Uma cirurgia de artroplastia no joelho de uma idosa de 72 anos em Curitiba, capital do Paraná, tomou um rumo inesperado e preocupante, resultando na operação do membro errado. O caso, que veio à tona após o relato da filha da paciente nas redes sociais, expõe não apenas o erro médico, mas também uma grave denúncia de tentativa de responsabilização da própria paciente, que estaria sob efeito de sedativos no momento do procedimento.
Marilda da Silva, a paciente, deveria ter o joelho esquerdo operado, conforme planejamento e liberação do convênio de saúde. No entanto, ao acordar da cirurgia realizada em um hospital particular, ela e sua família descobriram que a prótese havia sido implantada no joelho direito. A situação gerou grande abalo emocional e físico, com a idosa agora enfrentando a perspectiva de uma segunda intervenção cirúrgica para corrigir o erro inicial.
O Procedimento Incorreto e a Alegação Médica
Segundo Sabrina da Silva, filha de Marilda, em conversa com o médico responsável após a cirurgia, o profissional teria tentado imputar a culpa à paciente. O médico alegou que, já sob o efeito de medicamentos de sedação, Marilda teria “insistido” para que o joelho direito fosse operado. Essa versão, contudo, é veementemente contestada pela família.
“Em momento algum, eu lembro de ter falado isso. Eu não me recordo de ter falado isso”, teria dito Marilda à filha, ao ser informada da alegação médica. Sabrina expressa sua indignação, ressaltando que a decisão sobre qual membro operar é de responsabilidade exclusiva da equipe médica, e não de um paciente sedado e confuso. A artroplastia, um procedimento que envolve a substituição de superfícies ósseas e cartilagens desgastadas por próteses de metal e polietileno, exige precisão e protocolos rigorosos para evitar falhas como esta.
A Repercussão do Caso e o Abalo Familiar
O incidente ocorreu em 30 de setembro em um hospital particular de Curitiba, mas ganhou visibilidade em 8 de outubro, quando Sabrina da Silva utilizou as redes sociais para desabafar sobre o ocorrido. A filha da idosa relatou o sofrimento da mãe no pós-operatório e a angústia de ter que passar por uma nova cirurgia. Além dos danos físicos, a paciente sofre com o abalo emocional de ter sido, segundo a família, injustamente culpada por um erro que não lhe pertence.
Sabrina também questionou a ausência de marcação no joelho a ser operado, um protocolo de segurança amplamente recomendado para evitar equívocos cirúrgicos. O médico, por sua vez, teria afirmado não saber explicar de quem seria essa responsabilidade. A filha ainda mencionou que um exame de imagem realizado antes da cirurgia, que poderia comprovar o joelho correto, não foi salvo no sistema do hospital, impedindo seu acesso.
Investigações em Andamento e Respostas Institucionais
Diante da gravidade da situação, a família de Marilda da Silva acionou um advogado e o caso está sob apuração de órgãos competentes. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que abriu uma sindicância para investigar a conduta dos profissionais de saúde envolvidos. O CRM-PR destaca que, caso comprovada a violação de regras éticas, as sanções podem variar de uma advertência confidencial à cassação do registro profissional, dependendo da gravidade e do grau de culpa apurados. As investigações tramitam sob sigilo, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa das partes.
O Hospital da Cruz Vermelha Brasileira, onde a cirurgia foi realizada, também se manifestou por meio de nota. A instituição afirmou ter iniciado uma apuração interna para esclarecer as circunstâncias do ocorrido, analisando os registros assistenciais e os procedimentos adotados. O hospital assegurou que está programando a continuidade do acompanhamento da paciente por um médico ortopedista de sua equipe, incluindo a avaliação e o tratamento fisioterapêutico, reafirmando seu compromisso com a segurança e a qualidade da assistência prestada. Para mais informações sobre protocolos de segurança em cirurgias, você pode consultar fontes confiáveis como o g1.globo.com.
Casos como o de Marilda da Silva reforçam a importância da vigilância e do rigor nos procedimentos médicos, bem como a necessidade de transparência e responsabilidade por parte das instituições de saúde. O Guarapuava no Radar continuará acompanhando os desdobramentos desta notícia, trazendo informações atualizadas e contextualizadas para nossos leitores, reforçando nosso compromisso com um jornalismo relevante e de qualidade em todas as áreas.