As buscas pelas primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, desaparecidas há 57 dias, atingiram um ponto de complexidade que levou a Polícia Civil do Paraná (PC-PR) a traçar paralelos com um caso que chocou o estado no ano passado: a morte de quatro cobradores de dívidas no Noroeste paranaense. Em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (17), o delegado Luis Fernando Alves Silva, responsável pela investigação, fez uma comparação direta entre as duas ocorrências, não por uma conexão entre os crimes, mas pela natureza dos desafios enfrentados na localização das vítimas.
Para a Polícia Civil, as primas são consideradas vítimas de homicídio, e a principal barreira para o avanço das investigações reside na ausência de informações precisas sobre o paradeiro de seus corpos. Essa realidade remete à situação vivenciada no caso dos cobradores, onde a demora na localização dos corpos foi uma das características mais marcantes, embora a resolução tenha vindo por uma denúncia pontual.
A Complexidade da Busca: Sem Pistas Concretas
O delegado Luis Fernando Alves Silva explicou que, ao contrário do caso dos cobradores, em que a polícia recebeu coordenadas exatas para a localização dos corpos — encontrados enterrados dentro de um carro, em um bunker, após 44 dias —, a investigação sobre o desaparecimento de Letycia e Sttela carece dessa precisão. “Nós não temos uma denúncia exata de uma localização exata, por exemplo, como foi Icaraíma e outros casos ali que dá uma localização exata. Nós temos indícios de regiões”, pontuou o delegado.
Essa distinção é crucial para o andamento do trabalho policial. A falta de uma pista sólida sobre a localização dos corpos das primas significa que a polícia precisa realizar varreduras em áreas geográficas extensas, um processo demorado e que consome muitos recursos. As buscas, atualmente concentradas em Paraíso do Norte, no Noroeste do estado, dependem de um esforço contínuo e de informações que, até o momento, não apontaram para um local específico.
O Drama das Primas e o Rastro do Suspeito
Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida foram vistas pela última vez em 21 de abril deste ano. A investigação da Polícia Civil revelou que as jovens, acompanhadas de Clayton Antonio da Silva Cruz, percorreram um trajeto que incluiu Cianorte, Jussara e Paranavaí. As câmeras de segurança registraram a caminhonete em que estavam passando por Jussara, onde Sttela residia com a mãe, e, posteriormente, as primas foram gravadas entrando em uma boate em Paranavaí na madrugada do dia do desaparecimento, sempre ao lado de Clayton.
Clayton Antonio da Silva Cruz, que se apresentava às primas como “Davi” e era conhecido também pelos apelidos “Dog dog” e “Sagaz”, é o principal suspeito no caso e está foragido. Contra ele, há um mandado de prisão aberto desde 29 de abril, que o acusa de roubo e homicídio. A sua fuga adiciona outra camada de dificuldade à investigação, pois sua captura é vista como essencial para o esclarecimento dos fatos e a possível localização das vítimas, ou de informações que levem a elas. O desaparecimento prolongado das primas tem gerado angústia e mobilizado suas famílias em uma busca incessante por respostas.
O Precedente dos Cobradores Mortos: Uma Lição na Busca
O caso dos cobradores, que serve de referência para o delegado, envolveu a morte de quatro homens após uma cobrança de dívida na mesma região do Noroeste do Paraná. Apesar de não haver ligação com o desaparecimento das primas, a similaridade reside na complexidade inicial para encontrar os corpos. A descoberta, que veio após 44 dias, foi viabilizada por uma denúncia precisa, que forneceu as coordenadas do local onde os corpos estavam ocultos. Esse fator foi decisivo para que a polícia conseguisse dar um desfecho ao caso, contrastando com a situação atual das primas.
Os suspeitos de envolvimento no assassinato dos cobradores, Antonio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22, também se encontram foragidos desde 9 de agosto do ano passado. Eles foram encaminhados à delegacia à época, mas liberados e, em seguida, fugiram. A defesa deles nega os homicídios, mas a situação de foragidos em ambos os casos, embora com naturezas distintas, ressalta a dificuldade da polícia em trazer os suspeitos à justiça e, consequentemente, obter informações cruciais para a elucidação dos crimes.
A Importância da Colaboração Comunitária
A estratégia da Polícia Civil, diante da ausência de uma localização exata, foca em varreduras e na análise de indícios regionais. O delegado Luis Fernando expressou a expectativa de que o trabalho em Paraíso do Norte pudesse trazer um desfecho, mas sem uma denúncia com a localização precisa, o esforço é exponencialmente maior. Este cenário sublinha a relevância da colaboração da comunidade. Em casos de grande repercussão, onde a informação é escassa e as pistas se diluem, o papel da sociedade civil torna-se um pilar fundamental para o trabalho investigativo.
Informações, mesmo que pareçam pequenas, podem ser o elo que falta para a polícia desvendar o paradeiro de Letycia e Sttela, ou para localizar o suspeito foragido. O apelo por dados concretos, como o que auxiliou no desfecho do caso dos cobradores, demonstra que a resolução de crimes complexos muitas vezes passa pela vigilância e pela coragem da população em compartilhar o que sabe, protegendo a identidade do denunciante, se necessário. A esperança das famílias e o compromisso da polícia se mantêm firmes, enquanto o estado aguarda por um desfecho para este mistério.
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Fonte: https://g1.globo.com