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UnB sedia congresso nacional de pesquisadores negros para fortalecer equidade e produção científica

© Marcello Casal jr/Agência Brasil

Brasília se prepara para acolher um dos mais significativos eventos do calendário acadêmico e social brasileiro. Entre os dias 28 e 31 de julho, o campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB) será o palco do 14º Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as), o Copene. Este encontro, que reúne milhares de intelectuais, acadêmicos e estudiosos negros do Brasil e da América Latina, configura-se como um marco para a discussão de temas cruciais sobre equidade racial, justiça social e o valor intrínseco dos saberes afrodiaspóricos.

A escolha da UnB como sede não é aleatória. A instituição federal é reconhecida por seu pioneirismo na adoção de um programa de cotas raciais em 2003, uma iniciativa que precedeu e, de muitas formas, pavimentou o caminho para a Lei de Cotas (Lei 12.711/2012), que hoje garante a todas as 69 universidades federais do país a implementação de políticas afirmativas. Esse histórico confere ao Copene na UnB um simbolismo potente, conectando o avanço na inclusão à celebração da produção intelectual negra.

A Importância do Copene e a Potência da Produção Negra

O Copene, em sua 14ª edição, já se consolidou como um espaço estratégico fundamental. Conforme destacado pelos organizadores, ele cumpre um papel múltiplo: não apenas divulga a vasta produção científica desenvolvida por pesquisadores negros, mas também fortalece redes de pesquisa essenciais para a continuidade e aprofundamento de estudos. Além disso, o congresso é um catalisador para a valorização dos saberes afrodiaspóricos, que por muito tempo foram marginalizados ou invisibilizados na academia, e atua na formulação de propostas concretas para a promoção da equidade racial e da justiça social no país.

A programação do evento reflete essa abrangência e profundidade, com uma agenda recheada de minicursos, oficinas, painéis e mesas redondas. Espera-se também o lançamento de dezenas de livros, um testemunho vibrante da efervescência intelectual e da capacidade produtiva da comunidade acadêmica negra. A organização do congresso é fruto da colaboração entre o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UnB (NEAB/UnB), a Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN) e o Consórcio Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (CONNEABS), entidades que têm desempenhado papel vital na promoção da educação e pesquisa antirracista no Brasil.

O Avanço Incompleto: Cotas Raciais e o Cenário da Pesquisa no Brasil

O cenário da pesquisa e do acesso ao ensino superior no Brasil foi profundamente transformado pelas políticas afirmativas. Dados do Censo Populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam um crescimento notável na proporção de pessoas negras (pretas e pardas) com curso superior. Entre 2000 e 2022, a proporção de pardos com graduação saltou de 2,4% para 12,3%, e a de pretos de 2,1% para 11,7%. Esses números evidenciam o impacto positivo das cotas e de outras ações de inclusão, permitindo que uma parcela maior da população que historicamente esteve à margem do sistema educacional superior pudesse acessá-lo.

Apesar do avanço, a realidade ainda mostra um longo caminho a ser percorrido. As proporções de pessoas negras com curso superior são menos da metade do percentual de pessoas brancas (25,3%) que alcançaram esse nível de escolaridade. No campo da pesquisa, os números seguem a mesma tendência de crescimento, porém com disparidades persistentes. No mesmo período, o percentual de doutores negros no comando de grupos certificados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) subiu de 8,1% para 22,6%. Contudo, essa proporção ainda está distante dos 55,5% que pretos e pardos representam no conjunto total da população brasileira, indicando uma sub-representação nos altos escalões da produção científica nacional, apesar dos cerca de 15 mil pesquisadores negros existentes no país.

Essa lacuna é crítica. Uma comunidade científica que não reflete a diversidade de sua população perde em perspectivas, temas de pesquisa e abordagens metodológicas. A presença de pesquisadores negros é fundamental para que questões sociais e raciais sejam abordadas de forma mais aprofundada e autêntica, impulsionando a produção de conhecimento que dialogue com as complexidades da sociedade brasileira e proponha soluções inovadoras e equitativas.

Diálogos e Desdobramentos para o Futuro

O Copene na UnB não é apenas um evento acadêmico; é um potente fórum de debates que reverberam em toda a sociedade. Ao discutir a produção de conhecimento sob a ótica da negritude e da experiência afrodiaspórica, o congresso contribui para desconstruir narrativas hegemônicas, fortalecer a autoestima e a representatividade de comunidades, e munir a sociedade com ferramentas intelectuais para combater o racismo estrutural. Os resultados dessas discussões têm o potencial de influenciar políticas públicas, currículos educacionais e a própria forma como a ciência é compreendida e praticada no Brasil, construindo um futuro mais inclusivo e justo.

Eventos como o 14º Copene são essenciais para mapear o progresso, identificar os desafios remanescentes e traçar novas estratégias para uma plena equidade. Acompanhar a evolução do acesso de pessoas negras à universidade e à pesquisa é fundamental para Guarapuava e para todo o Brasil. Para se manter atualizado sobre estes e outros temas relevantes que impactam diretamente a nossa realidade, continue acompanhando o Guarapuava no Radar, seu portal de informação que traz contexto e profundidade aos fatos, com o compromisso de oferecer um jornalismo de qualidade e focado na relevância para o leitor.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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