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UFF é Palco da Maior Feira Científica da América Latina, Unindo Inovação e Conhecimento Nacional

© Tomaz Silva/Agência Brasil

Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, foi o epicentro da ciência e da inovação na última semana, ao abrigar a ExpoT&C, considerada a maior feira científica da América Latina. Realizada no Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), o evento reuniu 67 expositores de diversos setores – desde universidades e instituições de ensino e pesquisa até agências de fomento, museus e empresas privadas. A feira não apenas expôs o que há de mais recente em pesquisa e tecnologia, mas também funcionou como um ponto de encontro crucial, acontecendo em paralelo à reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), um dos mais importantes fóruns de debate científico do país.

A sinergia entre a ExpoT&C e o encontro da SBPC sublinha a importância de democratizar o acesso ao conhecimento e de fortalecer a conexão entre a comunidade acadêmica e o público em geral. Mais do que uma vitrine de projetos, a feira se estabelece como um catalisador para a inspiração de novas gerações e para a promoção de um diálogo fundamental sobre o papel da ciência no desenvolvimento social e econômico do Brasil.

Vitrines da Inovação: Da Engenharia ao Conhecimento Amazônico

Entre os estandes que capturaram a atenção dos visitantes, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) destacou-se com uma mostra variada de projetos desenvolvidos por seus estudantes de graduação. Raphael Cavalcante, diretor de integração acadêmica e comunicação da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa da UFRJ, enfatizou a aposta da universidade em pesquisas focadas na produção de tecnologia. “Trouxemos uma parte do nosso estande que veio do Museu Nacional e a outra parte da graduação. Aqui, vocês vão encontrar impressora 3D, submarino, foguete, carro, avião”, detalhou Cavalcante, ressaltando a diversidade e o caráter prático das inovações apresentadas.

Um dos pontos altos foi o projeto de aeromodelo do grupo Minerva Aerodesign, formado por estudantes da Escola Politécnica da UFRJ. Arthur Chehab Lasmar, aluno de engenharia elétrica, explicou o desafio de sua equipe: criar um avião mais leve, capaz de transportar uma carga significativamente maior. Com apenas 4,5 kg, o protótipo consegue levar entre 9 e 10 kg, um feito impressionante que ilustra o potencial da engenharia brasileira. “Empresas constroem esse tipo de avião para transporte de carga e para visualização na área da agropecuária”, explicou Arthur, evidenciando as aplicações reais de suas pesquisas e o orgulho de apresentar um projeto concebido do zero.

A Ciência para Além dos Grandes Centros

A ExpoT&C também abriu espaço para a ciência produzida em diferentes e cruciais territórios do Brasil. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), uma das mais antigas e respeitadas instituições de ciência e tecnologia do país, com 74 anos de história, marcou presença. Henrique dos Santos Pereira, diretor do Inpa, sublinhou a relevância do instituto como referência global em ciências tropicais. “Participar de um evento nacional ajuda a divulgar o trabalho do Inpa, que contribui para uma compreensão maior da sociedade das questões relativas à conservação da biodiversidade da Amazônia”, afirmou, conectando a pesquisa local a desafios globais.

Jorge Luiz Ramos Lobato, coordenador do Bosque da Ciência do Inpa, complementou, destacando a importância de um espaço como a feira para a divulgação dos programas de pós-graduação do instituto. “É uma oportunidade de a gente dialogar com a comunidade acadêmica. Isso pode ajudar a despertar o interesse dos estudantes a querer se interiorizar na Amazônia”, observou. Essa iniciativa não apenas promove a pesquisa amazônica, mas também estimula novos talentos a se dedicarem à preservação e ao estudo de um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta, reforçando a urgência da agenda ambiental no cenário científico nacional.

O Impacto da Feira na Sociedade e os Desafios da Ciência Nacional

A ExpoT&C, em conjunto com a SBPC, vai além da simples exposição. Ela representa um importante elo na corrente de popularização da ciência e no incentivo à formação de novos pesquisadores. A fala de Raphael Cavalcante, da UFRJ, sobre a clareza de que “ciência se faz desde pequeno”, ecoa a necessidade de desmistificar a pesquisa, tornando-a acessível e atraente para crianças e jovens, que são o futuro da inovação no país. Em um cenário onde o investimento em ciência e tecnologia é constantemente debatido, eventos como este são cruciais para mostrar à sociedade o valor e o retorno do capital aplicado na pesquisa.

A presença de instituições de fomento, museus e empresas privadas ao lado das universidades também demonstra a articulação necessária entre diferentes setores para impulsionar o ecossistema de inovação. É um lembrete de que a ciência não opera em vácuo, mas se beneficia e contribui para um complexo sistema de desenvolvimento que abrange desde a pesquisa básica até a aplicação industrial e o impacto social, elementos vitais para a soberania tecnológica e intelectual do Brasil.

A realização da maior feira científica da América Latina na UFF, em Niterói, portanto, não é apenas um evento pontual. É um reflexo do dinamismo e da capacidade de produção científica do Brasil, mesmo diante de desafios. A ExpoT&C e a SBPC se consolidam como plataformas essenciais para o debate, a exibição de talentos e a projeção de um futuro onde a ciência e a tecnologia são pilares para a construção de uma sociedade mais informada, inovadora e sustentável.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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