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Cerca de 50% das cidades brasileiras enfrentam perigo de surto do Aedes aegypti

Cerca de 50% das cidades brasileiras enfrentam perigo de surto do Aedes aegypti
© REUTERS/Paulo Whitaker/Proibida reprodução

O combate ao Aedes aegypti continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil. Dados recentes do segundo ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), divulgados pelo Ministério da Saúde, revelam que 49,2% dos 3.732 municípios que enviaram informações ao governo federal encontram-se em situação de alerta ou risco para a proliferação do mosquito. O levantamento, realizado entre maio e agosto, serve como um termômetro essencial para guiar as estratégias de controle da dengue, chikungunya e zika.

Queda expressiva nos registros de arboviroses

Apesar do sinal de alerta emitido pelo LIRAa, o cenário epidemiológico de 2026 apresenta uma melhora significativa em comparação ao ano anterior. Até o dia 26 de setembro, o país registrou uma queda de aproximadamente 70% nos casos prováveis de dengue, totalizando 470,5 mil ocorrências contra 1,5 milhão no mesmo período de 2025. A tendência de redução também se estende à chikungunya, que apresentou queda de 43%, e à zika, com recuo de 35% nos registros oficiais.

Mapeamento dos criadouros e variações regionais

O monitoramento detalhado aponta que a maioria dos focos de reprodução do mosquito ainda está concentrada em ambientes domésticos. Cerca de 42,3% dos criadouros identificados são vasos e pratos de plantas, garrafas ou pequenos recipientes. Reservatórios de água, como caixas d’água e cisternas, respondem por 26,1%, enquanto pneus e resíduos sólidos, como latas e entulhos, somam 23% dos pontos de infestação.

A distribuição desses focos varia conforme a realidade de cada região brasileira. Enquanto na região Norte a presença do mosquito é predominante em pneus e lixo, no Nordeste o desafio maior reside nos reservatórios de água. Já nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o maior risco está associado aos recipientes domésticos, como vasos de plantas e garrafas, reforçando a necessidade de uma vigilância constante dentro das residências.

Estratégias de combate e o impacto climático

Com a proximidade do verão e a influência do fenômeno climático El Niño, que altera padrões de temperatura e pluviosidade, o governo federal intensificou as medidas preventivas. O planejamento inclui a formação de mais de 300 mil Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e a atuação estratégica de Agentes de Combate às Endemias (ACE). Além disso, o Ministério da Saúde tem investido em tecnologias avançadas, como o uso de ovitrampas, a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI-Aedes), Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL) e o método Wolbachia, que utiliza bactérias para impedir a transmissão de vírus pelos insetos.

Responsabilidade compartilhada na prevenção

Embora as ações governamentais sejam fundamentais, o sucesso no controle do Aedes aegypti depende diretamente do engajamento da população. A recomendação é que os moradores realizem vistorias semanais em seus imóveis, garantindo que caixas d’água estejam vedadas, calhas limpas e que nenhum recipiente acumule água parada. Pequenas atitudes, como manter garrafas viradas para baixo e eliminar pratos de vasos de plantas, são barreiras eficazes contra a proliferação do vetor.

O Guarapuava no Radar segue acompanhando os desdobramentos das políticas de saúde e os índices epidemiológicos em todo o país. Continue conectado ao nosso portal para receber informações apuradas, atualizadas e relevantes sobre o cenário da saúde pública e outros temas que impactam o seu dia a dia.

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