Alunos do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, localizado em Cambé, no Norte do Paraná, realizaram um protesto na entrada da instituição após a descoberta de uma câmera escondida no banheiro feminino. O caso gerou forte repercussão entre a comunidade escolar e levou órgãos estaduais a abrirem investigações para apurar as circunstâncias da instalação dos equipamentos.
Descoberta do dispositivo e mobilização estudantil
A localização do aparelho ocorreu quando uma aluna decidiu inspecionar de perto um equipamento afixado na parede do banheiro que emitia uma luz vermelha contínua. Por trás de uma estrutura plástica, as estudantes identificaram uma lente voltada para o ambiente interno. A revelação motivou protestos na porta da escola, onde estudantes cobraram esclarecimentos imediatos da direção sobre a presença dos dispositivos.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado sobre o caso, as alunas relataram que já haviam notado a presença de um aparelho no local havia três anos. Naquela época, no entanto, a direção da instituição teria afirmado que o objeto funcionava exclusivamente como um sensor de fumaça, destinado a coibir o uso de cigarros no espaço. A informação tranquilizou os estudantes temporariamente, até a verificação recente da verdadeira natureza do equipamento.
Exposição e relatos de invasão de privacidade
As jovens apontaram que utilizavam a área comum do banheiro com frequência e que, inclusive, trocavam de roupa no espaço para sessões de fotografias. Com a confirmação de que se tratava de um sistema de captação de imagens, as estudantes manifestaram sentimento de profunda violação e vulnerabilidade perante a comunidade escolar e os responsáveis pela vigilância.
Em depoimento concedido à imprensa local, uma das alunas expressou o impacto emocional da descoberta. A estudante destacou que a falta de aviso prévio ou de termos de autorização assinados pelos responsáveis gerou um clima de insegurança generalizada entre os frequentadores do colégio, especialmente pelo fato de o monitoramento ser acessado em áreas restritas.
Posicionamento da instituição e nota oficial
Em nota oficial, o colégio confirmou a instalação de aparelhos de monitoramento, mas negou veementemente que houvesse captação de imagens de dentro das cabines sanitárias. Segundo a direção, as lentes estariam direcionadas estritamente às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, com o objetivo de acompanhar o fluxo de acesso e reforçar a segurança escolar.
A instituição também alegou que um estudante teria ingressado na sala de monitoramento sem autorização prévia para registrar o painel de visualização. A direção informou ainda que adotará as medidas administrativas cabíveis diante dos atos de vandalismo registrados durante a manifestação, quando os equipamentos foram retirados à força das dependências escolares.
Desdobramentos e investigações oficiais
A Secretaria de Estado de Educação do Paraná (Seed-PR) informou que os equipamentos foram imediatamente desinstalados e que não há registros de imagens armazenadas nos dispositivos. O órgão educacional anunciou o envio de uma equipe técnica ao local para verificar a situação e orientar os próximos passos administrativos.
Em paralelo, a Polícia Civil instaurou um inquérito policial para investigar a legalidade da instalação das câmeras e apurar as responsabilidades pelo caso. O Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina acompanha os desdobramentos, reforçando que qualquer monitoramento em ambientes educacionais deve preservar rigorosamente a dignidade, a privacidade e a segurança dos estudantes.
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