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‘Vi o acidente, mas sem pensar que era o meu colega’: O drama pessoal por trás da tragédia com 23 mortos na BR-373, em Ipiranga

G1

A manhã da última quarta-feira (19) amanheceu com a brutal notícia de um dos acidentes mais graves dos últimos anos no Paraná. Na BR-373, em Ipiranga, Campos Gerais, uma colisão frontal entre um micro-ônibus e uma carreta ceifou a vida de 23 pessoas, incluindo duas crianças. A tragédia, que já mobilizava equipes de resgate e as autoridades estaduais, ganhou contornos ainda mais dramáticos com o relato de Amauri Gaspar de Andrade, um motorista que, por uma dolorosa coincidência, passou pelo local da batida sem saber que ali jazia seu amigo e colega de profissão, Erick Wiertel, e o veículo que ele próprio dirigiu por anos.

O depoimento de Amauri, dado com a voz embargada pela dor e a incredulidade, lança luz sobre a dimensão humana de uma catástrofe que chocou o estado. Ele, que também atuava como motorista da Secretaria de Saúde de Imbituva, como Erick, viu de perto a cena do horror, mas a gravidade do cenário o impediu de identificar o veículo ou as vítimas de imediato. “Cheguei poucos minutos antes, quando vi o acidente, mas sem pensar que era o colega, o ônibus nosso, inclusive o ônibus em que eu trabalhava também”, descreveu. A urgência de transportar seu próprio paciente o fez desviar, seguindo em frente, para só horas depois receber a notícia que transformaria seu mundo: Erick era uma das vítimas fatais.

A Cena da Tragédia e as Vítimas

A colisão aconteceu por volta das 3h30 da madrugada, no quilômetro 209 da BR-373, um trecho de pista simples que se tornou palco de um cenário devastador. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que a carreta, emplacada em Erechim (RS) e conduzida por um motorista de Castro (PR) que viajava sem carga, teria invadido a pista contrária, chocando-se de frente com o micro-ônibus. Este último, pertencente à Secretaria de Saúde de Imbituva, levava pacientes do interior para hospitais na Grande Curitiba, uma rota diária e essencial para a população que busca tratamento médico especializado.

Das 23 vidas perdidas, 21 eram adultos e duas, crianças. A maioria estava no micro-ônibus. O condutor da carreta também não resistiu. O impacto da batida foi tão severo que resultou na interdição total da rodovia por aproximadamente sete horas, exigindo um grande esforço das equipes de resgate do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Entre os poucos sobreviventes, três foram socorridos em estado grave e dois com ferimentos moderados, todos encaminhados para atendimento médico em Ponta Grossa.

O Luto de Imbituva e o Perfil de Erick

A pequena Imbituva, município do interior paranaense, foi diretamente atingida pela tragédia. O velório coletivo das vítimas é um reflexo do tamanho da perda para a comunidade, que viaja junto, se conhece e compartilha a rotina de deslocamento para tratamento de saúde. Erick Wiertel, o motorista do micro-ônibus, era, segundo Amauri, uma figura querida e essencial nesse cotidiano. “Sabe quando parece um irmão? Enquanto a gente trabalhou junto, ele nunca reclamou de nada, estava sempre alegre, sempre disposto para ajudar a qualquer coisa. Uma pessoa querida por todo mundo”, relembrou Amauri, pintando o retrato de um homem trabalhador, dedicado à família e de espírito companheiro.

A morte de Erick, assim como a das outras vítimas, representa não apenas a perda individual, mas a interrupção de laços sociais e familiares em uma cidade onde todos se conhecem e dependem uns dos outros. A dor se espalha pelas casas, pelos vizinhos, pelos colegas de trabalho, criando uma ferida profunda na teia social de Imbituva e região.

Repercussão e Desdobramentos da Investigação

Diante da magnitude do acidente, o Governo do Paraná decretou luto oficial de três dias, uma medida que expressa a solidariedade e o reconhecimento da gravidade do ocorrido. A PRF classificou o episódio como o mais grave registrado no estado desde 2021, ressaltando a urgência de análises e reflexões sobre a segurança viária nas rodovias paranaenses. As circunstâncias exatas da batida ainda estão sob investigação. A Polícia Científica do Paraná enviou equipes para realizar a perícia no local e nos corpos das vítimas, cujo processo de identificação é complexo e doloroso, sendo feito na sede da instituição em Ponta Grossa.

Este trágico evento reacende o debate sobre a segurança em trechos de pista simples, a manutenção das estradas e a importância de políticas eficazes de fiscalização. A BR-373, como muitas outras rodovias que cortam o interior do Paraná, é vital para o escoamento de produção e o deslocamento de pessoas, mas também exige atenção constante para evitar que novos dramas como este se repitam. A vulnerabilidade dos pacientes em transporte de saúde, muitas vezes em viagens longas e cansativas, também é um ponto que merece reflexão aprofundada.

A tragédia de Ipiranga é um lembrete sombrio da fragilidade da vida e da complexidade da segurança no trânsito. O Guarapuava no Radar segue acompanhando de perto os desdobramentos desta dolorosa ocorrência, as investigações e o impacto nas comunidades do Paraná. Para manter-se informado sobre este e outros temas relevantes que afetam a nossa região e o estado, continue navegando em nosso portal, que se compromete a trazer informação relevante, atual e contextualizada para você.

Fonte: https://g1.globo.com

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