O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana com um movimento de euforia, reagindo de forma expressiva ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. Nesta segunda-feira (5), o dólar registrou uma queda acentuada, aproximando-se da marca de R$ 5, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de valores do país, superou a barreira inédita dos 200 mil pontos, impulsionado por uma forte entrada de capital e pela reavaliação de risco por parte dos investidores.
A reação dos agentes econômicos reflete a expectativa do mercado diante do cenário eleitoral que se desenha para o segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro. Com a definição de que a disputa final ocorrerá entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o mercado optou por precificar uma redução no chamado prêmio de risco, movimento que favoreceu a valorização do real e a queda nas taxas futuras de juros.
Recorde histórico e otimismo no Ibovespa
O desempenho da Bolsa brasileira nesta segunda-feira foi marcado por recordes. O Ibovespa encerrou o pregão em 207.190,44 pontos, uma valorização expressiva de 7,85%. Durante o dia, o índice chegou a atingir a marca de 209.605,70 pontos, estabelecendo uma nova máxima histórica intradiária. O volume financeiro movimentado, que alcançou R$ 97,58 bilhões antes dos ajustes finais, demonstra o apetite dos investidores por ativos locais.
Esse otimismo não ficou restrito ao mercado interno. No exterior, o fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, conhecido como ETF EWZ, registrou uma alta de 12,57% no final da tarde. Esse comportamento sinaliza que o investidor estrangeiro também enxerga com bons olhos a atual configuração política, antecipando possíveis mudanças na condução da política econômica nacional.
Câmbio sob pressão e queda do dólar
O dólar à vista fechou o dia cotado a R$ 5,0022, uma queda de 4,12% em relação ao fechamento anterior. Para se ter uma ideia da magnitude do movimento, esta foi a menor cotação de fechamento desde o dia 21 de maio. Na sexta-feira (2), a moeda norte-americana havia encerrado o dia em R$ 5,2175, refletindo a cautela natural que precede grandes eventos políticos.
Com o resultado desta segunda-feira, a moeda norte-americana passa a acumular uma queda de 8,87% no acumulado de 2026. A desvalorização do dólar frente ao real é um indicador direto da confiança do mercado, que tende a buscar ativos de maior risco em países emergentes quando percebe maior estabilidade ou previsibilidade no cenário doméstico.
Contexto internacional e commodities
Enquanto o mercado financeiro brasileiro celebrava a alta, o cenário das commodities apresentou um comportamento distinto. O petróleo, referência global, fechou o dia em baixa. O barril do tipo Brent, utilizado como parâmetro internacional, recuou 1,89%, sendo cotado a US$ 100,32. O WTI, referência norte-americana, também acompanhou a tendência e caiu 1,84%, encerrando a sessão a US$ 89,43.
Apesar da queda no preço do petróleo, o ambiente externo colaborou para o clima positivo. Bolsas asiáticas iniciaram a semana com ganhos, sustentadas pela percepção de que o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos pode estar perdendo força. Esse alívio nas taxas globais costuma beneficiar mercados emergentes, como o Brasil, que se tornam mais atrativos para o fluxo de capitais globais. Para mais análises sobre o impacto da economia no seu dia a dia, continue acompanhando o Guarapuava no Radar, seu portal de confiança para informações relevantes e atualizadas.