Captura internacional e desdobramentos do caso
A Polícia Nacional do Peru efetuou, na última quarta-feira (23), a prisão de Jorge Darwin Villalobos Cruz, um homem acusado de envolvimento no assassinato de sua ex-companheira, Patrícia Cristina do Nascimento, ocorrido em janeiro de 2024, em Curitiba. O suspeito, que figurava na lista vermelha da Interpol, foi localizado no distrito de San Mateo, província de Chumbivilcas, região de Cusco, enquanto exercia atividades profissionais.
O crime, que chocou a capital paranaense, teve contornos de extrema violência. Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), a vítima foi morta a facadas dentro de sua própria residência. O caso ganhou contornos ainda mais dramáticos pelo fato de o filho autista de Patrícia, na época com 10 anos, estar presente no local durante o ataque, tendo, segundo as investigações, presenciado o sofrimento da mãe.
Contexto do crime e a disputa familiar
Patrícia e Jorge mantiveram um relacionamento por cerca de oito anos, período em que tiveram um filho. Após o término, o suspeito iniciou um novo relacionamento com Rosicleia de Souza, que também responde pelo homicídio e aguarda o desenrolar do processo em liberdade. Relatos do Ministério Público indicam que, após a separação, Jorge teria interrompido o pagamento de pensão alimentícia e iniciado uma disputa judicial pela guarda da criança.
No dia do assassinato, câmeras de segurança registraram o momento em que Jorge, Rosicleia e a filha adolescente desta última se dirigiram à casa da vítima. O MP sustenta que Jorge foi o responsável por indicar o endereço de Patrícia para que o crime fosse consumado. Em depoimentos anteriores, a defesa do casal alegou legítima defesa, afirmando que a vítima teria iniciado o confronto armada com uma faca.
Posicionamentos e o processo de extradição
A defesa de Jorge Darwin, representada pelo advogado Jean Paulo Pereira, declarou que o cliente foi surpreendido pela prisão. Segundo o defensor, Jorge teria deixado o Brasil em 2025 por temer ameaças de morte, e não para evadir-se da Justiça. A equipe jurídica informou que está em contato com o Consulado-Geral do Peru para avaliar os próximos passos legais e a viabilidade jurídica da extradição de um cidadão peruano nato.
Por outro lado, os advogados que representam a família de Patrícia, Samir Mattar Assad e Gessika Cristine Bonetto, celebraram a prisão como uma vitória da cooperação internacional. Em nota, destacaram que a efetividade das forças de segurança renova a confiança nas instituições e reforça o compromisso no combate ao feminicídio. O Ministério Público confirmou que dará seguimento aos trâmites necessários para trazer o acusado de volta ao Brasil, onde ele deverá ser submetido ao Tribunal do Júri.
O Guarapuava no Radar segue acompanhando o desenrolar deste caso e os desdobramentos do processo de extradição. Para se manter informado sobre as notícias que impactam o Paraná e o Brasil, continue acompanhando nossa cobertura diária, pautada pela seriedade e pelo compromisso com a informação precisa.