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Brasil assume presidência da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul em momento-chave para a diplomacia regional

© Acervo NEMA/Divulgação/Ministério do Meio Ambiente

O Rio de Janeiro se torna palco de um encontro diplomático de grande relevância internacional nos dias 8 e 9 de abril, com a realização da 9ª Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas). O Brasil, como anfitrião, assume a presidência do mecanismo, sinalizando um renovado engajamento com a cooperação Sul-Sul e com a afirmação do Atlântico Sul como uma região estratégica e de paz, livre de ingerências e conflitos externos. Esta liderança brasileira busca impulsionar uma agenda que vá além da mera manutenção da paz, explorando o vasto potencial de desenvolvimento compartilhado entre seus membros.

Criada em 1986 por resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), a Zopacas nasceu em um contexto geopolítico tenso, marcado pela Guerra Fria e pela corrida armamentista. Seu objetivo primordial foi, e continua sendo, manter a região do Atlântico Sul livre de armas nucleares e de destruição em massa. Composta por 24 nações — Brasil, Argentina, Uruguai e 21 países da costa oeste africana, do Senegal à África do Sul — a Zona de Paz e Cooperação representa uma ponte geográfica e política singular entre dois continentes.

Ao longo de quase quatro décadas, a Zopacas tem sido bem-sucedida em seu propósito de afastar os perigos de conflitos bélicos diretos entre seus membros e de impedir a proliferação de armamentos de grande potencial destrutivo. A tradição do mecanismo dita que o país anfitrião da reunião ministerial assuma sua presidência por um período de dois a três anos, sucedendo Cabo Verde neste ciclo. Contudo, a expectativa atual da chancelaria brasileira, conforme expressa pelo embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Ministério das Relações Exteriores, é que a cooperação dentro da Zopacas possa e deva ser muito mais ambiciosa.

A Visão Brasileira: Ampliando o Horizonte da Cooperação

Para o Brasil, a Zopacas representa uma plataforma estratégica para fortalecer laços históricos, econômicos e culturais com seus vizinhos africanos e sul-americanos. A visão atual é de que, embora a paz e a segurança sejam pilares, o potencial de cooperação ainda não foi plenamente explorado. “São 40 anos em que os países das Nações Unidas, por consenso, têm repetido essa declaração [da região sem armas de grande potencial destrutivo]. No entanto, [a Zopacas] é também uma zona de paz e cooperação. E esse aspecto de cooperação, no nosso entendimento, não desenvolveu todo o potencial que tinha que desenvolver”, avalia o embaixador Cozendey, sinalizando a ambição por uma atuação mais dinâmica e abrangente.

Neste novo ciclo, espera-se que os países-membros da Zopacas avancem na concretização de iniciativas em áreas essenciais. Três documentos deverão ser assinados no Rio de Janeiro, delineando a agenda para os próximos anos. São eles: uma convenção sobre o ambiente marinho, uma estratégia de cooperação abrangente e a Declaração do Rio de Janeiro, que trará o posicionamento político dos membros.

Proteção Marinha e o Potencial da Economia Azul

A convenção sobre o ambiente marinho destaca a preocupação crescente com a sustentabilidade dos oceanos. O Atlântico Sul, com sua vasta biodiversidade e recursos pesqueiros, é vulnerável à pesca ilegal, à poluição e aos impactos das mudanças climáticas. Este documento visa fortalecer a governança oceânica, promover a pesquisa científica conjunta e garantir a exploração sustentável dos recursos marinhos. A gestão integrada e a proteção desse ecossistema vital são fundamentais para a economia azul dos países-membros, que dependem diretamente da saúde do oceano para seu desenvolvimento.

Estratégias de Desenvolvimento e Segurança Compartilhados

A estratégia de cooperação é o pilar mais ambicioso, estabelecendo três áreas de atuação subdivididas em impressionantes 14 áreas temáticas. Essa abrangência demonstra a intenção de ir muito além da segurança militar. As temáticas podem incluir desde a segurança marítima (combate à pirataria, tráfico de drogas e crimes transnacionais), pesquisa científica e tecnológica, comércio e investimentos, infraestrutura portuária e conectividade, até intercâmbio cultural e cooperação em saúde e educação. O objetivo é fomentar um desenvolvimento sustentável e integrado, que beneficie mutuamente todas as nações da Zopacas.

A Declaração do Rio: Voz Política em Cenário Global

A Declaração do Rio de Janeiro, de teor político, será um documento crucial para reafirmar os princípios e a visão da Zopacas. Apesar de não se esperar referências diretas a conflitos específicos como os do Oriente Médio ou Leste Europeu – “Não se deve esperar declarações sobre todos os eventos da atualidade”, segundo o embaixador Carlos Bicalho – seu conteúdo reafirmará a determinação dos países da região em manter o Atlântico Sul como uma zona de paz e segurança, gerida pelos próprios membros.

Em um cenário global cada vez mais volátil, com a crescente competição geopolítica e a busca por novas rotas marítimas e recursos, a Zopacas se posiciona como um baluarte contra a militarização e a importação de conflitos extrarregionais. A declaração reiterará a capacidade e o interesse das nações do Atlântico Sul em serem protagonistas de sua própria segurança e destino, evitando que potências de fora tragam seus problemas para a região. Este posicionamento é fundamental para a soberania e a estabilidade regional.

Repercussões e o Futuro do Atlântico Sul

A renovada presidência brasileira na Zopacas não é apenas um evento diplomático; ela reflete uma prioridade da política externa do país em fortalecer o multilateralismo e a cooperação Sul-Sul. A agenda ambiciosa proposta para a convenção marinha e a estratégia de cooperação, com suas 14 áreas temáticas, sugere um futuro de maior integração econômica, segurança marítima aprimorada e uma voz coletiva mais forte em fóruns internacionais para as nações do Atlântico Sul. Para o Guarapuava no Radar e seus leitores, essa movimentação diplomática em nível global ressoa na importância do Brasil em cenários estratégicos, impactando desde relações comerciais até a proteção ambiental de um oceano fundamental para o nosso planeta.

A expectativa é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participe do encerramento da reunião, conferindo peso político ao evento e sublinhando o compromisso do governo brasileiro com a revitalização da Zopacas e com o fortalecimento de sua diplomacia com o continente africano. Este é um passo significativo para consolidar o Atlântico Sul como um vetor de paz, cooperação e desenvolvimento sustentável em um mundo em constante transformação.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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