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Quadrilha simula blitz e assalta 45 passageiros em ônibus na BR-277, perto de Guarapuava: ‘Sentimento de impotência’ domina vítimas

G1

Uma madrugada que deveria ser de viagem tranquila transformou-se em cenário de terror para 45 passageiros de um ônibus intermunicipal no Paraná. Na BR-277, em Candói, nas proximidades de Guarapuava, uma quadrilha de assaltantes agiu com audácia e planejamento, utilizando táticas de falsificação de identidade policial para interceptar o veículo e subtrair todos os pertences dos ocupantes. O crime, ocorrido na madrugada da última Sexta-feira Santa, expõe a vulnerabilidade das rodovias e o crescente refinamento das ações criminosas que impactam diretamente a segurança e a confiança dos viajantes na região e no país.

Modus Operandi Sofisticado e a Ação Criminosa

O ônibus, que fazia a rota de Foz do Iguaçu (PR) para São Paulo (SP), foi alvo de criminosos que se valeram de uma estratégia enganosa para forçar a parada. Segundo relatos à Polícia Rodoviária Federal (PRF), os assaltantes operavam em uma caminhonete branca equipada com um dispositivo luminoso, semelhante a um giroflex, simulando uma abordagem policial legítima. Essa tática não apenas garantiu a parada do veículo, mas também instilou um falso senso de segurança inicial, que rapidamente se desfez ao se revelar a verdadeira intenção dos indivíduos.

Cinco homens armados participaram da ação. Enquanto um deles permaneceu na cabine, rendendo o motorista, os outros quatro se encarregaram de saquear os 45 passageiros. A sofisticação da quadrilha foi além: os criminosos teriam utilizado bloqueadores de sinal de telefonia celular para impedir qualquer comunicação externa e, em seguida, desviaram o ônibus para uma estrada de terra nas proximidades da BR-373. Foi nesse local isolado que o roubo foi concretizado, resultando na perda de todos os bens dos viajantes, incluindo dinheiro, documentos, malas e itens pessoais, conforme detalhado pela PRF.

O Drama Humano e a Impotência Diante do Inesperado

O impacto do assalto se reflete nos depoimentos das vítimas, que compartilham um profundo sentimento de impotência e frustração. Entre os passageiros, estavam o comunicador Osvaldir Pedroso e sua esposa, que embarcaram em Laranjeiras do Sul e tinham como destino São Paulo, de onde partiriam para uma viagem internacional a Portugal. Com a perda dos documentos e passaportes, um sonho planejado há dois anos foi abruptamente interrompido.

“Eles levaram o dinheiro que a gente havia separado para a viagem, roupas… Tudo que a gente estava levando. Havia muitas pessoas junto, sendo ameaçadas; eles pediram pra que ninguém tentasse nada, que não tinham intenção de machucar ninguém, mas foi aquele sentimento de impotência”, relatou Osvaldir à mídia. Essa fala ecoa a experiência traumática de todos a bordo, que viram seus planos e bens serem levados sob ameaça e coerção.

A enfermeira Nathy Campos, que viajava com a família para assistir a um show na capital paulista, também teve suas malas e documentos roubados. “A gente está salvo, está vivo, mas querendo ou não, desanimou bastante o passeio, né?! Ficou difícil, a gente vai ter que gastar com roupa, com mantimento, tudo… coisa que a gente não estava planejando gastar”, desabafou Nathy, expressando a dimensão do prejuízo material e emocional que se soma ao susto do assalto.

Rodovias Paranaenses: Alvos Recorrentes e os Desafios da Segurança

A BR-277 e a BR-373 são importantes eixos rodoviários que cortam o Paraná, conectando regiões de forte atividade econômica e servindo como corredores de transporte de passageiros e cargas. A proximidade com cidades como Guarapuava, um polo regional, e a localização estratégica entre o Oeste paranaense (fronteiriço com Paraguai e Argentina) e o Sudeste brasileiro, tornam essas vias particularmente visadas por grupos criminosos. Assaltos a ônibus e caminhões, muitas vezes com modus operandi semelhante, infelizmente, não são novidade nessas rotas, o que ressalta a necessidade de constantes aprimoramentos nas estratégias de policiamento e inteligência policial.

A simulação de abordagens policiais para cometer assaltos é uma tática que visa subverter a confiança pública nas autoridades e desorientar as vítimas, tornando a reação ainda mais difícil. Esse tipo de ação exige uma resposta coordenada entre as forças de segurança, que enfrentam o desafio de patrulhar extensas malhas rodoviárias e de combater quadrilhas que atuam de forma organizada e com recursos cada vez mais tecnológicos, como os bloqueadores de sinal, que dificultam o pedido de socorro imediato.

Investigação em Andamento e a Busca por Respostas

Após o assalto, algumas vítimas conseguiram localizar celulares que haviam sido deixados pelos criminosos nas proximidades do local do crime. Eles retornaram ao ônibus e seguiram até o posto mais próximo da PRF, em Guarapuava, para registrar a ocorrência e buscar ajuda. Até o momento da publicação desta reportagem, a Polícia Civil, que assumiu a investigação, não divulgou informações sobre a identificação ou prisão dos suspeitos. A empresa Nordeste, responsável pelo ônibus, preferiu não se manifestar sobre o ocorrido, um silêncio que se soma à ansiedade das vítimas por justiça e por algum tipo de reparação.

Este episódio reforça a urgência de um debate contínuo sobre a segurança nas estradas brasileiras e a proteção dos cidadãos que dependem do transporte rodoviário. O Guarapuava no Radar segue acompanhando de perto os desdobramentos deste caso e outras notícias relevantes que impactam a vida e a segurança da nossa região. Mantenha-se informado conosco, seu portal de notícias que traz a informação mais atual, contextualizada e com a profundidade que você merece.

Fonte: https://g1.globo.com

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