A greve nacional dos bancários da Caixa Econômica Federal, iniciada na última quinta-feira (10), persiste por tempo indeterminado após a categoria rejeitar a proposta final apresentada pela instituição. A decisão, tomada em assembleias realizadas na sexta-feira (11), reflete a insatisfação dos trabalhadores, que buscam a retomada das negociações para solucionar os pontos de divergência, especialmente no que tange ao plano de assistência médica.
Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, por exemplo, 68% dos empregados votaram contra a proposta do banco em assembleia que se encerrou às 23h da sexta-feira (11). Este resultado sublinha a firmeza do movimento e a profundidade do desacordo entre as partes, colocando em xeque a normalidade dos serviços bancários e impactando milhões de clientes em todo o país.
Saúde Caixa: o principal ponto de discórdia
O cerne do impasse reside nas mudanças propostas para o Saúde Caixa, o plano de assistência médica dos funcionários. A proposta da Caixa previa alterações significativas no modelo de custeio e nas regras de coparticipação, que foram consideradas prejudiciais pelos trabalhadores. Entre as modificações mais contestadas estavam a introdução de faixas de contribuição dos empregados, variando de 2,3% a 4,1% sobre o salário-base conforme a faixa etária, e a cobrança por dependente, que oscilaria entre R$ 480 e R$ 660, também de acordo com a idade.
Além disso, a proposta previa um aumento do teto anual de coparticipação de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil por grupo familiar, com um limite de 9% para o grupo. Outros pontos de atrito incluíam a criação de um piso de R$ 50 por beneficiário, a cobrança de 13 mensalidades e um aumento expressivo no valor da consulta em pronto-socorro, de R$ 75 para R$ 150, fora do teto de coparticipação. A isenção de coparticipação em atendimentos por telemedicina e o recadastramento anual obrigatório também faziam parte do pacote, que ainda estipulava uma janela de 90 dias para adesão de novos titulares, mas sem a possibilidade de retorno ao plano após um eventual cancelamento.
Ameaça de dissídio coletivo e o diálogo em aberto
Antes da votação que culminou na rejeição, a Caixa Econômica Federal havia sinalizado que a proposta era final e que, em caso de não aceitação, poderia recorrer à Justiça do Trabalho. Essa medida, conhecida como dissídio coletivo, é um instrumento legal que permite à Justiça estabelecer as condições para solucionar impasses entre empregados e instituições, buscando um acordo judicialmente mediado.
Apesar da postura firme, o banco afirmou que mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos trabalhadores, indicando que a busca por um entendimento ainda é uma prioridade. Essa dualidade entre a ameaça de ação judicial e a manutenção do canal de comunicação reflete a complexidade das negociações e a pressão sobre ambas as partes para encontrar uma solução que atenda aos interesses dos funcionários sem comprometer a saúde financeira da instituição.
Antecedentes e a amplitude da greve
A paralisação dos bancários da Caixa teve início na quinta-feira (10), após uma proposta anterior para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) também ter sido rejeitada pela categoria. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais já haviam se manifestado contra o texto inicial apresentado pela Caixa, demonstrando um descontentamento generalizado que antecede a atual rodada de negociações.
Com a greve, agências em São Paulo, Paraná e diversas outras regiões amanheceram fechadas, impactando o atendimento presencial. Contudo, os caixas eletrônicos permaneceram disponíveis, e a Caixa orientou os clientes a utilizarem os canais digitais e remotos para a realização de suas operações, minimizando os transtornos causados pela paralisação.
Detalhes da proposta rejeitada e o cenário no Banco do Brasil
A proposta final da Caixa, que tinha validade até a sexta-feira (11), incluía uma série de benefícios e reajustes, além das controversas mudanças no plano de saúde. Entre os pontos oferecidos estavam um prêmio de R$ 3 mil por empregado, o pagamento do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do prêmio em 18 de setembro. A proposta também previa um aumento de 6,5% para 8% no limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa, a antecipação de parcelas da 13ª mensalidade de 2028, 2029 e 2030, e o pagamento de valores relativos ao PAMS a partir de 2027.
Para o futuro, a Caixa propunha a criação de grupos de trabalho para discutir melhorias na eficiência do plano e novas fontes de financiamento, além de destinar R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027. Apesar desses pontos, a insatisfação com as alterações no Saúde Caixa prevaleceu, levando à manutenção da greve.
Em contraste com a situação da Caixa, o cenário no Banco do Brasil é distinto. A maior parte dos sindicatos aprovou a proposta apresentada pela instituição, e os trabalhadores do BB operaram normalmente na sexta-feira (11). No entanto, a paralisação ainda se mantém em 18 bases sindicais, onde os empregados do Banco do Brasil também não encerraram o movimento.
Alternativas para clientes durante a greve
Diante da continuidade da greve, a Caixa Econômica Federal reforça a orientação para que seus clientes priorizem os canais digitais e remotos. As opções incluem o aplicativo Caixa, Internet Banking, WhatsApp Caixa, Caixa Tem, além dos aplicativos específicos para Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS. A rede de caixas eletrônicos, o Banco24Horas, as lotéricas e os correspondentes Caixa Aqui também permanecem disponíveis para diversas transações.
Para atendimento telefônico, o Alô Caixa continua operando pelos números 4004-0104, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-104-0104, para as demais localidades. Essas alternativas visam garantir que os serviços essenciais sejam mantidos, minimizando o impacto da paralisação na rotina financeira dos cidadãos.
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