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Diagnóstico precoce da baixa visão infantil é crucial para o desenvolvimento

Diagnóstico precoce da baixa visão infantil é crucial para o desenvolvimento
© Bruno Peres/Agência Brasil

A visão na infância é um pilar fundamental para o desenvolvimento integral da criança, abrangendo aspectos motores, cognitivos, de comunicação e sociais. Contudo, a baixa visão, muitas vezes subestimada, pode comprometer seriamente esse processo, alertou a oftalmologista Maria de Fátima Neri durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), realizado em Salvador.

A especialista enfatizou que a perda visual precoce não afeta apenas o desempenho escolar, mas toda a trajetória de crescimento e aprendizado. A intervenção rápida é decisiva, pois quanto antes se inicia o tratamento, maiores são as chances de a criança aproveitar a visão residual para desenvolver estratégias funcionais que impactarão positivamente seu futuro.

A Visão Além da Acuidade: Impactos no Desenvolvimento Infantil

Ao abordar a baixa visão na infância, a Dra. Maria de Fátima Neri esclareceu que o quadro vai muito além de uma simples diminuição da acuidade visual. Trata-se de uma condição que pode comprometer a percepção visual, a capacidade de explorar o ambiente, o desenvolvimento motor, a aprendizagem, a comunicação, a autonomia e, consequentemente, a plena participação da criança no mundo.

A oftalmologista ressaltou a necessidade de uma avaliação aprofundada para entender como a criança utiliza o resíduo visual disponível. Essa compreensão é vital para traçar um plano de intervenção eficaz, que não apenas trate a condição ocular, mas também apoie o desenvolvimento global e a integração social do indivíduo.

Causas e Sinais de Alerta para a Baixa Visão Infantil

Diversas condições podem levar à baixa visão em crianças, muitas delas congênitas ou adquiridas nos primeiros anos de vida. Entre as principais causas, Maria de Fátima Neri listou:

  • Retinopatias causadas por infecções como sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus;
  • Catarata congênita;
  • Glaucoma congênito;
  • Anomalias do nervo óptico;
  • Albinismo;
  • Distrofias hereditárias da retina;
  • Alta miopia;
  • Doenças neurológicas;
  • Deficiência visual cortical ou cerebral;
  • Prematuridade.

Para os pais e cuidadores, é crucial estar atento a sinais de alerta que podem indicar um problema visual. A médica orienta que se observe se a criança:

  • Não acompanha objetos com os olhos;
  • Não fixa o olhar ou mantém pouca fixação;
  • Aproxima excessivamente objetos dos olhos;
  • Esbarra ou tropeça com frequência;
  • Demonstra dificuldade em ambientes pouco iluminados;
  • Apresenta fotofobia (sensibilidade à luz) ou busca intensa por luz;
  • Tem dificuldade para reconhecer pessoas e objetos;
  • Apresenta atraso no desenvolvimento sem causa definida.

Além da observação dos sinais, a investigação junto à família é essencial. Perguntas como se a criança reconhece rostos, consegue localizar objetos, brinca com autonomia, como se comporta em diferentes condições de iluminação e o que deixou de fazer por causa da baixa visão são fundamentais para um diagnóstico e plano de tratamento precisos.

O Caminho para a Habilitação e o Futuro

Uma vez diagnosticada a baixa visão, o trabalho de habilitação é multidisciplinar e abrangente. Ele envolve uma série de intervenções e profissionais para maximizar o potencial visual e de desenvolvimento da criança. Isso inclui:

  • Estimulação visual funcional;
  • Recursos ópticos e não ópticos;
  • Tecnologia assistiva;
  • Orientação e mobilidade;
  • Terapias como ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia;
  • Apoio pedagógico e orientação familiar.

A Dra. Maria de Fátima Neri reforça que o desenvolvimento visual está intrinsecamente ligado ao motor, cognitivo, à linguagem e à interação social. A visão é um componente ativo na construção de todas as experiências da criança. Portanto, alterações visuais significativas que não são reconhecidas e tratadas precocemente podem ter repercussões profundas em seu desenvolvimento global.

Encaminhar uma criança com baixa visão para avaliação e intervenção o mais cedo possível não é apenas uma questão de tratar a visão, mas de proteger seu desenvolvimento, promover sua autonomia e garantir um futuro mais promissor. A conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce da baixa visão infantil é um passo crucial para a saúde pública e o bem-estar de nossas crianças.

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