Após 103 dias de angústia e incerteza, o agricultor Almir Brum, de 32 anos, filho de brasileiros e com raízes no Paraná, finalmente foi encontrado no Paraguai e agora vive sob forte esquema de proteção policial. Sua história, que mobilizou autoridades e famílias em ambos os países, ganha novos contornos com a revelação de que um grupo criminoso está sendo ativamente investigado como responsável pelo seu desaparecimento.
O reencontro com a liberdade, confirmado nesta semana, não encerra o capítulo de perigo para Brum. Vinte policiais paraguaios são responsáveis pela sua escolta, evidenciando a gravidade da ameaça e a persistência da busca pelos sequestradores. Este nível de segurança sublinha a seriedade com que as autoridades do Paraguai, incluindo o próprio presidente, encaram o caso, que se desenrola em uma região conhecida pela complexidade de sua segurança.
A Saga de uma Fuga e o Resgate
Almir Brum desapareceu no dia 20 de fevereiro, enquanto trabalhava no campo, no Departamento de Caaguazú, a aproximadamente 150 quilômetros da fronteira brasileira. Sua colheitadeira foi encontrada ligada, com o celular no interior da máquina, e um panfleto deixado no local faria referência a um grupo considerado terrorista no Paraguai, indicando de imediato a natureza criminosa do sumiço.
O alívio veio com a notícia de que Almir conseguiu escapar dos criminosos por conta própria. Segundo relato de seu irmão, Walter Brum, o agricultor passou dias vagando por uma densa área de mata, desorientado, até conseguir avisar a família. “Ele escapou no dia 1 de junho. Estava andando no mato sem saber onde estava. Na quinta (6), conseguiu avisar e fomos buscar ele”, detalhou Walter, descrevendo a jornada desafiadora do irmão. Almir foi localizado nas proximidades da reserva florestal de Marina Cue, na região de Curuguaty, Departamento de Canindeyú, próximo a Campo Aguae, no quilômetro 21. A família celebrou o retorno, classificando-o como um “milagre”.
Mobilização de Alto Nível e Contexto Regional
Desde o primeiro momento, o desaparecimento de Almir Brum gerou uma resposta imediata e coordenada das mais altas esferas do governo paraguaio. Um decreto do presidente Santiago Peña determinou a mobilização conjunta da Polícia Nacional e das Forças Armadas nas buscas. A preocupação com a vida do agricultor foi uma prioridade constante, conforme afirmou o ministro da Defesa do Paraguai, Óscar González. “Essa foi sempre a preocupação do senhor presidente, fazer tudo o que precisa ser feito para buscar o Almir, mas sem colocar a vida dele em perigo”, declarou González, reforçando o cuidado nas operações.
A região onde Almir desapareceu e foi encontrado – Caaguazú e Canindeyú – é estrategicamente sensível. Próximas à fronteira com o Brasil, essas áreas são historicamente rotas de atividades ilícitas como o tráfico de drogas, contrabando e, infelizmente, palco para a atuação de grupos criminosos organizados, incluindo aqueles ligados a conflitos agrários ou com pautas ideológicas disfarçadas de terrorismo. A presença de agricultores brasileiros, muitas vezes proprietários de terras ou trabalhadores em grandes propriedades, os torna alvos potenciais para extorsão ou sequestro, intensificando a necessidade de cooperação transnacional para a segurança.
Investigação em Andamento e Desdobramentos Futuros
Apesar do reencontro com a família, a história de Almir Brum ainda está longe de um desfecho. As autoridades paraguaias prosseguem com a investigação para desvendar todos os detalhes do cativeiro e identificar os responsáveis pelo crime. A principal linha de apuração é de que o agricultor foi vítima de sequestro por um grupo armado, e a proteção ostensiva a Brum sugere que os criminosos permanecem ativos e representam uma ameaça real. O presidente Santiago Peña também assegurou que as medidas de proteção a Almir serão mantidas enquanto as investigações avançam.
O caso de Almir Brum lança luz sobre os desafios de segurança enfrentados nas regiões de fronteira e a vulnerabilidade de cidadãos em cenários de conflitos e criminalidade organizada. A cooperação entre as forças policiais de Brasil e Paraguai é crucial não apenas para a resolução deste caso específico, mas para garantir a segurança de todos os que vivem e trabalham nessas áreas conurbadas e de alta circulação. O desdobramento das investigações é aguardado com expectativa, na esperança de que os culpados sejam levados à justiça e que mais informações sobre o período de cativeiro de Almir venham à tona.
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Fonte: https://g1.globo.com