Pela primeira vez na história da Liga das Nações (VNL), a seleção brasileira masculina de vôlei foi eliminada ainda na fase de grupos. O que era impensável para uma das maiores potências mundiais da modalidade, tornou-se realidade neste domingo (19). Apesar da vitória por 3 sets a 0 sobre a China, com parciais de 25/16, 25/20 e 25/21, em Chicago (Estados Unidos), o triunfo não foi suficiente para garantir a classificação do time comandado por Bernardinho para a fase final do torneio, marcando um momento de profunda reflexão sobre o futuro olímpico da equipe.
A queda precoce representa um golpe nas aspirações de um time que, ao longo de décadas, acostumou seus torcedores a finais e pódios. A Liga das Nações, criada em 2018 como sucessora da Liga Mundial, é um torneio anual de grande prestígio, servindo não apenas como vitrine para talentos, mas também como um termômetro crucial para as principais competições, como os Jogos Olímpicos. Para o Brasil, com sua rica história de medalhas e títulos olímpicos e mundiais no vôlei, estar fora das finais é um fato inédito e que repercute na comunidade esportiva nacional, gerando debate e apreensão sobre o nível atual da equipe.
A Campanha Irregular e a Teia da Eliminação
A trajetória brasileira na VNL 2024 foi marcada por uma inconstância que se mostrou fatal. Desde o início da competição, a equipe verde e amarela alternou bons momentos, com vitórias convincentes, com atuações abaixo do esperado, que resultaram em derrotas para adversários que, em outras épocas, seriam considerados superáveis. Essa falta de regularidade impediu que o Brasil consolidasse uma posição confortável na tabela, levando à situação crítica de depender de resultados alheios para avançar na fase de classificação.
A última sexta-feira (17) foi decisiva. Após a derrota para a Polônia, uma das favoritas ao título e atual campeã, o Brasil viu suas chances de classificação para a fase final diminuírem drasticamente. A equipe precisava torcer por um revés da Bulgária contra os Estados Unidos, partida disputada no sábado (18). Contudo, os búlgaros surpreenderam ao vencer por 3 a 1, selando matematicamente a eliminação brasileira antes mesmo de a seleção entrar em quadra contra a China. A vitória sobre os chineses, embora por 3 a 0 e com destaque para o ponteiro Adriano (13 pontos, sendo 3 de saque), o central Flávio (12 pontos) e o oposto Darlan (11 pontos), se tornou uma mera formalidade, sem valor classificatório. O Brasil encerrou sua participação na nona colocação, com 19 pontos, quatro a menos que a Ucrânia, sétima e última classificada para as quartas de final, que somou 23 pontos.
Olhar para o Passado e o Desafio de Bernardinho
A eliminação na fase de grupos é um contraste gritante com o histórico recente do Brasil na VNL e no vôlei mundial. Desde a criação do torneio, a seleção sempre esteve entre os principais contendores, alcançando as semifinais em quase todas as edições, com o ápice sendo o título de 2021. As piores campanhas anteriores haviam sido as eliminações nas quartas de final em 2022, 2023 e 2024, evidenciando uma tendência de resultados aquém do esperado nos últimos anos, especialmente considerando a pressão de estar entre os top 8. Agora, a saída precoce adiciona uma camada de urgência para a equipe técnica e os jogadores.
O retorno de Bernardinho ao comando técnico da seleção, um dos maiores nomes da história do vôlei mundial, gerou uma onda de otimismo e expectativas elevadas. Sua presença era vista como um trunfo para recolocar o Brasil no topo, especialmente com os Jogos Olímpicos de Paris 2024 se aproximando. No entanto, a VNL 2024 serviu como um duro lembrete de que o caminho até a glória olímpica será árduo e exigirá ajustes profundos, tanto táticos quanto de mentalidade. A torcida brasileira, acostumada a ver seus atletas lutarem por medalhas e a comemorar títulos, agora observa com preocupação e questionamentos sobre a condição da equipe.
O Impacto na Preparação Olímpica
Apesar do revés na Liga das Nações, o foco principal da seleção masculina de vôlei permanece nos Jogos de Paris. A eliminação na VNL, embora dolorosa, não tira a equipe da corrida por uma medalha olímpica. Contudo, ela adiciona uma pressão considerável e um senso de urgência. Bernardinho e sua comissão técnica terão o desafio de transformar esta experiência em aprendizado, ajustando a equipe, elevando o nível de performance e, sobretudo, resgatando a confiança do grupo em um curto espaço de tempo. A busca por consistência e a capacidade de decidir em momentos cruciais serão testadas ao limite nos próximos meses de preparação.
É importante lembrar que o regulamento da Liga das Nações de vôlei atribui três pontos para vitórias por 3 sets a 0 ou 3 a 1, e dois pontos ao vencedor (um ao perdedor) em triunfos por 3 a 2. Esse sistema de pontuação intensifica a busca por resultados mais elásticos, o que nem sempre foi alcançado pelo Brasil nesta edição. Curiosamente, a China, que terminou em último lugar na fase de grupos com apenas uma vitória, avança às quartas de final por ser o país-sede, sediando os jogos em Ningbo entre 29 de julho e 2 de agosto. A Polônia, a propósito, é a atual campeã do torneio e segue como uma das grandes potências a serem batidas, demonstrando a alta competitividade do cenário internacional.
A eliminação do Brasil na Liga das Nações é um momento de alerta para o vôlei masculino, mas também uma oportunidade de reagrupamento e reavaliação estratégica. A paixão do brasileiro pelo esporte, presente em cada canto do país, de Guarapuava a qualquer outra cidade, exige respostas e, acima de tudo, a certeza de que a seleção lutará com a garra e a técnica que a tornaram lendária. O Guarapuava no Radar continuará acompanhando de perto os desdobramentos e a preparação da equipe para os Jogos Olímpicos, trazendo informação relevante e contextualizada sobre este e outros temas que moldam o cenário esportivo e social, com o compromisso de manter você sempre bem informado.