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Rodovia das Cataratas em Foz do Iguaçu: Travessias perigosas forçam pedestres a riscos, mas passarelas são anunciadas

G1

A Rodovia das Cataratas (BR-469), em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, transformou-se em um cenário de risco diário para milhares de pedestres. A ausência de passarelas adequadas tem obrigado moradores, trabalhadores e turistas a enfrentar obstáculos perigosos, como pular muretas de concreto ou percorrer longas distâncias, apenas para acessar pontos de ônibus e outros destinos cruciais. A situação, que já gerava reclamações contínuas, ganhou um novo capítulo com o anúncio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) sobre a construção de quatro passarelas ao longo da via, uma esperança de segurança para quem vive a rotina de travessias arriscadas.

A dificuldade de transitar com segurança pela rodovia foi intensificada desde a instalação das muretas de concreto, ocorrida em período recente como parte do projeto de duplicação. Para muitos que dependem do transporte coletivo – incluindo idosos, gestantes, crianças, pessoas com deficiência, além de trabalhadores de hotéis, atrativos turísticos e serviços – cada travessia representa um dilema entre a segurança e a necessidade de seguir em frente. Bairros como Carimã, Novo Horizonte, Anita Garibaldi, Mata Verde e Arroio Dourado são diretamente afetados, evidenciando o impacto social profundo da infraestrutura inadequada.

Foz do Iguaçu: Hub Turístico e o Desafio da Mobilidade Humana

A Rodovia das Cataratas não é uma via qualquer; ela é a artéria que conecta o Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu ao Parque Nacional do Iguaçu, englobando uma vasta área de hotéis e empreendimentos turísticos. Um estudo conjunto da Prefeitura de Foz do Iguaçu e da Itaipu Binacional revelou que mais de 28 mil pessoas circulam diariamente por este trecho. Esse volume, que inclui o fluxo turístico intenso e a rotina da população local, expõe a urgência de soluções que garantam a fluidez do tráfego sem comprometer a vida de pedestres. A imagem de uma cidade que recebe milhões de visitantes anualmente é colocada em xeque quando a segurança básica de seus cidadãos não é plenamente atendida.

A Promessa de Solução: Passarelas em Pontos Estratégicos

Após meses de mobilização e demandas da comunidade, o Dnit confirmou a intenção de instalar quatro novas passarelas. Os projetos executivos para essas estruturas, que deverão ser erguidas nos quilômetros 14, 17, 19 e 21 da BR-469, estão na fase final de elaboração. A escolha desses pontos foi estratégica, resultado de uma colaboração entre o Dnit e o Instituto de Transportes e Trânsito de Foz do Iguaçu (Foztrans), considerando o intenso fluxo de pedestres e a localização atual dos pontos de ônibus, visando maximizar a eficácia das travessias seguras.

A necessidade dessas passarelas, contudo, revela uma lacuna no planejamento original. O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) esclareceu, em nota, que o projeto inicial da duplicação da Rodovia das Cataratas, elaborado pelo próprio Dnit, não contemplava estruturas para pedestres. Essa omissão gerou uma corrida para remediar a situação, com o DER-PR encaminhando as demandas populares ao governo federal e reforçando a responsabilidade do Dnit em desenvolver os projetos e executar as soluções, evidenciando a importância de uma visão integrada entre os diferentes modais de transporte desde a concepção de grandes obras.

Duplicação Atrasada e o Desafio de Adaptação

A problemática das passarelas se insere em um contexto maior: a duplicação da Rodovia das Cataratas, uma obra fundamental para a infraestrutura da região. Iniciada em outubro de 2022, a previsão inicial de entrega era março de 2024, mas o cronograma foi readequado devido a atrasos. Atualmente, com cerca de 84% dos serviços concluídos e financiamento da Itaipu Binacional em parceria com o governo federal, a nova expectativa é que a duplicação seja finalizada em julho de 2026. Enquanto isso, o primeiro trecho foi liberado em abril, ligando o acesso à Perimetral Leste ao Aeroporto Internacional, mas cerca de dois quilômetros ainda aguardam conclusão, no segmento que conecta o aeroporto ao Parque Nacional do Iguaçu.

Apesar do anúncio das futuras passarelas e das ciclovias e calçadas previstas no projeto da duplicação, a realidade para os pedestres de Foz do Iguaçu segue desafiadora. O Dnit orienta que, enquanto as novas estruturas não são construídas, os cidadãos utilizem as travessias existentes nos viadutos da rodovia, que já contam com passeios laterais. Contudo, essa alternativa nem sempre é viável para todos, dada a distância e as condições de acessibilidade, reforçando a urgência de uma solução definitiva para a segurança viária na região.

Impacto Social e a Expectativa da Comunidade

As "meses de reclamações" mencionadas no início da questão sublinham não apenas a insatisfação, mas também a resiliência e a mobilização da comunidade local. A ausência de infraestrutura adequada para pedestres em uma rodovia de tráfego intenso é mais do que um inconveniente; é uma falha de planejamento que impacta diretamente a qualidade de vida, a segurança e o direito de ir e vir dos cidadãos. A promessa das passarelas surge, portanto, como um alívio e uma validação da voz popular, que clamava por um ambiente mais seguro e humano para transitar por uma das mais importantes vias do Paraná.

Acompanhar de perto a execução desses projetos e garantir que as promessas se concretizem no prazo estabelecido é essencial para a segurança dos moradores e para a reputação de Foz do Iguaçu. O Guarapuava no Radar continuará monitorando este e outros temas relevantes que afetam diretamente a vida dos paranaenses, oferecendo informação atualizada, aprofundada e contextualizada. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta e de outras notícias acessando nosso portal, onde nosso compromisso é com a credibilidade e a diversidade de pautas que importam para você.

Fonte: https://g1.globo.com

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