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Governo Central registra superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro com alta do petróleo

Governo Central registra superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro com alta do petróleo
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

As contas do Governo Central, grupo que engloba o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, registraram um superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro. O indicador reverte o cenário negativo observado no mesmo período de 2025, quando o resultado apontou um déficit de R$ 14,4 bilhões, segundo levantamento divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional.

O desempenho positivo do mês passado foi influenciado principalmente pela expansão da receita líquida, que avançou 13,6% acima da inflação na comparação anual, representando um acréscimo real de R$ 24,6 bilhões. Em contrapartida, as despesas públicas apresentaram uma elevação mais moderada de 2,4%, somando um aumento de R$ 4,7 bilhões no período.

Impacto da alta do petróleo e de receitas extraordinárias

O resultado favorável das contas públicas foi impulsionado por fatores pontuais e pelo comportamento do mercado internacional de commodities. As receitas ligadas à exploração de recursos naturais tiveram um salto expressivo de 71,9%, o que corresponde a um incremento de R$ 5,7 bilhões em valores reais.

De acordo com o Tesouro, o movimento refletiu a valorização internacional do petróleo, o aumento da produção interna e a comercialização de óleo e gás realizada pela Pré-Sal Petróleo. Além disso, a arrecadação do Imposto de Renda cresceu R$ 7,3 bilhões acima da inflação, com destaque para a arrecadação da pessoa jurídica e o imposto de exportação sobre óleo bruto.

Outro fator determinante para o superávit foi a entrada de recursos extraordinários, incluindo a devolução à União de valores referentes a precatórios de exercícios anteriores que haviam sido cancelados pelo Poder Judiciário. Essa rubrica de receitas não administradas subiu R$ 12,8 bilhões em termos reais.

Crescimento das despesas e cenário internacional

Pelo lado dos gastos públicos, o relatório aponta que os créditos extraordinários aumentaram R$ 9,9 bilhões. A maior parcela desses recursos foi direcionada para ações voltadas a mitigar os impactos econômicos decorrentes da guerra no Oriente Médio, incluindo subvenções para a produção e importação de diesel e derivados.

Os dispêndios com benefícios previdenciários também registraram alta, crescendo R$ 2,1 bilhões acima da inflação devido à ampliação do número de segurados do Regime Geral de Previdência Social e à política de valorização do salário mínimo. No entanto, parte dessa pressão orçamentária foi neutralizada por uma redução de R$ 8,4 bilhões nas despesas discricionárias.

Balanço acumulado do ano

Apesar do desempenho positivo registrado em setembro, o cenário fiscal brasileiro continua no vermelho no acumulado dos primeiros nove meses do ano. Entre janeiro e setembro, o Governo Central contabilizou um déficit primário de R$ 90,2 bilhões.

Embora o resultado parcial ainda aponte saldo negativo, o montante representa uma melhora em relação ao intervalo equivalente de 2025, quando o déficit acumulado havia atingido R$ 100,3 bilhões.

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