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Centenário de Milton Santos: Lula Homenageia o Geógrafo que Desvendou as Desigualdades da Globalização

© Acervo Milton Santos/Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou suas redes sociais neste domingo (3) para lembrar e celebrar o centenário de nascimento de Milton Santos, um dos mais influentes geógrafos brasileiros, cujo legado intelectual transcendeu as fronteiras nacionais. A homenagem presidencial destaca a perene relevância do pensamento de Santos, especialmente em um cenário global marcado por complexas transformações geopolíticas e sociais, um tema central em sua obra.

Em sua mensagem, Lula ressaltou a capacidade singular de Milton Santos em decifrar as dinâmicas sociais e econômicas do Brasil e do mundo. “Sua obra é referência para entendermos as desigualdades da globalização e os potenciais de transformação que vêm das periferias. Pouca gente conseguiu compreender o Brasil como este intelectual baiano que, não por acaso, é considerado um dos mais importantes geógrafos de nosso país – e de todo mundo”, afirmou o presidente, sublinhando a visão crítica do geógrafo em relação aos processos globalizantes.

Milton Santos: Um Mestre da Geografia Crítica

Nascido em Brotas de Macaúbas, Bahia, em 1926, Milton Santos foi muito além do academicismo tradicional. Sua trajetória, marcada pelo exílio durante a ditadura militar e pelo retorno triunfal ao Brasil, é um testemunho de sua resiliência e de seu compromisso inabalável com a análise crítica da realidade. Formado em Direito e doutor em Geografia Humana pela Universidade de Estrasburgo, Santos desenvolveu uma vasta produção intelectual que o tornou referência global, especialmente por sua contribuição para a geografia crítica e para o estudo do espaço geográfico como produto e produtor das relações sociais.

Como um intelectual negro, sua perspectiva sobre o Brasil e o mundo era profundamente enraizada nas vivências das periferias e nas estruturas de desigualdade, oferecendo uma contrapalavra potente aos discursos hegemônicos. Suas teorias não apenas descreveram a realidade, mas também propuseram caminhos para compreendê-la e transformá-la, enfatizando o potencial de agência das populações marginalizadas.

A Globalização Perversa e a Busca por uma Consciência Universal

Um dos pilares do pensamento de Milton Santos é sua análise da globalização, detalhada em obras como “Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal”, publicada no ano 2000. Para o geógrafo, a globalização, embora vendida como uma promessa de integração e progresso homogêneo, na prática, aprofunda as desigualdades e as diferenças locais. Ele a descreveu como “perversa”, um sistema que, sob o verniz da uniformidade, acentua a fragmentação e a exclusão.

“Um mercado avassalador dito global é apresentado como capaz de homogeneizar o planeta quando, na verdade, as diferenças locais são aprofundadas. Há uma busca de uniformidade, ao serviço de atores hegemônicos, mas o mundo se torna menos unido, tornando mais distante o sonho de uma cidadania verdadeiramente universal”, escreveu Santos. Essa visão questiona a narrativa dominante, revelando como a globalização pode ser uma ferramenta de reprodução de privilégios e aprofundamento das disparidades entre o centro e a periferia, entre países e até mesmo dentro das cidades.

Legado e Atualidade do Pensamento de Santos

Falecido em 2001, aos 75 anos, a obra de Milton Santos mantém uma surpreendente atualidade, sendo constantemente revisitada para a compreensão de fenômenos contemporâneos. Suas ideias sobre o espaço, a urbanização, a técnica e a informação são aplicadas em pesquisas que abordam desde as dinâmicas urbanas em Gana, na África, até análises sobre metrópoles europeias como Londres e Paris. Isso demonstra a universalidade de seus conceitos e sua capacidade de dialogar com diferentes contextos geográficos e sociais.

O presidente Lula, ao frisar a “extrema atualidade” e a “necessidade” da obra de Santos em tempos de grandes mudanças geopolíticas, reforça que o arcabouço teórico do geógrafo oferece lentes indispensáveis para desvendar as crises e os desafios do século XXI. Suas análises sobre a financeirização da economia, a precarização do trabalho e o papel da tecnologia na reorganização do espaço são mais pertinentes do que nunca, ajudando a iluminar os caminhos para uma sociedade mais justa e equitativa.

A homenagem a Milton Santos não se restringe à esfera política. Diversas iniciativas culturais, como mostras no Itaú Cultural, em São Paulo, e debates acadêmicos contínuos, celebram seu legado, reafirmando seu status como um dos mais importantes pensadores do Brasil. O reconhecimento de Santos como um geógrafo negro que teorizou sobre desigualdades de forma tão profunda ressoa fortemente em um país que ainda luta para reconhecer e valorizar a intelectualidade de sua população afrodescendente.

Para o Guarapuava no Radar, acompanhar e contextualizar homenagens a figuras como Milton Santos é fundamental. Sua obra nos convida a uma reflexão mais profunda sobre o papel da geografia não apenas como ciência descritiva, mas como uma ferramenta poderosa para a crítica social e a busca por um mundo menos desigual. Continue conosco para se manter informado sobre temas relevantes que impactam a sociedade, sempre com a análise aprofundada e o compromisso com a informação de qualidade que você encontra em nosso portal.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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