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Terceirizados de penitenciária no Paraná cobravam R$ 10 mil de presos para liberar entrada de celulares em celas; principal suspeito está foragido

G1

Uma grave denúncia de corrupção abala as estruturas do sistema prisional paranaense, revelando um esquema sofisticado e lucrativo na Cadeia Pública de Pato Branco, localizada no sudoeste do estado. Monitores de ressocialização, funcionários terceirizados da unidade, são apontados como peças-chave em uma rede que cobrava valores exorbitantes — até R$ 10 mil de detentos — para facilitar a entrada ilegal de telefones celulares nas celas. A "Operação Repugna", deflagrada pela Polícia Civil, já resultou em diversas prisões e apreensões significativas, mas o principal suspeito, Luiz Carlos Ferreira Drehmer, de 38 anos, permanece foragido, intensificando a caçada e a investigação sobre as profundezas dessa organização criminosa.

Deflagrada na manhã da última quinta-feira (23), a operação foi resultado de um trabalho meticuloso do Núcleo de Investigações Qualificadas (NIQ) da 5ª Subdivisão Policial, em colaboração com o Departamento de Polícia Penal (Depen-PR). Foram cumpridos quatro mandados de prisão e 21 de busca e apreensão, visando não apenas os monitores, mas também detentos e seus familiares, evidenciando a capilaridade do esquema. Segundo a delegada Aline Simadon, a investigação confirmou que os valores eram recebidos via Pix de presos e seus familiares em troca da introdução dos aparelhos. Um dos alvos da operação foi flagrado com impressionantes 43 celulares, sublinhando a escala da operação ilegal e a demanda por esses dispositivos dentro do sistema carcerário.

A apuração da Polícia Civil teve acesso a extratos bancários dos envolvidos, revelando a movimentação de mais de R$ 90 mil em apenas uma das contas bancárias de um dos investigados, indicando a expressiva lucratividade do esquema. Embora os detalhes exatos sobre a data de início ainda estejam sendo consolidados pelas autoridades, as movimentações financeiras robustas apontam para um período de intensa atividade criminosa. O ponto de partida para a "Operação Repugna" foi uma denúncia do próprio Departamento de Polícia Penal (Depen-PR), demonstrando a proatividade da instituição na identificação e combate à corrupção interna, um passo crucial para a integridade e a credibilidade do sistema.

Ameaça à Segurança Pública: O Impacto dos Celulares nas Prisões

A entrada de celulares em unidades prisionais, facilitada por esquemas de corrupção como o descoberto em Pato Branco, não é meramente uma infração administrativa; ela representa uma grave e contínua ameaça à segurança pública e à eficácia do sistema de ressocialização. De dentro das celas, os aparelhos se tornam ferramentas vitais para a continuidade de atividades criminosas complexas, como extorsões, sequestros, tráfico de drogas e a organização de novos delitos. Eles permitem que chefes de facções criminosas mantenham controle sobre suas redes externas, frustrando os esforços incansáveis das forças de segurança em desarticular essas organizações e proteger a sociedade. No Paraná, a constante vigilância sobre essa prática ilegal é um desafio permanente para as autoridades.

Este caso específico em Pato Branco lança luz sobre uma vulnerabilidade crítica: a de unidades prisionais que contam com serviços terceirizados. Embora a terceirização possa trazer benefícios em termos de eficiência e redução de custos operacionais, ela também exige um rigoroso controle e fiscalização para evitar brechas que possam ser exploradas pela criminalidade. A confiança depositada em funcionários externos, como os monitores de ressocialização, é um elo crucial que, quando quebrado pela corrupção, compromete toda a estrutura de segurança, a disciplina interna e o próprio propósito de reintegração social dos detentos. É um lembrete severo dos desafios intrínsecos à gestão prisional.

Desdobramentos e a Busca Pelo Principal Suspeito Foragido

Os envolvidos no esquema de Pato Branco podem ser responsabilizados por crimes graves, como corrupção ativa e passiva, facilitação da entrada de aparelhos de comunicação em unidade prisional e associação criminosa. As penas para tais delitos podem ser elevadas, reforçando a seriedade da conduta e o compromisso das autoridades em coibir práticas corruptas dentro do sistema. A prisão dos demais suspeitos é um passo importante, mas a captura de Luiz Carlos Ferreira Drehmer, o principal articulador apontado pela investigação, é fundamental para desvendar completamente a rede e garantir que todos os responsáveis respondam perante a justiça. Sua condição de foragido mantém a Polícia Civil em alerta, e a busca se estende, possivelmente, por diversas localidades, envolvendo equipes especializadas.

A "Operação Repugna" serve como um alerta e um exemplo da complexidade do combate ao crime organizado que, muitas vezes, permeia as instituições. Para o Departamento de Polícia Penal do Paraná, a resposta a este episódio deve ir além da punição dos envolvidos, abrangendo a revisão e o aprimoramento dos protocolos de segurança, fiscalização e, principalmente, dos processos de contratação e monitoramento de pessoal terceirizado. A sociedade espera que episódios como este resultem em maior transparência, responsabilização e medidas mais eficazes para blindar o sistema prisional contra a infiltração da criminalidade e da corrupção, que minam a confiança pública e a ordem.

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Casos como o de Pato Branco reverberam por todo o estado, reforçando a importância de um jornalismo atento e aprofundado que acompanha de perto as questões de segurança e justiça que afetam a vida dos paranaenses. O Guarapuava no Radar reitera seu compromisso em trazer aos seus leitores informações relevantes, atualizadas e contextualizadas sobre este e outros temas que moldam o cotidiano da nossa região e do país. Continue nos acompanhando para ficar bem informado, compreender os detalhes e desdobramentos dos fatos que realmente importam para a nossa comunidade e para o Paraná, com a credibilidade e a variedade de temas que você já conhece.

Fonte: https://g1.globo.com

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