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Cuidado com a visão: CBO detalha rotina ideal de consultas para todas as idades

Cuidado com a visão: CBO detalha rotina ideal de consultas para todas as idades
© CBO/Divulgação

Manter a saúde ocular em dia é um desafio para muitos, especialmente quando se trata de saber a frequência ideal para visitar o oftalmologista. Questões como a idade, a presença de doenças crônicas como o diabetes, ou mesmo o histórico familiar, influenciam diretamente essa decisão. Para esclarecer essas dúvidas e reforçar a importância da prevenção, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançou um documento abrangente, divulgado durante o 70º Congresso da especialidade, realizado em Salvador.

O guia do CBO é um marco importante, pois estabelece parâmetros claros para pacientes, familiares e até mesmo para médicos de outras áreas. A mensagem central é inequívoca: a consulta periódica com um oftalmologista não é um luxo, mas um cuidado essencial. Somente através desses encontros regulares é possível realizar o diagnóstico precoce e iniciar o tratamento oportuno de diversas doenças que, muitas vezes, evoluem de forma silenciosa e podem levar à perda visual irreversível.

A Importância da Prevenção e o Papel do CBO

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia, como principal entidade representativa da especialidade no país, tem um papel fundamental na orientação da população e dos profissionais de saúde. Ao compilar e divulgar essas diretrizes, o CBO busca padronizar o cuidado ocular, garantindo que mais pessoas tenham acesso a informações qualificadas sobre como proteger sua visão. A iniciativa visa combater a cegueira e a baixa visão, que afetam milhões de brasileiros e têm um impacto significativo na qualidade de vida e na autonomia.

A periodicidade das consultas, conforme o documento, deve ser ajustada à faixa etária e à existência de comorbidades. Essa abordagem personalizada é crucial, pois o olho humano é suscetível a diferentes condições em cada fase da vida. O exame oftalmológico completo vai além da simples verificação de grau, sendo capaz de identificar patologias que, sem sintomas aparentes, podem estar comprometendo a visão de forma progressiva.

Recomendações por Faixa Etária: Um Guia Detalhado

O CBO estabelece intervalos mínimos de referência para pessoas sem doenças oculares diagnosticadas ou fatores de risco. Essas orientações servem como um ponto de partida para um acompanhamento eficaz:

  • Recém-nascidos: O teste do reflexo vermelho, feito pelo pediatra nas primeiras 72 horas de vida ou antes da alta da maternidade, é vital. Qualquer alteração exige encaminhamento urgente ao especialista.
  • 0 a 36 meses: A repetição do teste do reflexo vermelho deve ocorrer pelo menos três vezes ao ano, acompanhando o desenvolvimento visual, a fixação e o alinhamento ocular.
  • 6 a 12 meses: É recomendada a primeira consulta oftalmológica completa, focada na detecção e tratamento precoce de falhas no desenvolvimento visual.
  • 3 a 5 anos: Pelo menos uma consulta completa, incluindo inspeção, avaliação da função visual, testes de motilidade e alinhamento, refração sob cicloplegia e fundo de olho sob dilatação, preferencialmente antes da alfabetização.
  • Idade escolar e adolescência (até 18 anos): Reavaliação periódica, com uma avaliação completa entre 12 e 18 anos, período de maior incidência e progressão da miopia.
  • Adultos até 39 anos: Avaliação periódica, mesmo sem sintomas, pois doenças oculares relevantes podem surgir silenciosamente.
  • A partir dos 40 anos: Consulta anual. A prevalência de glaucoma e presbiopia (vista cansada) aumenta significativamente nessa faixa etária.
  • Idosos: Acompanhamento anual, no mínimo, com atenção redobrada para catarata senil, glaucoma e degeneração macular, condições comuns que podem levar à cegueira.

Doenças Crônicas e Fatores de Risco: Atenção Redobrada

Para indivíduos com diagnóstico de doenças crônicas, histórico familiar de problemas oculares ou exposição a circunstâncias específicas, o acompanhamento deve ser intensificado. O oftalmologista definirá os intervalos das consultas com base em uma avaliação individualizada. Os principais fatores de atenção incluem:

  • Diabetes: Cerca de 50% dos pacientes desenvolvem retinopatia diabética, e o risco de cegueira é quase 30 vezes maior. Avaliação com pupilas dilatadas desde o diagnóstico e acompanhamento regular são cruciais.
  • Histórico familiar de glaucoma: Parentes de primeiro grau têm risco elevado. Pessoas acima de 50 anos, afrodescendentes e com pressão intraocular alta devem ser submetidas a exames completos.
  • Miopia e miopia elevada: Aumenta o risco de deslocamento de retina, glaucoma e degeneração macular miópica. Crianças míopes precisam de acompanhamento a cada 6 ou 12 meses.
  • Uso de corticoides: Pode elevar a pressão intraocular, levando ao glaucoma. Pacientes em uso prolongado necessitam de acompanhamento rigoroso.
  • Uso de lentes de contato: Exige acompanhamento anual para monitorar a saúde da córnea e possíveis alterações refracionais.
  • Usuários de canetas emagrecedoras: Estudos apontam possível associação com neuropatias ópticas e alterações da retinopatia diabética, justificando consultas regulares.
  • Outros fatores como hipertensão arterial, doenças reumatológicas, autoimunes, uso de medicamentos com toxicidade ocular e tabagismo também exigem vigilância constante.

O Impacto do Diagnóstico Precoce na Saúde Ocular

O documento do CBO enfatiza que a maior parte das causas de cegueira e deficiência visual são evitáveis e tratáveis, desde que identificadas em suas fases iniciais. No Brasil, estima-se que cerca de 1,5 milhão de pessoas sejam cegas, um número que tende a crescer com o envelhecimento da população. As quatro principais causas de cegueira no país – catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular – afetam predominantemente idosos.

A atenção começa ainda na maternidade com o teste do reflexo vermelho, que pode detectar condições congênitas graves. Na infância, a avaliação dos marcos do desenvolvimento visual é essencial, pois erros de refração não corrigidos são a principal causa de deficiência visual em crianças brasileiras, impactando seu rendimento escolar e socialização. A ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, pode ser prevenida com exames até os 3 anos de idade, evitando que 40% dos casos de cegueira infantil se tornem irreversíveis. Acesse o documento completo da Agência Brasil para mais detalhes.

Qualidade do Atendimento e o Desafio da Cegueira no Brasil

Além da periodicidade, o CBO ressalta a importância de que as consultas e exames sejam realizados por profissionais habilitados e em ambientes adequados, que sigam as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em termos de estrutura física, equipamentos e condições sanitárias. A qualidade do atendimento é um pilar para a eficácia dos cuidados e a segurança do paciente.

A luta contra a cegueira no Brasil é um esforço contínuo que exige a conscientização da população e o compromisso dos sistemas de saúde. Ao seguir as recomendações do CBO, cada indivíduo contribui para a sua própria saúde ocular e para a redução dos índices de deficiência visual no país. A informação é a primeira ferramenta para a prevenção, e o Guarapuava no Radar se compromete a trazer sempre as notícias mais relevantes e contextualizadas para você. Continue acompanhando nosso portal para se manter bem informado sobre este e outros temas importantes para a sua vida e a da sua comunidade.

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