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Acolhimento além da medicina: equipe de saúde leva ‘festa julina’ a paciente em cuidados paliativos em Ponta Grossa

G1

Em um gesto que transcende a rotina hospitalar e a frieza dos procedimentos, uma equipe de profissionais de saúde de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, protagonizou um momento de profunda humanidade e acolhimento. Eles transformaram a casa de um paciente de 58 anos, em cuidados paliativos devido a um câncer de pulmão, em um palco de festa julina, levando alegria e esperança onde a doença muitas vezes impõe o isolamento. A iniciativa, que rapidamente se tornou viral nas redes sociais, reacende o debate sobre a importância do cuidado holístico e da empatia na jornada de pacientes com enfermidades graves.

O episódio, registrado em vídeo na última sexta-feira (10), mostra a chegada da equipe à residência do paciente com trajes típicos, danças e uma variedade de comidas tradicionais juninas e julinas. O homem, que enfrenta a doença há cinco anos e necessita de oxigênio de alto fluxo, emocionou-se profundamente ao receber a surpresa, expressando sua gratidão pelo carinho e respeito. Esse tipo de ação, embora aparentemente simples, sublinha uma abordagem de saúde que vai além da administração de medicamentos, focando na dignidade e na qualidade de vida do indivíduo em seu contexto social e emocional.

A Força da Empatia no Cuidado Paliativo

A motivação para a festa partiu de uma conversa informal do paciente com a psico-oncologista Giovanna Macedo Fipke, um dos membros da equipe. Ele havia comentado sobre sua frustração em não poder participar de uma festa de família devido à sua condição de saúde e à restrição de mobilidade imposta pelo uso contínuo de oxigênio. Esse detalhe foi o gatilho para as profissionais – que incluíram também Bruna Carolina Paulak Gonçalves e Gabriela Alves Melo Costa (assistentes sociais), Gabriella Stenqueviz (nutricionista) e Priscila Woiciechowski (enfermeira oncológica) – organizarem o evento surpresa, usando o próprio horário de almoço e recursos pessoais.

O caso ilustra de forma contundente a essência dos cuidados paliativos, uma área da medicina que busca melhorar a qualidade de vida de pacientes e seus familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida. Diferentemente do que muitos podem pensar, cuidados paliativos não se limitam ao fim da vida, mas buscam aliviar o sofrimento em todas as suas dimensões — física, psicológica, social e espiritual — desde o diagnóstico de uma doença grave. A ação dos profissionais de Ponta Grossa é um exemplo vivo de como essa filosofia pode ser aplicada, transformando a experiência do paciente e sua família.

Repercussão e o Papel Humanizador da Saúde

O vídeo da festa julina rapidamente conquistou a internet, acumulando centenas de milhares de visualizações. A repercussão nas redes sociais não apenas amplificou o alcance do gesto, mas também gerou uma onda de comentários e compartilhamentos, evidenciando a carência por histórias que resgatem a humanidade nas relações de cuidado. Em um cenário onde a saúde frequentemente é associada a dor, burocracia e, por vezes, impessoalidade, iniciativas como essa reforçam a percepção de que a verdadeira cura, ou ao menos o alívio do sofrimento, passa também pelo afeto e pela atenção individualizada.

A psicóloga Giovanna Fipke destacou em suas redes sociais que, na oncologia, “o cuidado deve ir além dos procedimentos”, ressaltando que “às vezes, o que mais toca é a presença, o tempo compartilhado, o gesto simples que acolhe”. Essa visão é corroborada pela assistente social Bruna Carolina Paulak Gonçalves, que descreveu o momento como algo que deu sentido à sua profissão, afirmando que “cuidar também é estar ao lado do outro nos momentos em que ele mais precisa”. Estas falas não são apenas reflexões pessoais, mas pilares que sustentam a prática da humanização na saúde, defendendo que o paciente é, antes de tudo, um ser humano com uma história, desejos e sentimentos.

Um Chamado à Reflexão sobre o Cuidado no Paraná e no Brasil

Este evento em Ponta Grossa serve como um poderoso lembrete da importância de uma abordagem integral na saúde, especialmente em um contexto de aumento da prevalência de doenças crônicas e graves. No Paraná e em todo o Brasil, a discussão sobre a qualidade e a humanização dos cuidados paliativos tem ganhado força, mas ainda há um longo caminho a percorrer em termos de acesso e conscientização. Iniciativas como a da equipe de Ponta Grossa não apenas trazem um respiro de alegria para quem mais precisa, mas também inspiram outros profissionais e gestores a repensar e aprimorar as práticas de cuidado.

A ação das profissionais de saúde reforça que a compaixão e a criatividade são ferramentas tão poderosas quanto qualquer medicamento. Ao levarem a festa julina para a casa do paciente, elas não entregaram apenas pipoca e quentão, mas uma dose essencial de dignidade, pertencimento e amor, mostrando que o cuidado pode e deve ser uma celebração da vida, mesmo diante de seus desafios mais árduos.

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Fonte: https://g1.globo.com

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