na transação original. Como resultado, o comerciante perde o valor da venda e o montante enviado na segunda transferência.

Para evitar esse tipo de prejuízo, especialistas recomendam que, em caso de necessidade de estorno, o usuário utilize exclusivamente a função de devolução nativa do aplicativo bancário, vinculada à transação original. Nunca realize um novo Pix para chaves fornecidas por terceiros em situações de suposto erro ou arrependimento.

Evolução do sistema com o MED 2.0

A ampliação dos prazos ocorre em um momento de transição para o chamado MED 2.0. Desde fevereiro de 2026, o sistema ganhou mais robustez ao permitir o rastreamento do dinheiro após ele ser transferido para contas de terceiros. Essa funcionalidade aumenta as chances de bloqueio e recuperação de valores, embora o sucesso da operação ainda dependa da existência de saldo disponível nas contas dos envolvidos.

Apesar da tecnologia avançada, o Banco Central reforça que o MED não é uma ferramenta de cancelamento universal. Ele é restrito a casos de fraude, golpes ou falhas operacionais, não se aplicando a desacordos comerciais, arrependimentos de compra ou erros cometidos pelo próprio usuário no momento da digitação dos dados.

Orientações para vítimas de fraudes

Caso identifique uma movimentação suspeita, a recomendação é agir com rapidez. O contato imediato com a instituição financeira é fundamental para aumentar as chances de bloqueio de recursos. Além disso, a documentação é essencial para fundamentar a contestação.

  • Mantenha comprovantes de todas as transferências realizadas.
  • Salve históricos de conversas e negociações com o suposto fraudador.
  • Guarde anúncios ou documentos que comprovem a origem da transação.
  • Registre um boletim de ocorrência para formalizar a denúncia.

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