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Acidentes com rede elétrica crescem no Brasil e acendem alerta para segurança pública

© Marcello Casal JrAgência Brasil

O Brasil registrou um aumento preocupante no número total de acidentes envolvendo a rede elétrica em 2025, consolidando uma tendência que acende um alerta sobre a segurança da população e dos trabalhadores em todo o território nacional. Dados divulgados recentemente pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) revelam que o total de ocorrências subiu de 685 casos em 2024 para 703 em 2025. Embora o número de óbitos tenha apresentado uma leve redução, passando de 257 para 252 no mesmo período, a persistência e o crescimento dos incidentes reforçam a necessidade de atenção redobrada e a promoção de uma cultura de segurança mais robusta.

Esses números não são meras estatísticas; eles representam vidas impactadas, famílias em sofrimento e um custo social e econômico significativo. A cada acidente, há uma história de descuido, uma intervenção inadequada ou um risco subestimado, que se traduz em lesões graves, sequelas permanentes ou, na pior das hipóteses, mortes. O cenário exige uma análise aprofundada das causas e a intensificação das medidas preventivas, envolvendo desde as concessionárias de energia até o cidadão comum.

Construção Civil e Equipamentos: Os Maiores Vilões

A pesquisa da Abradee aponta a construção civil como a atividade de maior risco, liderando o ranking de acidentes no país. Em 2025, foram 227 incidentes diretamente relacionados a obras, reformas e serviços de manutenção predial, resultando em 68 mortes. Esse dado sublinha os perigos inerentes a trabalhos realizados sem o devido planejamento ou por profissionais sem a qualificação e os equipamentos de segurança adequados, muitas vezes em situações informais ou de autoempreendimento. A complexidade de manusear materiais e equipamentos próximos à fiação, aliada à pressa e à falta de conhecimento técnico, cria um ambiente propício para tragédias.

Além da construção civil, outro setor que demandou atenção foi o de operação de equipamentos de grande porte nas proximidades da rede elétrica. Máquinas agrícolas e guindastes, essenciais para diversas atividades econômicas, estiveram envolvidos em 66 registros de acidentes em 2025, quase o dobro do observado no ano anterior. Esse salto impressionante sugere que o avanço tecnológico e a intensificação de trabalhos que dependem desses equipamentos não estão sendo acompanhados por um reforço equivalente nas práticas de segurança e na conscientização dos operadores.

As Faces da Distração e da Irregularidade

Cristina Garambone, diretora de Comunicação e Sustentabilidade da Abradee, destacou em entrevista que muitos dos acidentes, especialmente aqueles com desfecho fatal, ocorrem em momentos de distração ou quando as pessoas tentam “dar um jeitinho” para resolver problemas sem o auxílio de profissionais habilitados. Este comportamento, presente tanto em obras informais quanto em tarefas domésticas, revela uma subestimação generalizada dos riscos da eletricidade, que exige conhecimento técnico e respeito às normas para ser manuseada com segurança.

As ligações clandestinas, popularmente conhecidas como “gatos” ou “macacos”, representam outra grave preocupação. Em 2025, 30 ocorrências e 15 mortes foram atribuídas diretamente a essas conexões irregulares. Além de sobrecarregarem o sistema e causarem perdas financeiras para as distribuidoras, as ligações clandestinas são extremamente perigosas, sendo realizadas sem qualquer critério técnico e expondo não apenas quem as faz, mas também vizinhos e transeuntes, a choques e curtos-circuitos.

O Cenário Regional e a Luta Contra as Lesões Graves

A distribuição dos acidentes pelo país revela particularidades regionais, mas com um denominador comum: a necessidade de segurança. O Sudeste concentrou o maior número de ocorrências em 2025, com 243 casos, 78 mortes, 91 lesões graves e 74 lesões leves. Essa predominância pode ser atribuída à densidade populacional, à intensa atividade econômica e ao grande volume de obras e reformas na região, mantendo a construção civil como principal fator de risco.

No Nordeste, foram 187 acidentes e 67 mortes, enquanto a região Norte registrou 122 ocorrências e 50 fatalidades, muitas delas associadas a atividades próximas à rede e intervenções irregulares. O Sul, com 81 acidentes e 31 mortes, manteve a construção e manutenção predial entre os principais fatores. Já no Centro-Oeste, que teve 70 acidentes e 26 mortes, o destaque foi para as operações com equipamentos e obras. Esses dados demonstram que os riscos são multifacetados e exigem estratégias de prevenção adaptadas a cada contexto.

Apesar da ligeira queda nos óbitos, a diretora da Abradee chamou a atenção para o alarmante número de lesões graves – 241 casos, incluindo mutilações – e 210 lesões leves. Isso indica que, mesmo quando o incidente não é fatal, as consequências para a vítima e sua família podem ser devastadoras, com impactos duradouros na saúde e na qualidade de vida. A meta de “zero acidente” expressa pela Abradee reflete a urgência em transformar essa realidade.

Segurança Coletiva: O Desafio de Mudar uma Cultura

A segurança com a rede elétrica, como ressalta Cristina Garambone, é uma responsabilidade compartilhada. Não se trata apenas da atuação das distribuidoras, mas também da adesão de empresas, profissionais e da própria população. É um desafio que transcende a esfera técnica, exigindo uma mudança cultural profunda, baseada na informação, na conscientização e no respeito às normas de segurança. Para atingir a meta de reduzir significativamente esses números, é preciso que todos os elos da sociedade compreendam os riscos e adotem comportamentos preventivos.

Nesse sentido, a Abradee tem um papel fundamental, promovendo este ano a 20ª Campanha Nacional de Segurança com a Rede Elétrica. A iniciativa, que envolve as 42 distribuidoras associadas – responsáveis por levar energia a 99,8% da população brasileira – tem como tema “Energia liga. Segurança protege” e busca conscientizar sobre situações de risco. Com a intensificação da divulgação no “Agosto Vermelho”, a campanha visa solidificar a mensagem de que a eletricidade, embora essencial para a vida moderna, exige cuidado e respeito em todas as suas interações, seja em casa, no trabalho ou em espaços públicos.

Manter-se informado sobre os perigos da rede elétrica e as melhores práticas de segurança é um passo crucial para proteger a si e àqueles ao seu redor. Continue acompanhando o Guarapuava no Radar para mais informações relevantes, análises aprofundadas e notícias que impactam sua vida e a comunidade. Nosso compromisso é levar a você conteúdo de qualidade, atualizado e contextualizado, para que a informação seja sempre uma ferramenta a serviço da sua segurança e bem-estar.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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