A educação brasileira apresentou um movimento de aproximação em relação ao desempenho de nações desenvolvidas, conforme revelam os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) referentes ao ano de 2025. Embora o país ainda figure abaixo da média estabelecida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a trajetória das últimas duas décadas indica uma redução consistente na disparidade de aprendizado entre os estudantes brasileiros e seus pares globais.
Evolução nas notas e o cenário de aprendizagem
Os dados divulgados nesta terça-feira (8) pela OCDE mostram que o Brasil atingiu 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Comparativamente, a média dos 23 países da OCDE posiciona-se em 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. Considerando que a cada 20 pontos o sistema educacional estima o equivalente a um ano de escolaridade, o Brasil ainda enfrenta desafios significativos, especialmente em matemática, onde o atraso em relação ao bloco chega a 4,6 anos.
Entretanto, a análise histórica entre 2006 e 2025 revela avanços importantes. A diferença de desempenho em leitura caiu de 102 para 58 pontos, enquanto em matemática a distância diminuiu de 131 para 92 pontos. Em ciências, a evolução foi ainda mais notável, com uma redução de 113 para 77 pontos. O Brasil, que participou com 30.140 estudantes de um universo global de 760 mil alunos, demonstrou uma recuperação mais resiliente após a pandemia de covid-19 do que a média dos países da OCDE, superando inclusive os índices pré-crise sanitária na área de ciências.
Impacto das novas tecnologias e restrição aos celulares
O ciclo de 2025 introduziu a avaliação de competências digitais, sob o domínio “Aprendizagem no Mundo Digital”. O Brasil obteve 406 pontos na resolução de problemas por meio de ferramentas computacionais, ficando abaixo da média da OCDE, que atingiu 500 pontos. Este novo pilar busca compreender como os jovens utilizam a tecnologia para superar desafios práticos e autorregular seu aprendizado.
Paralelamente, o ambiente escolar brasileiro passou por uma mudança drástica na gestão de dispositivos móveis. Segundo o levantamento, 81% dos estudantes brasileiros frequentam escolas que restringem o uso de celulares em sala de aula, um salto expressivo em relação aos 37% registrados em 2022. Esse movimento está alinhado à implementação da Lei nº 15.100/2025, que busca mitigar distrações digitais e melhorar o foco dos alunos, uma medida que encontra respaldo em evidências internacionais sobre o impacto negativo do uso excessivo de telas no rendimento acadêmico.
Engajamento social e percepção do ambiente escolar
Além das notas, o Pisa 2025 trouxe indicadores sobre a subjetividade dos estudantes. A parcela de jovens que considera a escola uma perda de tempo caiu para 16%, um índice inferior à média da OCDE, que é de 24%. Esse dado é relevante, pois o estudo aponta que alunos que valorizam o ambiente escolar apresentam um desempenho médio superior em ciências, evidenciando que a percepção sobre a importância da educação é um fator determinante na aprendizagem.
Outro ponto de destaque é o engajamento ambiental. Os estudantes brasileiros mostraram-se mais otimistas e participativos em relação a questões climáticas do que a média global. Cerca de 84% dos jovens acreditam na sua capacidade de gerar impactos positivos no meio ambiente, enquanto 87% confiam na eficácia da ação coletiva, demonstrando um perfil de cidadania ativa que transcende as salas de aula.
O Pisa, coordenado pela OCDE, segue como a principal régua global para medir a preparação de jovens de 15 anos para a vida adulta. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é o responsável pela aplicação no Brasil, fornecendo subsídios essenciais para a formulação de políticas públicas educacionais. Continue acompanhando o Guarapuava no Radar para mais análises sobre os rumos da educação e os temas que impactam o futuro da nossa sociedade.