A decisão do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), de retirar sua pré-candidatura à Presidência da República reverberou intensamente nos corredores da política paranaense, gerando um misto de surpresa e rearranjos estratégicos. Anunciada na última segunda-feira (23), a desistência coloca o foco do PSD paranaense na eleição do sucessor de Ratinho Junior em 2026, já que ele cumpre seu segundo mandato e não pode mais concorrer ao cargo.
A movimentação era aguardada com expectativa, visto que Ratinho Junior despontava como um dos nomes mais promissores do PSD para a disputa nacional. Contudo, a 'profunda reflexão com a família', segundo comunicado oficial, o levou a priorizar a conclusão de seu mandato no estado e, posteriormente, a um retorno ao setor privado, onde pretende presidir o grupo de comunicação de sua família. Esta decisão, contudo, não é um mero afastamento, mas um catalisador de um novo tabuleiro para a sucessão estadual.
O impacto da decisão de Ratinho no cenário estadual
Com a saída do páreo presidencial, Ratinho Junior projeta seu capital político para a eleição de seu sucessor. O governador tem um alto índice de aprovação no estado, o que confere ao seu apoio um peso considerável na corrida pelo Palácio Iguaçu. A ausência de uma campanha presidencial permitirá que ele dedique sua energia e influência a essa articulação, moldando a disputa de 2026 de forma mais direta e intensa.
A surpresa com a decisão foi expressa por aliados próximos. Alexandre Curi (PSD), presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e um dos nomes cotados para a sucessão, revelou à RPC que, em compromissos com o governador dias antes do anúncio, não havia qualquer sinalização de que a pré-candidatura presidencial seria abandonada. O discurso de Ratinho, segundo Curi, era de despedida e agradecimento, indicando um projeto nacional iminente. Essa percepção de 'surpresa' entre a base de apoio sugere que a decisão foi tomada de forma bastante reservada, talvez refletindo a complexidade das análises políticas e pessoais envolvidas.
Quem está na linha de frente para a sucessão?
Dentro do próprio PSD, dois nomes emergem com força nas discussões internas: Alexandre Curi e Guto Silva. Curi, com sua experiência na Assembleia Legislativa, onde construiu uma forte base de apoio, afirmou estar se preparando para uma eventual candidatura, embora a decisão final seja do partido. Guto Silva, atual Secretário de Cidades, outro quadro relevante do PSD, classificou a decisão de Ratinho como 'extremamente pessoal' e demonstrou confiança na serenidade do governador para focar na finalização do mandato.
Ambos os potenciais pré-candidatos ressaltam que o PSD mantém seu plano de apresentar uma candidatura própria ao governo do estado, e a avaliação sobre qual será o nome escolhido deve ocorrer até o dia 2 de abril. Essa data se torna um marco crucial para o partido, que precisará consolidar sua estratégia e apresentar uma chapa forte para a disputa.
Movimentações fora da base governista
A saída de Ratinho Junior da disputa presidencial também tem reflexos em outros campos políticos. Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e figura de peso na política paranaense, protagonizou uma movimentação estratégica ao deixar o PSD para se filiar ao MDB. Sua pré-candidatura ao Governo do Paraná pelo novo partido já foi lançada. A mudança de Greca, que havia sinalizado apoio a Ratinho Junior como 'nosso candidato à presidência da República' dias antes da desistência, adiciona uma camada de complexidade ao cenário, colocando-o como um potencial concorrente ao nome apoiado pelo atual governador.
Outro personagem que se posiciona é o senador Sergio Moro. Apesar de não ter sido cotado em negociações com o PSD, tanto Curi quanto Silva descartaram a possibilidade de aliança com o ex-juiz. Moro, que nesta terça-feira (24) oficializará sua filiação ao PL, tem articulado sua candidatura ao governo do Paraná. Caso confirmada, a presença de Moro representa um desafio significativo para o grupo de Ratinho Junior, prometendo uma disputa acirrada e com elementos de polarização que já marcam a política nacional.
O cenário nacional para o PSD após a desistência
No âmbito nacional, a desistência de Ratinho Junior, que vinha obtendo bom desempenho nas pesquisas presidenciais, altera os planos do PSD. O partido, que buscava uma 'terceira via' para a polarização política, agora se volta para os nomes dos governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás). Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, reiterou o compromisso do partido em apresentar uma candidatura à Presidência, destacando a admiração por Ratinho Junior e a busca por uma 'melhor via' que se contraponha a propostas radicais.
A decisão de Ratinho Junior, embora pessoal, demonstra a intrínseca relação entre a política local e nacional. Ao focar em sua sucessão estadual e nos desafios da gestão até 2026, o governador redefine não apenas seu próprio futuro político, mas também os rumos da política paranaense. A corrida pelo governo do Paraná, agora sem a sombra de uma possível candidatura presidencial, promete ser um dos embates mais observados no próximo ciclo eleitoral, com candidatos se articulando e o eleitorado paranaense atento aos desdobramentos.
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Fonte: https://g1.globo.com