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Manifesto de economistas rejeita corte Social e defende taxação de super ricos

Manifesto de economistas rejeita corte Social e defende taxação de super ricos
© Rovena Rosa/Agência Brasil

Um grupo formado por cinquenta economistas e especialistas divulgou um manifesto contundente criticando a pressão exercida pelo mercado financeiro sobre a gestão federal. O documento aponta que o foco de austeridade em despesas sociais ameaça as bases populares que sustentaram a reeleição presidencial, defendendo em contrapartida a taxação de altas rendas como alternativa para equilibrar as contas públicas sem penalizar a população mais vulnerável.

A manifestação pública ocorre em um momento de intenso debate econômico e político nacional. Os signatários argumentam que o centro do desequilíbrio fiscal brasileiro não reside nos investimentos sociais, mas sim no impacto expressivo do serviço da dívida pública, impulsionado pelo patamar elevado das taxas básicas de juros mantidas pela autoridade monetária.

Críticas ao ajuste fiscal e peso dos juros

Os profissionais signatários do manifesto apontam que o principal motor do crescimento da dívida pública brasileira é o custo com os juros fixados pelo Banco Central, e não os investimentos em políticas públicas ou despesas de custeio da União. Segundo dados destacados no documento, a dívida bruta do Brasil alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto em agosto, avançando significativamente em comparação aos 71,7% registrados em 2022.

O texto enfatiza que os juros reais praticados no país figuram entre os mais elevados do mundo. Nos doze meses anteriores à publicação, o orçamento público consumiu mais de R$ 1,1 trilhão apenas com o pagamento de juros da dívida, montante que equivale a 8,9% do PIB nacional e supera com ampla margem o resultado primário negativo registrado no período.

Proposta de tributação das altas rendas

Como alternativa central ao corte de despesas, o manifesto sugere a antecipação imediata da tributação mínima de 10% para indivíduos que recebem acima de R$ 600 mil por ano, conforme previsão legal aprovada recentemente. A medida alcançaria dividendos, aplicações financeiras isentas e juros sobre o capital próprio, que atualmente contam com isenções significativas no sistema tributário brasileiro.

Os especialistas argumentam que a revisão de isenções e regimes especiais, que somam centenas de bilhões de reais em renúncias fiscais anuais, representa uma fonte legítima e justa de arrecadação. Essa alternativa evitaria que o peso do reequilíbrio fiscal recaia sobre áreas essenciais como saúde, educação e programas de transferência de renda voltados às famílias de menor poder aquisitivo.

Debate sobre a taxa Selic e a meta inflacionária

O documento também direciona críticas à política monetária vigente, solicitando que o Banco Central evite novas elevações na taxa Selic, atualmente fixada em 13,75% ao ano. Os economistas defendem ainda a necessidade de adotar medidas que facilitem o repasse da queda dos juros para o crédito voltado às famílias e às pequenas e médias empresas.

Outro ponto nevrálgico levantado pelos profissionais é a revisão da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional. A proposta sugere o retorno do centro da meta para 4,5% ao ano e a ampliação do horizonte de convergência, integrando de forma mais efetiva o objetivo constitucional de busca pelo pleno emprego na condução da política monetária do país.

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