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Camex prorroga imposto sobre exportação de petróleo mesmo após decisão judicial

Camex prorroga imposto sobre exportação de petróleo mesmo após decisão judicial
Saulo Cruz / MME

Em uma decisão que mantém o cenário de incerteza para o setor energético, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) anunciou a prorrogação, por mais 60 dias, da alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo bruto e minerais betuminosos. A medida entra em vigor a partir de 8 de setembro, data em que expira o prazo da resolução anterior, mantendo a pressão tributária sobre as empresas exportadoras.

O movimento do governo federal ocorre em um momento de embate jurídico. No mesmo dia da deliberação da Camex, a Justiça Federal concedeu uma liminar suspendendo a cobrança do tributo, atendendo a um pedido da Associação Brasileira de Empresas de Exploração e de Produção de Petróleo e Gás (Abep). O conflito coloca em lados opostos a estratégia de arrecadação do Executivo e a interpretação das empresas sobre a legalidade da cobrança após a caducidade da medida provisória original.

O histórico da tributação e a disputa judicial

A taxação sobre o petróleo foi instituída originalmente em março, por meio de uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo central era compensar a redução de tributos federais sobre o diesel, uma estratégia desenhada para mitigar os impactos da alta internacional dos combustíveis, agravada pelo conflito militar no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã, que desestabilizou rotas comerciais e encareceu o barril de petróleo globalmente.

Após 120 dias, a medida perdeu a validade sem ser convertida em lei pelo Congresso Nacional. Contudo, o governo optou por manter a cobrança via ato administrativo da Camex. A Abep argumenta que essa manobra contorna a decisão do Legislativo. Em sua decisão, o juiz Diego Câmara, da 17ª Vara Federal de Brasília, acolheu o argumento das empresas e determinou a suspensão da cobrança, embora tenha negado, neste momento, a restituição de valores já pagos pelas companhias desde julho.

Ajustes na política comercial e medidas antidumping

Além da polêmica sobre o petróleo, a reunião do Gecex-Camex trouxe atualizações importantes para a balança comercial brasileira. O colegiado aprovou medidas definitivas de antidumping para proteger a indústria nacional contra a concorrência considerada desleal. Entre os itens afetados estão resinas PET da Malásia e do Vietnã, além de tubos de aço carbono oriundos da Ucrânia.

O comitê também aplicou uma medida provisória antidumping contra fibras de vidro da China e do Egito. Essas ações visam coibir a prática de dumping, quando produtos estrangeiros são vendidos no mercado doméstico a preços artificialmente baixos, prejudicando a produção local. Paralelamente, o governo renovou por 12 meses a elevação tarifária para 28 produtos do setor químico, buscando fortalecer a competitividade interna.

Desoneração de bens de capital e tecnologia

Nem todas as decisões da Camex focaram em aumento de carga tributária. O comitê aprovou a inclusão de 553 novos itens na lista de ex-tarifários, abrangendo Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT). Essa medida zera o imposto de importação para equipamentos que não possuem similares produzidos no Brasil, facilitando a modernização tecnológica e o investimento produtivo no país.

O cenário permanece em aberto, com o setor produtivo aguardando novos desdobramentos na esfera judicial e a resposta do governo diante da liminar. O Guarapuava no Radar segue acompanhando os impactos dessas decisões na economia nacional e como elas reverberam nos setores produtivos. Continue acompanhando nosso portal para informações atualizadas, análises aprofundadas e o contexto completo dos fatos que movimentam o Brasil.

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