Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) 2025, coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), trouxeram um panorama complexo para a educação brasileira. Embora o país tenha reduzido a distância em relação à média dos estudantes de nações da OCDE, essa aproximação não reflete necessariamente um avanço significativo na aprendizagem. Especialistas apontam que a estabilidade relativa do desempenho brasileiro contrasta com a queda observada na média dos países desenvolvidos, especialmente nos últimos anos.
A avaliação, que ocorre a cada três anos e mede os conhecimentos de estudantes de 15 anos em matemática, leitura e ciências, revela que o Brasil conseguiu evitar uma piora mais acentuada. Contudo, o desafio de promover ganhos consistentes de aprendizagem em larga escala permanece, mantendo o país em um patamar educacional considerado baixo, com uma parcela expressiva de alunos ainda aquém dos níveis mínimos de proficiência.
PISA e o panorama da educação brasileira
O PISA é uma das mais importantes avaliações educacionais globais, reunindo 38 países, incluindo as maiores economias do planeta, para subsidiar políticas públicas e o desenvolvimento socioeconômico. No ciclo de 2025, o Brasil participou com 30.140 estudantes, predominantemente da rede estadual e de áreas urbanas, com foco no letramento em ciências.
Os dados de 2025, que se mantiveram similares aos de 2022, posicionam o Brasil abaixo da média da OCDE nas três disciplinas avaliadas: 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Em comparação, a média de 23 países da OCDE foi de 466 (leitura), 469 (matemática) e 486 (ciências). Essa diferença, onde cada 20 pontos equivalem a um ano escolar, significa que o Brasil ainda apresenta um atraso considerável, como os cerca de 4,6 anos em matemática em relação aos membros da OCDE.
Apesar do cenário atual, é inegável que houve uma melhoria no longo prazo. Comparando os dados entre 2006 e 2025, a diferença de desempenho em relação à média da OCDE diminuiu de 102 para 58 pontos em leitura, de 131 para 92 em matemática e de 113 para 77 em ciências. Essa redução, embora impulsionada em parte pela queda da média global, indica um progresso na capacidade do Brasil de reduzir a lacuna educacional.
Desafios persistentes no desempenho escolar
A estabilidade dos resultados brasileiros, embora positiva por evitar uma queda mais acentuada, não mascara a urgência de avançar. Conforme Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann,