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Igp-m reverte deflação e volta a subir em setembro, impactando contratos

Igp-m reverte deflação e volta a subir em setembro, impactando contratos
© EBC/Arquivo

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como a “inflação do aluguel”, registrou uma alta significativa de 1,57% em setembro deste ano, revertendo a tendência de deflação observada no mês anterior, quando o indicador havia marcado uma queda de 0,22%. Os dados, divulgados nesta terça-feira (29) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acendem um alerta para o cenário econômico e, em especial, para os contratos que utilizam o índice como base de reajuste.

A retomada da inflação no IGP-M em setembro marca uma mudança de patamar, acumulando uma alta de 3,45% no ano e de 3,34% nos últimos 12 meses. Essa aceleração contrasta com o mesmo período do ano anterior, setembro de 2025, quando o índice havia registrado taxas mais amenas de 0,42% no mês e de 2,82% em 12 meses. A variação atual reflete pressões em diferentes elos da cadeia produtiva e de consumo, com repercussões diretas no bolso do consumidor e na gestão de custos das empresas.

A Retomada da Inflação no IGP-M

A virada do IGP-M de deflação para inflação em setembro não é apenas um número, mas um termômetro das condições econômicas. Após um período de alívio nos preços, a alta de 1,57% no mês indica um novo ciclo de pressões inflacionárias. Este movimento é particularmente relevante para milhões de brasileiros, uma vez que o índice é amplamente utilizado como referência para o reajuste de aluguéis residenciais e comerciais, além de diversos contratos de serviços e tarifas públicas.

A comparação com o desempenho de setembro de 2025, quando a taxa mensal foi de 0,42% e a acumulada em 12 meses de 2,82%, sublinha a intensificação do cenário inflacionário atual. A inflação acumulada de 3,34% nos últimos 12 meses sinaliza que o poder de compra da moeda está sendo corroído a um ritmo mais acelerado do que no ano anterior, exigindo maior atenção de famílias e empresas no planejamento financeiro.

Os Motores da Alta: Atacado e Varejo

A principal força por trás da elevação do IGP-M em setembro foi o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação de preços no atacado. O IPA saltou de uma deflação de 0,34% em agosto para uma inflação robusta de 2,08% em setembro. Esse componente, que representa 60% do IGP-M, reflete o aumento dos custos de matérias-primas e produtos intermediários, que eventualmente são repassados para o consumidor final.

Paralelamente, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que acompanha o varejo e tem peso de 30% no IGP-M, também reverteu sua trajetória. O IPC passou de uma deflação de 0,41% em agosto para uma alta de preços de 0,50% em setembro. Essa mudança indica que os custos crescentes no atacado já começam a ser sentidos nas gôndolas dos supermercados e no comércio em geral, impactando diretamente o custo de vida das famílias.

O terceiro subíndice que compõe o IGP-M, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), apresentou uma inflação mais moderada em setembro, registrando 0,25%, em comparação com os 0,41% de agosto. Embora ainda em alta, a desaceleração do INCC pode indicar um leve arrefecimento nos custos da construção civil, um setor sensível às variações econômicas.

Impactos do IGP-M no Cotidiano dos Brasileiros

A alta do IGP-M tem um impacto direto e tangível na vida dos brasileiros, especialmente aqueles que vivem de aluguel. Com o reajuste anual dos contratos atrelado a este índice, a elevação de 3,34% em 12 meses significa que os valores dos aluguéis serão corrigidos para cima, exigindo um planejamento financeiro mais rigoroso das famílias. Além dos aluguéis, outros contratos de serviços, como mensalidades escolares e planos de saúde, também podem ser afetados, embora o IPCA seja mais comum para esses últimos.

Para as empresas, o aumento do IPA representa um desafio na gestão de custos. O encarecimento das matérias-primas e dos produtos no atacado pode levar à redução das margens de lucro ou, mais frequentemente, ao repasse desses aumentos para os preços finais dos produtos e serviços, alimentando um ciclo inflacionário que afeta a todos. Acompanhar esses indicadores é crucial para entender a dinâmica econômica e seus reflexos no poder de compra.

Cenário Econômico e Perspectivas Futuras

A retomada da inflação no IGP-M se insere em um contexto mais amplo de discussões sobre a política monetária e o controle de preços no país. Embora o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) seja a inflação oficial do Brasil e o principal balizador das decisões do Banco Central, o IGP-M oferece uma perspectiva importante sobre as pressões de custos na economia, especialmente no atacado. A alta nos preços de insumos pode, em breve, se refletir com mais intensidade no IPCA, caso as pressões persistam.

A Agência Brasil, por exemplo, já noticiou que o mercado elevou a projeção de inflação para 4,99% e reduziu o PIB, indicando um cenário de cautela. A prévia da inflação oficial de setembro, medida pelo IBGE, também ficou em 0,70%, corroborando a tendência de alta. O monitoramento contínuo desses índices é essencial para antecipar movimentos econômicos e suas consequências para a sociedade.

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