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Achados arqueológicos revelam história de quase dois séculos em obras de rodovia no Paraná

Achados arqueológicos revelam história de quase dois séculos em obras de rodovia no Paraná
No total, cinco sítios arqueológicos foram encontrados ao longo das obras da BR-153. Os fragmentos estão em quatro deles — nos km 7, 22 e 23 Cinco sítios arqueológicos são identificados em obra de duplicação da BR-153

Fragmentos de porcelanas, louças e vidros, alguns com idade estimada em quase 200 anos, foram descobertos durante as obras de duplicação da BR-153, no trecho que conecta Jacarezinho a Santo Antônio da Platina, no Norte do Paraná. As descobertas, que incluem peças datadas de 1860, oferecem um vislumbre fascinante da história de deslocamento e ocupação humana na região.

Os achados são resultado de um minucioso trabalho de salvamento arqueológico, que acompanha a expansão da infraestrutura rodoviária. A presença desses objetos sugere que o local era uma rota de passagem significativa para viajantes e moradores de fazendas, especialmente aqueles ligados ao ciclo do café no estado de São Paulo e, posteriormente, no próprio Paraná.

Descobertas valiosas ao longo da BR-153

As peças, que incluem fragmentos de louças, vidros e porcelanas, foram localizadas em quatro dos cinco sítios arqueológicos identificados até o momento. Esses pontos estão situados nos quilômetros 7, 22 e 23 da rodovia, indicando uma distribuição que pode revelar padrões de uso do território ao longo do tempo.

De acordo com o arqueólogo Filipe Coelho, coordenador do projeto de salvamento arqueológico da concessionária EPR Litoral Pioneiro, a datação de 1860 para algumas das peças é crucial. Esse período coincide com um intenso movimento de pessoas e mercadorias, marcando a expansão das fronteiras econômicas e sociais do Brasil.

O legado do café e as rotas históricas

A suspeita é que o trecho da BR-153 onde os achados foram feitos servia como uma rota para charretes de viajantes. Essas pessoas se dirigiam a áreas de plantio de café no estado de São Paulo, e posteriormente, para as novas fronteiras agrícolas do Norte do Paraná.

Entre o final do século XIX e o início do século XX, a chegada de cafeicultores paulistas ao Norte do Paraná impulsionou a implantação da cultura do café na região. Esse período, que se estendeu até meados da década de 1970, transformou o Paraná em um dos maiores produtores mundiais, chegando a ser responsável por cerca de 51% do café produzido globalmente nos anos 1960. Os objetos encontrados podem, portanto, ser testemunhos materiais dessa efervescência econômica e migratória.

Acompanhamento arqueológico e preservação do patrimônio

A identificação desses sítios arqueológicos foi possível graças ao acompanhamento contínuo exigido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O órgão classificou a rodovia em nível 3 de sensibilidade arqueológica, demandando a presença de uma equipe de arqueólogos durante toda a implantação da obra de duplicação.

Cassia Padilha, coordenadora de sustentabilidade da concessionária, explicou a importância desse monitoramento. Embora as obras da BR-153 não tenham sido paralisadas, o trabalho nos pontos específicos dos sítios se concentra no resgate cuidadoso dos materiais, garantindo a preservação do patrimônio histórico.

Após a retirada e uma primeira análise em campo, o material será encaminhado para a Universidade Estadual de Maringá (UEM). Lá, as peças passarão por um processo detalhado de triagem, limpeza e, na sequência, serão tombadas. Essa etapa é fundamental para aprofundar a pesquisa e a definição exata do período a que pertenciam, colaborando significativamente com o conhecimento sobre a ocupação humana na região.

O mistério da Pedra Criminosa

Além dos fragmentos de louças e porcelanas, um quinto sítio arqueológico foi identificado na Pedra Criminosa, uma formação rochosa às margens da BR-153, em Jacarezinho. Neste local, os arqueólogos localizaram grafismos, que são atualmente objeto de análises e estudos aprofundados.

Ainda não foram divulgados detalhes sobre o contexto ou a história por trás dessas marcações nas pedras, mas a descoberta abre novas frentes de investigação sobre as práticas culturais e simbólicas dos povos que habitaram a área. O Iphan desempenha um papel fundamental na proteção e estudo desses bens, garantindo que tais achados contribuam para a memória coletiva.

As descobertas na BR-153 reforçam a importância de integrar a pesquisa arqueológica aos grandes projetos de infraestrutura, transformando canteiros de obras em verdadeiros laboratórios de história. Para continuar acompanhando as mais recentes e relevantes informações sobre o Paraná e o Brasil, com análises aprofundadas e contexto preciso, mantenha-se conectado ao Guarapuava no Radar, seu portal de notícias que valoriza a informação de qualidade.

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