O mercado financeiro brasileiro encerrou esta terça-feira (3) em movimento de baixa, com a moeda norte-americana em alta expressiva e a bolsa de valores ampliando as perdas acumuladas nos últimos dias. As negociações refletiram o clima de cautela entre os investidores diante de incertezas fiscais e da expectativa em torno da decisão sobre a taxa básica de juros.
O dólar comercial registrou valorização de 0,74%, cotado a R$ 5,486 no encerramento da sessão. Ao longo do dia, a cotação chegou a superar o patamar de R$ 5,50, impulsionada pelo ambiente de instabilidade que marca o primeiro pregão de novembro após o feriado prolongado e a semana de forte desvalorização dos ativos nacionais.
Repercussão no câmbio
A alta da divisa norte-americana esteve atrelada a diversos fatores internos e externos. Entre eles destacam-se as dúvidas sobre a condução futura das contas públicas, a repercussão de propostas ligadas ao regime monetário e o comportamento do índice DXY no exterior, que mede o desempenho do dólar frente a moedas fortes.
Durante a manhã, autoridades econômicas comentaram o cenário e reforçaram a defesa de um ajuste fiscal gradual. No entanto, o mercado seguiu sensível aos desdobramentos políticos e às projeções atualizadas para a economia brasileira nos próximos meses, mantendo a pressão vendedora sobre o real.
Bolsa de valores em baixa
O Ibovespa acompanhou a retração do câmbio e fechou a terça-feira em queda de 1,42%, situando-se aos 165.528,92 pontos. O índice chegou a romper para baixo o patamar dos 165 mil pontos durante os negócios, atingindo a mínima de 164.446,53 pontos pela manhã.
Esta representou a sexta sessão consecutiva de perdas para o principal indicador da bolsa brasileira. A forte pressão vendedora afetou especialmente as ações de maior liquidez, refletindo tanto o humor desfavorável do ambiente doméstico quanto ajustes nos preços internacionais de commodities após o feriado.
Expectativa pelo Copom
A atenção dos agentes econômicos voltou-se fortemente para o Comitê de Política Monetária, cuja decisão sobre a taxa Selic foi agendada para a quarta-feira (4). Investidores avaliaram a possibilidade de manutenção dos juros em 13,75% ao ano diante de projeções inflacionárias mais elevadas divulgadas recentemente.
O boletim Focus apontou revisão para cima nas expectativas de inflação e na trajetória futura da Selic, alimentando debates sobre o custo do crédito e o ritmo da atividade econômica. O tom adotado pelo Banco Central no comunicado oficial passou a ser considerado determinante para os rumos do mercado financeiro regional e nacional nos próximos pregões.
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