Em um caso que chocou a comunidade de Guarapuava e levanta importantes discussões sobre a ética profissional e a segurança dos pacientes em ambientes terapêuticos, o psicólogo Giovani Caetano Jaskulski, de 56 anos, foi condenado a uma pena de 19 anos, 10 meses e oito dias de prisão. A sentença, resultante de três condenações acumuladas, refere-se aos crimes de violação sexual mediante fraude e violência psicológica contra mulheres. Entre as cinco vítimas identificadas, destaca-se uma jovem que, à época dos fatos, tinha apenas 16 anos e já carregava o trauma de um abuso sexual anterior.
Os relatos das vítimas revelam um padrão perturbador de conduta, onde Jaskulski utilizava sua posição de confiança para manipular e agredir suas pacientes. A jovem de 16 anos, em seu depoimento, descreveu sessões onde era forçada a usar apenas roupas íntimas e tinha seu corpo tocado diversas vezes. O psicólogo, em um grave desvirtuamento de sua função, justificava essas ações dizendo que “fazia parte do tratamento”, uma tática que mina a capacidade da vítima de discernir o certo do errado em um momento de vulnerabilidade.
O Abuso da Confiança e a Exploração da Vulnerabilidade
A gravidade do caso é acentuada pelo fato de os abusos terem ocorrido em um consultório de psicologia, um espaço que deveria ser de acolhimento, segurança e cura. A relação terapêutica é baseada na confiança e na assimetria de poder, com o profissional detendo o conhecimento e a capacidade de guiar o processo de saúde mental do paciente. Quando essa confiança é quebrada por ações predatórias, as consequências para as vítimas são devastadoras, especialmente para quem já busca ajuda por traumas pré-existentes, como era o caso da adolescente.
Além da jovem, outras quatro mulheres, com idades entre 23, 32, 37 e 44 anos, também foram identificadas como vítimas durante a investigação conduzida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR). Isso demonstra que o comportamento de Giovani Jaskulski não foi um incidente isolado, mas um modus operandi que se repetia, explorando a fragilidade e a necessidade de apoio psicológico de quem o procurava.
Detalhes dos Relatos e a Manipulação Psicológica
As descrições das sessões são chocantes. A jovem, entrevistada pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, detalhou que, em 2020, Jaskulski “passou a ficar com a mão na minha calcinha e pediu pra eu tirar o sutiã. E que sempre falava que eu tinha que deixar ele me tocar porque fazia parte do tratamento. Sempre ele enfatizava isso”. Em uma ocasião, ela foi instruída a ficar “de quatro” no sofá da clínica. Em outro momento, ele a fez levar o vestido que usava no dia em que foi abusada sexualmente e até dançar com ele no consultório, tudo sob o pretexto de ser parte essencial do processo terapêutico.
A mãe da adolescente revelou que o psicólogo desaconselhava a família a conversar sobre as sessões, argumentando que isso “atrapalharia a confiança que ele estava conseguindo dela”. Essa tática de isolamento é comum em casos de abuso, visando fragilizar a vítima e impedir que ela compartilhe o que está acontecendo, reforçando o controle do agressor.
Outra ex-paciente também deu seu depoimento, descrevendo como Giovani colocou a mão dentro de seu sutiã, causando-lhe desespero. “Eu me lembro que eu entrei dentro do carro, eu chorei muito, eu chorei uns 20 minutos seguidos”, relatou, evidenciando o profundo abalo emocional provocado pelas ações do psicólogo. A justificativa constante de que as ações eram “parte do tratamento” é uma perversão da prática psicológica, transformando-a em uma ferramenta para a perpetração de crimes.
O Caminho Legal e as Consequências Profissionais
A trajetória legal de Jaskulski é marcada por sua prisão inicial em 1º de julho de 2023. Naquele momento, ele cumpria pena em regime semiaberto, utilizando tornozeleira eletrônica. No entanto, com a terceira condenação, a situação mudou para o regime fechado, culminando em sua prisão mais recente, no dia 12 de março, no Centro de Guarapuava. O somatório das penas reflete a gravidade e a reincidência de suas condutas.
Além das consequências criminais, Giovani Caetano Jaskulski também enfrenta as sanções de seu conselho de classe. Seu registro no Conselho Federal de Psicologia encontra-se suspenso, uma medida essencial para proteger a sociedade de profissionais que desvirtuam gravemente os princípios éticos e a responsabilidade social de sua profissão. A defesa do psicólogo informou à RPC que não se manifestaria sobre o caso, alegando sigilo processual, e não houve retorno de contato posterior.
Relevância e Impacto Social do Caso em Guarapuava
Este caso transcende a esfera jurídica e assume uma relevância social inegável. Ele serve como um alerta contundente sobre a importância da vigilância e da denúncia em situações onde a confiança é quebrada, especialmente em relações profissionais que envolvem grande vulnerabilidade. A condenação de Jaskulski reafirma o compromisso do sistema de justiça em responsabilizar agressores, ao mesmo tempo em que destaca a necessidade de discussões mais amplas sobre a fiscalização de profissionais, a educação sobre assédio e abuso, e o apoio integral às vítimas.
Para a comunidade de Guarapuava e para a sociedade em geral, este episódio reforça a importância de procurar auxílio psicológico em locais e com profissionais de comprovada idoneidade, e de se manter alerta a qualquer conduta que fuja do escopo terapêutico legítimo. A justiça, neste caso, representa um passo fundamental para a reparação das vítimas e para a reafirmação dos valores éticos que devem nortear a prática de qualquer profissão, sobretudo aquelas que lidam diretamente com a saúde e o bem-estar humano.
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Fonte: https://g1.globo.com