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Dia Nacional de Conscientização da Dor Crônica: 5 de Julho Marca Novo Marco no SUS

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Em um passo significativo para a saúde pública brasileira, o dia 5 de julho foi oficialmente instituído como o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica. A Lei nº 14.845/2024, sancionada na última segunda-feira (8), não apenas define esta data simbólica, mas também estabelece diretrizes fundamentais para aprimorar o atendimento de milhões de pessoas que convivem com a dor prolongada no Brasil. A medida representa um reconhecimento oficial da dor crônica como uma condição de saúde complexa que exige atenção integral, tratamento especializado e, acima de tudo, desmistificação.

A nova legislação chega em um momento crucial, visto que estimativas apontam que a dor crônica afeta cerca de 60 milhões de brasileiros – uma parcela expressiva da população, equiparando-se ao número de habitantes de países inteiros. Para estes indivíduos, a dor deixa de ser um mero sintoma e se transforma em uma doença incapacitante, que compromete a qualidade de vida, a capacidade de trabalho e as relações sociais, impondo um fardo silencioso e, muitas vezes, invisível.

O Que a Lei Garante e o Papel do SUS

A principal novidade da lei é a garantia de atendimento integral no Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com dor crônica. Isso significa que os serviços de saúde deverão oferecer um cuidado que transcende a mera prescrição de medicamentos, englobando diagnóstico preciso, tratamentos multiprofissionais e acompanhamento contínuo. Além disso, a norma prevê a obrigatoriedade de orientações prévias aos pacientes sobre os riscos e possíveis efeitos adversos dos tratamentos propostos, promovendo maior autonomia e segurança na jornada terapêutica.

A abordagem integral é vital, pois a dor crônica raramente se resolve com uma única intervenção. Ela exige um olhar que contemple aspectos físicos, psicológicos e sociais. A integração de fisioterapia, psicologia, terapia ocupacional, nutrição e outras especialidades, em conjunto com a medicina da dor, é fundamental para oferecer um alívio sustentável e melhorar a funcionalidade do paciente. O reconhecimento disso na legislação é um avanço significativo, que pode pautar a criação de protocolos e a alocação de recursos específicos dentro do SUS.

A Dor Crônica em Números e Contexto

De acordo com a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), a dor crônica é definida como aquela que persiste por mais de 30 dias. Contudo, na prática clínica, essa definição é frequentemente estendida para dores que duram três meses ou mais. As causas são diversas e complexas, abrangendo desde condições musculoesqueléticas, como lombalgia e artrite, até neuropatias, fibromialgia, dores de cabeça persistentes e dores oncológicas.

No Brasil, o cenário é agravado pela falta de conhecimento generalizado sobre a condição. Muitos pacientes peregrinam por diferentes especialistas sem um diagnóstico claro ou um plano de tratamento eficaz. Há também um estigma associado à dor crônica, onde a queixa do paciente é, por vezes, minimizada ou atribuída a fatores emocionais, atrasando o acesso a cuidados adequados. A sanção desta lei e a instituição do Dia Nacional são importantes para mudar essa percepção, tanto na sociedade quanto entre os profissionais de saúde.

Campanhas Anuais e o Combate ao Preconceito

O Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica, marcado pela cor verde, tem como objetivo mobilizar o Poder Público na promoção de campanhas anuais. Estas campanhas buscarão ampliar o acesso a informações qualificadas sobre as opções terapêuticas disponíveis no SUS, combater o preconceito e, de forma crucial, estimular gestores de saúde a adotarem abordagens multiprofissionais, humanizadas e eficazes.

A conscientização é a primeira ferramenta para o enfrentamento. Ao informar a população e os profissionais sobre a seriedade da dor crônica e as possibilidades de tratamento, espera-se reduzir o tempo entre o surgimento da dor e o diagnóstico, além de desmistificar a condição. Isso pode levar a uma maior procura por ajuda, a uma melhor formação dos profissionais de saúde e a um investimento mais direcionado em pesquisa e inovação na área. Para cidades como Guarapuava, a implementação dessas diretrizes nacionais significará um desafio e uma oportunidade para fortalecer a rede local de atendimento à saúde, garantindo que os cidadãos tenham acesso aos benefícios da lei.

Desafios e Perspectivas Futuras

A criação da lei é um marco, mas os desafios para sua plena implementação são consideráveis. Será necessário capacitar profissionais de saúde em todo o país para a identificação e manejo da dor crônica, investir em infraestrutura e em tecnologias de diagnóstico e tratamento, e garantir a disponibilidade de equipes multiprofissionais. A articulação entre os diferentes níveis de atenção à saúde – da atenção primária à especializada – será fundamental para que o atendimento integral se torne uma realidade para todos os brasileiros afetados.

A longo prazo, espera-se que a lei contribua para a redução do sofrimento e o aumento da qualidade de vida de milhões de pessoas, diminuindo os impactos sociais e econômicos da dor crônica, como absenteísmo no trabalho e custos com tratamentos ineficazes. O 5 de julho será, a partir de agora, uma data para refletir, informar e agir em prol de uma sociedade mais consciente e empática com quem vive sob a sombra da dor.

Para continuar acompanhando as discussões, os desdobramentos e as novidades sobre a implementação desta importante lei, bem como outros temas relevantes que impactam a saúde e o bem-estar da comunidade, fique conectado com o Guarapuava no Radar. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada para você e sua família.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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