PUBLICIDADE

O ‘cãoroinha’ de São Mateus do Sul: Caramelo, o cachorro que frequenta missas e conquista padre no Paraná ao ‘parar e ficar escutando’

G1

Em meio à rotina sacra da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em São Mateus do Sul, no sul do Paraná, um visitante inusitado tem atraído olhares e conquistado corações: Caramelo, um cachorro sem raça definida, que se tornou um fiel assíduo das missas. A presença do animal, que demonstra uma atenção peculiar durante a liturgia, transcendeu a curiosidade e se transformou em um símbolo de afeto, comunidade e reflexão sobre a coexistência e o respeito à vida.

A primeira visita e a curiosa devoção

A história de Caramelo na igreja começou em uma Quarta-Feira de Cinzas, data que marca o início da Quaresma e simboliza um tempo de conversão e introspecção para os católicos. Naquele dia, Caramelo adentrou o templo de forma discreta, buscando carinho entre os bancos, uma cena comum para muitos cães comunitários. No entanto, o que chamou a atenção do Padre Ivo Jablonski foi a transformação no comportamento do animal quando a Liturgia da Palavra teve início. Ao invés de continuar sua jornada pelos corredores, Caramelo parou, sentou-se próximo ao altar e, em um gesto que parecia de escuta atenta, permaneceu em silêncio.

O padre, surpreso com a calma do cão, sentou-se no chão do altar, e Caramelo, como se reconhecesse um antigo amigo, aproximou-se e ficou ao seu lado. O episódio marcou o início de uma relação que se tornaria constante. Desde então, Caramelo passou a ser uma presença esperada nas missas, especialmente durante a proclamação do Evangelho, momento em que sua quietude se torna mais evidente. “Ele continua frequentando as missas, e sempre comportado: na hora do Evangelho ele para de pedir carinho. Isso que me chama a atenção: normalmente o bicho está ali andando pra lá e pra cá, mas parece que ele gosta de escutar o Evangelho”, relatou o Padre Ivo, em depoimento que rapidamente se espalhou.

Caramelo: o cão comunitário que virou parte da paróquia

A alcunha carinhosa de 'cãoroinha', que brinca com a ideia de 'coroinha' – o auxiliar do padre nas celebrações – ilustra o carinho com que o animal foi acolhido pela comunidade. Caramelo, classificado como um cão comunitário, representa uma realidade comum em muitas cidades brasileiras. Ele não tem um lar fixo, mas é cuidado por diversos moradores da região, que lhe oferecem alimento, água e abrigo informal. Essa rede de apoio demonstra a compaixão e o senso de responsabilidade social de São Mateus do Sul para com os animais que vivem em seu entorno, uma prática que se alinha com princípios de solidariedade e acolhimento.

A presença do cachorro se tornou tão notória que sua ausência em uma das missas recentes foi sentida e até comentada pelo Padre Ivo, em tom de brincadeira: “Eu cheguei a brincar durante a missa: ‘O cachorro não veio hoje, será que ele trocou de igreja?’”. Esse momento reflete não apenas a aceitação de Caramelo no ambiente sagrado, mas também o quanto sua figura se integrou à experiência religiosa dos fiéis, que passaram a vê-lo não como um intruso, mas como um membro peculiar da congregação.

Além da curiosidade: uma mensagem de fraternidade e moradia

A história de Caramelo vai além do pitoresco e do afeto. Ela ganhou um significado mais profundo quando o Padre Ivo Jablonski a utilizou como gancho para um de seus sermões, conectando-a ao tema da Campanha da Fraternidade de 2026, que abordará 'Fraternidade e Moradia'. A reflexão do padre destacou a condição de vulnerabilidade de muitos seres, sejam eles humanos ou animais, em nossa sociedade.

“Eu comentei que hoje tem muita gente abandonada, e animais também – e tudo é criação de Deus. O ser humano é a obra-prima, mas tudo que Deus colocou no mundo tem um propósito na nossa vida e quer nos falar algo”, explicou o Padre Ivo. A partir da presença de Caramelo, o religioso convida à meditação sobre a responsabilidade humana diante do abandono, da fome e da irresponsabilidade que afetam não apenas as pessoas, mas todas as criações divinas. A mensagem é clara: é preciso respeitar e cuidar de tudo que foi criado, reforçando o valor da fraternidade e da solidariedade em um mundo que muitas vezes negligencia os mais vulneráveis. Caramelo, com sua devoção silenciosa, tornou-se um lembrete vivo desses princípios.

A história de Caramelo, o 'cãoroinha' de São Mateus do Sul, ressoa como um conto de simplicidade e profundidade, mostrando como a vida, em suas formas mais inesperadas, pode nos oferecer lições valiosas e nos convidar a um olhar mais atento para o mundo ao nosso redor. Continue acompanhando o Guarapuava no Radar para mais histórias que conectam você à realidade local, regional e nacional, com a profundidade e o contexto que importam.

Fonte: https://g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE