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Escândalo na fronteira: Painéis em Ciudad del Este com montagem de Bolsonaro são desativados após confusão e ordem presidencial

G1

Uma situação de grande repercussão e tensão na tríplice fronteira, mais especificamente em Ciudad del Este, no Paraguai, culminou na desativação de painéis publicitários que exibiram uma montagem altamente provocativa. A imagem em questão mostrava o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro em um ato de agressão contra o jogador paraguaio Gustavo Gómez, gerando indignação e uma série de desdobramentos oficiais e populares que se estenderam até este sábado (30).

O incidente, que rapidamente se espalhou por redes sociais e meios de comunicação, provocou a intervenção direta do presidente do Paraguai, Santiago Peña, e desencadeou uma revisão mais ampla sobre a regularidade de estruturas publicitárias nas margens das rodovias do país. A controvérsia não apenas focou na mensagem ofensiva, mas também expôs falhas na fiscalização de espaços públicos e na segurança de sistemas digitais.

A Montagem Ofensiva e a Reação Popular

A polêmica teve início na sexta-feira, quando ao menos três telões em pontos estratégicos de Ciudad del Este passaram a exibir a imagem manipulada. A montagem mostrava Jair Bolsonaro sentado sobre as costas de Gustavo Gómez, puxando seus cabelos, acompanhada de mensagens em português como “o Hexa é nosso” e “o Brasil mandou e desmandou no campo e na política”. A provocação era dupla: uma afronta política, envolvendo uma figura de grande peso no cenário brasileiro, e uma ofensa esportiva, direcionada a um atleta paraguaio de destaque, zagueiro do Palmeiras e capitão da seleção de seu país.

A exibição durou cerca de uma hora, tempo suficiente para inflamar os ânimos da população local. A revolta foi imediata e tangível: moradores indignados, em um ato de protesto, destruíram fisicamente um dos telões. Equipes policiais do Departamento de Segurança Turística do Paraguai precisaram intervir para monitorar a confusão, evitar confrontos maiores e garantir a segurança na área. Esse episódio ressalta a capacidade de imagens provocativas, especialmente em regiões de fronteira com intensas trocas culturais e econômicas, de rapidamente escalar para atos de desordem pública.

Intervenção Presidencial e Medidas Regulatórias

A gravidade do ocorrido não demorou a alcançar as mais altas esferas do governo paraguaio. O presidente Santiago Peña utilizou suas redes sociais para se manifestar sobre o incidente, afirmando categoricamente que havia determinado a imediata retirada dos telões envolvidos na exibição das imagens. Sua intervenção demonstrou a seriedade com que o governo paraguaio encarou a provocação, reconhecendo o potencial de tensão que tal conteúdo poderia gerar nas relações bilaterais com o Brasil e a indignação entre seus próprios cidadãos.

Como desdobramento da ordem presidencial, o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) do Paraguai anunciou uma medida mais ampla: a retirada de todos os painéis publicitários considerados irregulares instalados às margens das rodovias do país. Em comunicado, o MOPC esclareceu que, por lei, não autoriza a instalação de cartazes e painéis publicitários na faixa de domínio das rodovias – área sob responsabilidade exclusiva do Estado. A pasta citou a Lei nº 5.016/2014, que proíbe expressamente estruturas que possam comprometer a visibilidade dos motoristas ou representar qualquer tipo de risco à segurança viária.

A ação do MOPC, embora deflagrada pelo escândalo dos telões de Ciudad del Este, adquire um caráter de reordenamento e fiscalização da infraestrutura publicitária em todo o território nacional. Segundo o ministério, cartazes, pórticos e outras instalações consideradas irregulares são retirados imediatamente, mas também há processos administrativos e ações judiciais em andamento para remover estruturas em desacordo com a legislação, com a ressalva de que, em alguns casos, decisões judiciais podem atrasar a efetivação das medidas.

A Versão das Empresas e a Busca por Responsáveis

Diante da repercussão e das ordens de retirada, as empresas Fast Print e Publimix, proprietárias dos telões, defenderam-se alegando que seus sistemas foram alvo de uma invasão hacker. Em nota, afirmaram que o conteúdo foi divulgado por meio de “manipulação não autorizada” das telas publicitárias e que estão colaborando com as autoridades competentes para esclarecer os fatos, identificar os autores e determinar as responsabilidades. Uma denúncia criminal foi formalizada junto à Promotoria de Crimes Cibernéticos do Paraguai, evidenciando a busca por quem estaria por trás da ação criminosa.

Outra empresa, a New Zone, também mencionada no contexto da publicidade local, informou que não teve participação na divulgação do conteúdo e que solicitou esclarecimentos imediatos à empresa responsável pelos anúncios, além da retirada das imagens. Até a última atualização, contudo, permanecia a incógnita sobre a autoria da montagem e quem de fato invadiu os sistemas para exibi-la. A Prefeitura de Ciudad del Este, por sua vez, também abriu uma investigação administrativa e formalizou uma denúncia na Fiscalía, órgão correspondente ao Ministério Público no Brasil.

Relevância e Desdobramentos para a Fronteira e Além

Este episódio em Ciudad del Este vai além de um simples caso de vandalismo ou má publicidade. Ele toca em pontos sensíveis como a segurança digital em infraestruturas públicas, a capacidade de propagação de conteúdos ofensivos, e o impacto que isso pode ter nas relações diplomáticas e na ordem pública de regiões fronteiriças. A tríplice fronteira é um caldeirão de culturas e economias, onde a harmonia é fundamental para o fluxo de pessoas e bens. Uma provocação desse calibre pode facilmente inflamar paixões nacionalistas e gerar atritos desnecessários.

Para o leitor, o caso serve como um lembrete vívido da fragilidade da informação no ambiente digital e da responsabilidade que empresas e governos possuem na fiscalização de espaços, tanto físicos quanto virtuais. A rápida resposta das autoridades paraguaias e a indignação popular mostram que há limites para a liberdade de expressão, especialmente quando ela descamba para a ofensa pessoal e a provocação política em um contexto internacional. Os desdobramentos da investigação criminal e as futuras ações do MOPC para regularizar a paisagem publicitária no Paraguai serão importantes para consolidar as lições aprendidas com este incidente.

O Guarapuava no Radar, sempre atento aos fatos que moldam a realidade regional e nacional, continua acompanhando de perto os desdobramentos deste caso. Nossa equipe se dedica a trazer informações relevantes, contextualizadas e apuradas, garantindo que nossos leitores estejam sempre bem-informados sobre os temas que impactam suas vidas e o cenário em que vivemos. Conte conosco para análises profundas e notícias que realmente importam.

Fonte: https://g1.globo.com

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