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Energia solar em Itaipu: gigante hidrelétrica vislumbra futuro sustentável com potencial para dobrar sua capacidade

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Conhecida por ser uma das maiores geradoras de energia hidrelétrica do mundo, a Usina de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, está explorando um novo e promissor caminho para o seu futuro energético: a energia solar flutuante. Um projeto-piloto em andamento no vasto reservatório da usina sugere um potencial transformador, com estudos preliminares indicando que a adoção em larga escala dessa tecnologia poderia, teoricamente, dobrar a capacidade de geração de energia do complexo binacional. Esta iniciativa não apenas diversifica a matriz energética da usina, mas também a posiciona na vanguarda da pesquisa e desenvolvimento em energias renováveis na América Latina.

O reservatório de Itaipu é uma área colossal, com aproximadamente 1.350 quilômetros quadrados de espelho d'água – um tamanho que supera o de muitas cidades. É nessa extensão, vital para as turbinas que geram os atuais 14 mil megawatts (MW) de energia hidrelétrica, que técnicos brasileiros e paraguaios vêm, desde o final do ano passado, investigando o aproveitamento da superfície para a instalação de painéis solares. A proposta vai além de um simples incremento de potência; ela representa um passo estratégico na busca por maior resiliência energética e inovação tecnológica em um dos mais importantes marcos da engenharia mundial.

A Ilha Solar: Laboratório de Inovação sobre as Águas

Atualmente, a "ilha solar" de Itaipu é um laboratório de pesquisa e desenvolvimento. Com uma instalação inicial de 1.584 painéis fotovoltaicos, ocupando uma área de menos de 10 mil metros quadrados, o projeto está localizado a apenas 15 metros de uma das margens do lado paraguaio do reservatório, em uma área com cerca de 7 metros de profundidade. Embora modesta em escala – com capacidade de 1 megawatt-pico (MWp), suficiente para abastecer cerca de 650 residências –, sua importância reside no propósito.

A energia gerada por esta planta flutuante é destinada exclusivamente ao consumo interno da usina, sem comercialização ou ligação direta com a rede hidrelétrica principal. Essa autonomia permite que os engenheiros do consórcio binacional responsável pela instalação – formado pelas empresas Sunlution (Brasil) e Luxacril (Paraguai) – concentrem-se na análise de todos os aspectos do funcionamento. O investimento inicial de US$ 854,5 mil (cerca de R$ 4,3 milhões) é direcionado para entender a interação das placas com o ambiente aquático, incluindo potenciais impactos na fauna (como peixes e algas) e na temperatura da água, além de fatores como a influência dos ventos sobre o desempenho dos painéis e a estabilidade da estrutura de flutuadores e ancoragem.

Esse meticuloso trabalho de pesquisa é crucial para garantir a viabilidade e sustentabilidade de uma possível expansão futura. A meta é que a "ilha solar" se torne um modelo para futuras aplicações comerciais, superando desafios técnicos e ambientais inerentes a projetos de grande porte em superfícies aquáticas.

O Vislumbre de um Futuro de Dupla Capacidade

A ambição por trás do projeto é grandiosa. Rogério Meneghetti, superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, destacou o potencial teórico: "Se falarmos em um potencial bem teórico, uma área de 10% do reservatório, coberta com placas solares, seria o mesmo que outra usina de Itaipu, em termos de capacidade de geração." Essa afirmação, embora ressaltando o caráter preliminar e dependente de muitos estudos, sublinha a magnitude da oportunidade que a energia solar representa para o gigante hidrelétrico.

Para se ter uma ideia mais concreta, estimativas iniciais apontam que seriam necessários pelo menos quatro anos de instalação para que a geração solar alcançasse 3 mil megawatts (MW), o equivalente a aproximadamente 20% da capacidade instalada da hidrelétrica atualmente. Tal expansão, contudo, demandaria não apenas vultosos investimentos e avanços tecnológicos, mas também atualizações no próprio Tratado de Itaipu, o acordo binacional assinado em 1973 que regulamenta a operação da usina e que, à época, não previa a diversificação de fontes energéticas com a tecnologia atual.

A relevância dessa exploração é evidente: ao complementar a geração hidrelétrica, a energia solar pode oferecer maior flexibilidade e resiliência ao sistema elétrico. Enquanto a hidroeletricidade depende do regime de chuvas, a solar aproveita os períodos de maior insolação, criando um equilíbrio que pode otimizar a gestão dos recursos hídricos e garantir um fornecimento mais estável, especialmente em cenários de mudanças climáticas.

Para Além do Sol: Diversificação Energética em Foco

A busca por novas fontes de energia na Itaipu Binacional não se limita aos painéis solares. A usina está na vanguarda de projetos ousados que incluem o desenvolvimento de hidrogênio verde e baterias de grande escala. Essas iniciativas são coordenadas pelo Itaipu Parquetec, um ecossistema de inovação e tecnologia criado em 2003 em Foz do Iguaçu (PR), que reúne universidades, empresas públicas e privadas, e já formou centenas de mestres e doutores em diversas áreas.

No Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio, dentro do Parquetec, pesquisadores desenvolvem o hidrogênio verde. Essa forma de hidrogênio é considerada "verde" ou sustentável porque sua obtenção ocorre sem a emissão de gás carbônico (CO₂), principal responsável pelo efeito estufa e pelo aquecimento global. A técnica empregada é a eletrólise da água, que separa os elementos químicos da molécula (H₂O) por meio de processos automatizados e limpos.

O hidrogênio verde é uma fonte de energia versátil e promissora, capaz de servir como insumo sustentável para uma vasta gama de setores industriais – como siderurgia, química, petroquímica, agrícola e alimentícia – além de atuar como combustível para transporte e energia. Em Itaipu, uma planta de produção de hidrogênio verde serve como plataforma para o desenvolvimento de projetos-piloto, impulsionando a pesquisa nacional para aplicações em veículos e indústrias, solidificando o papel da usina como um hub de energia limpa e inovação.

Por Que Isso Importa para Guarapuava e a Região?

As iniciativas de Itaipu em energia solar flutuante e hidrogênio verde transcendem os limites da usina, impactando diretamente o Paraná e o Brasil. Para Guarapuava e toda a região, esses avanços significam um fortalecimento da matriz energética paranaense, tornando-a mais diversificada e menos suscetível a crises hídricas. A diversificação contribui para a segurança energética do estado e do país, garantindo um fornecimento mais estável para indústrias, comércios e residências.

Além disso, a liderança tecnológica de Itaipu projeta o Paraná como um polo de inovação em energias renováveis, atraindo investimentos, gerando conhecimento e criando oportunidades de desenvolvimento local e regional. É um reflexo do compromisso com a sustentabilidade e a busca por soluções que não apenas atendam às demandas energéticas atuais, mas também preparem o caminho para um futuro mais limpo e próspero. Acompanhar esses desenvolvimentos é entender as bases da energia que impulsiona nosso estado e o Brasil.

O Guarapuava no Radar segue atento aos avanços de Itaipu e a todas as notícias que moldam o futuro energético e tecnológico do nosso estado. Fique por dentro de análises aprofundadas, reportagens exclusivas e o contexto completo dos fatos que impactam sua vida. Continue navegando conosco e tenha acesso à informação relevante, atual e contextualizada, que você só encontra aqui.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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