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Embrapa inaugura unidade mista em Mato Grosso com foco em comunidades rurais e segurança alimentar

© Italo Ludke/Embrapa

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) marcou um passo significativo para o desenvolvimento rural e a segurança alimentar em Mato Grosso com a inauguração, no último sábado (21), de sua mais nova estrutura: a Unidade Mista de Pesquisa e Inovação (Umipi). Localizada em Nossa Senhora do Livramento, na Baixada Cuiabana, a iniciativa visa impulsionar o progresso das comunidades rurais da região, reconhecidas por seus desafios singulares e pela rica diversidade social.

O evento de lançamento contou com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reforçando a importância estratégica que o governo atribui à pesquisa e inovação como pilares para o fortalecimento da agricultura familiar e a promoção do desenvolvimento socioeconômico em áreas historicamente vulneráveis. A Umipi se estabelece em uma área da União que, no passado, abrigou a estação experimental de piscicultura da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), um legado que agora se renova sob a expertise da Embrapa.

Desafios regionais e o foco da pesquisa

A escolha da Baixada Cuiabana como sede para a nova unidade não é aleatória. A região apresenta características edafoclimáticas desafiadoras para a agropecuária tradicional, como condições de solo específicas, baixa altitude e temperaturas elevadas durante grande parte do ano. Tais fatores exigem abordagens inovadoras e adaptadas para garantir a sustentabilidade dos sistemas produtivos e a resiliência das culturas frente às mudanças climáticas.

Diante desse cenário, a Embrapa da Baixada Cuiabana concentrará seus esforços em pesquisa e transferência de tecnologia focadas em atividades como a fruticultura, a mandiocultura, a piscicultura e a horticultura. Além disso, a unidade investirá em sistemas produtivos agroflorestais e na integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), modelos que promovem a diversificação da produção, a conservação dos recursos naturais e o aumento da produtividade de forma sustentável, alinhando-se às premissas de uma agricultura moderna e consciente.

Segurança alimentar e desenvolvimento humano

Um dos eixos centrais da atuação da Umipi é a segurança alimentar, um tema de relevância global e local. A chefe-geral da Embrapa Agrossilvipastoril, Laurimar Vendrusculo, destaca o papel crucial da unidade no apoio a uma parcela significativa da população mato-grossense, que representa cerca de 30% do estado e inclui comunidades quilombolas e indígenas, frequentemente mais suscetíveis à insegurança alimentar. A expectativa é que o trabalho da Umipi resulte em um notável aumento da produção local de hortifrutis e pescados, fortalecendo a dieta e a renda dessas famílias.

A iniciativa vai além da simples produção de alimentos. Conforme Vendrusculo, a Baixada Cuiabana abrange municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) historicamente baixos. Nesse contexto, o estímulo ao cultivo de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) e à implementação de hortas comunitárias torna-se uma estratégia poderosa. O objetivo é capacitar produtores, difundir conhecimentos e fortalecer as cooperativas locais, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento que empodera as comunidades e promove a autonomia alimentar.

O modelo Umipi: cooperação e inovação

A Umipi representa um modelo de atuação colaborativo, que prioriza a cooperação interinstitucional. Essa estrutura inovadora permite o compartilhamento de infraestrutura, recursos humanos e financeiros, otimizando investimentos e potencializando resultados. A sinergia entre diferentes expertises é fundamental para enfrentar a complexidade dos desafios do campo e acelerar a difusão de tecnologias.

Para consolidar essa abordagem, a Embrapa já firmou protocolos de intenções com importantes parceiros acadêmicos e do setor produtivo. A lista inclui a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), o Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Mato Grosso (Fetagri-MT). Cada uma dessas instituições contribuirá com seu conhecimento técnico, científico e social, garantindo uma abordagem multidisciplinar e integrada para os projetos desenvolvidos na Umipi.

Essa rede de colaboração é vital para que a pesquisa gere impactos concretos, traduzindo-se em práticas agrícolas mais eficientes, sustentáveis e rentáveis para os agricultores. O modelo de unidade mista demonstra um caminho promissor para o agronegócio brasileiro, especialmente para a agricultura familiar e comunidades tradicionais, que são pilares da produção alimentar e da conservação ambiental no país.

Perspectivas e impacto social

A nova Unidade Mista de Pesquisa e Inovação da Embrapa em Nossa Senhora do Livramento não é apenas um centro de estudos, mas um motor de transformação social. Ao focar na transferência de tecnologia e no empoderamento das comunidades, a Umipi tem o potencial de elevar a qualidade de vida de milhares de pessoas, combater a insegurança alimentar e promover a sustentabilidade ambiental em uma das regiões mais ricas e, ao mesmo tempo, desafiadoras do Brasil. Trata-se de um investimento estratégico que reforça o compromisso da pesquisa agropecuária em construir um futuro mais próspero e equitativo para o campo.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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