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Estreia de coroinha autista em Curitiba viraliza e inspira debate sobre inclusão na fé

Estreia de coroinha autista em Curitiba viraliza e inspira debate sobre inclusão na fé
Foto: Reprodução/ Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Um momento de profunda sensibilidade e inclusão, ocorrido em uma missa na capital paranaense, ganhou as redes sociais e tocou milhares de pessoas. A estreia de Davi Pavim Almeida Ferreira, um coroinha autista de 12 anos, no Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Curitiba, foi marcada por um acolhimento exemplar do padre Joaquim Parron, reitor da igreja. O vídeo desse instante, inicialmente transmitido online, viralizou rapidamente, acumulando mais de 125 mil curtidas e gerando uma onda de comentários positivos sobre a verdadeira inclusão de pessoas neurodiversas em espaços religiosos.

O episódio, que se tornou um símbolo de empatia e aceitação, foi notado pela psicóloga infantil Aline Abreu, especialista em autismo. Ela, que reside em Belo Horizonte, Minas Gerais, assistia à transmissão da missa curitibana em 13 de setembro, buscando um refúgio digital em meio a um temporal. A fala do padre Parron, explicando com carinho a condição de Davi e a liberdade que ele teria para se movimentar no altar, capturou sua atenção e a inspirou a compartilhar o momento, elogiando a “inclusão verdadeira” promovida pelo santuário.

Acolhimento que transcende o altar e se espalha nas redes

A psicóloga Aline Abreu não hesitou em expressar sua admiração pela postura do padre Joaquim Parron. Em sua postagem, que rapidamente se espalhou, ela destacou a importância de “colocar a fé em ação” e tornar viva a passagem bíblica que prega o acolhimento mútuo. Para Aline, a iniciativa do Santuário Perpétuo Socorro representa um modelo de como as diferenças devem ser tratadas com naturalidade e respeito, especialmente no contexto de crianças atípicas.

Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, Aline enfatizou que a experiência de Davi foi um processo de inclusão genuína desde o início. “Quem dera todo mundo tivesse essa naturalidade para lidar com as diferenças. Na verdade foi a estreia do Davi como coroinha, então eu tive o prazer de acompanhar o processo do início, um processo de inclusão verdadeira”, explicou a psicóloga, ressaltando o impacto transformador de tais atitudes na vida de famílias e indivíduos.

O Santuário do Perpétuo Socorro como refúgio de inclusão

O Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizado no bairro Alto da Glória, em Curitiba, já possui uma tradição de acolhimento. A igreja realiza missas especiais para famílias atípicas mensalmente, sempre no último domingo do mês, às 17h. Essa iniciativa pré-existente cria um ambiente propício para que pessoas como Davi e suas famílias se sintam seguras e parte da comunidade.

O padre Parron, ao comentar a presença de Davi, expressou a alegria que o coroinha traz ao altar. “Uma coisa bonita é a inclusão das pessoas que são diferentes e o Davi, como autista, ele primeiro traz uma alegria muito grande no altar, ou seja, a presença dele já é uma alegria. E depois, ele servindo como autista, cria de fato uma coisa muito bonita”, afirmou o reitor. Ele destacou ainda que a leveza e a espontaneidade de Davi, que brinca e acena para os fiéis, fortalecem o senso de pertencimento e demonstram que a diferença pode somar, e não dividir, a comunidade.

A voz do coroinha: prazer em servir e conexão com a fé

A experiência de Davi como coroinha é igualmente significativa para ele. O menino de 12 anos descreveu sua participação na missa como um “prazer”. “Gosto, gosto sim, muito. Tenho este contato com Deus, sabe? Você aprimorar a sua alma e você servir o padre é uma coisa boa. […] Eu sinto prazer quando eu tô nessa missa, em todas as missas”, relatou Davi, evidenciando a importância da fé e do serviço em sua vida.

A mãe de Davi, Breda Karen Pavin, compartilhou a emoção de encontrar um lugar seguro e acolhedor para ela e seu filho. “Eu me sinto super feliz, porque assim, fácil não é, a gente mata um leão por dia. Mas quando a gente vê que tem uma pessoa que abre os braços pra gente, independente de onde você veio, do jeito que você é, o que você fez, é uma coisa tão boa”, desabafou Breda, refletindo a realidade de muitas famílias que buscam aceitação e apoio em suas jornadas.

Impacto e reflexões sobre a neurodiversidade na comunidade

O caso de Davi Pavim e o acolhimento do padre Joaquim Parron em Curitiba vão além de um simples vídeo viral. Eles se tornam um poderoso exemplo de como a inclusão pode ser praticada de forma genuína e transformadora. Em um cenário social que ainda enfrenta desafios na aceitação plena da neurodiversidade, iniciativas como a do Santuário Perpétuo Socorro servem como faróis, iluminando o caminho para uma sociedade mais empática e compreensiva.

A repercussão do vídeo nas redes sociais demonstra o anseio coletivo por histórias que celebrem a diversidade e o respeito. Ao ver um jovem coroinha autista sendo plenamente integrado e valorizado em um espaço tradicional, muitos se sentem inspirados a replicar essa atitude em seus próprios contextos, seja em escolas, ambientes de trabalho ou outras comunidades. Este evento reforça a ideia de que a fé, em sua essência, deve ser um vetor de união e acolhimento para todos, sem distinção. Para mais informações sobre iniciativas de inclusão e notícias relevantes, clique aqui.

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