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Fibromialgia: mobilização nacional exige tratamento e garantia de direitos no SUS

© Valter Campanato/Agência Brasil

Pacientes, familiares e profissionais da saúde se uniram neste domingo (17) em uma mobilização nacional para lançar luz sobre a fibromialgia, uma síndrome crônica e muitas vezes invisível, e para cobrar ações efetivas que garantam tratamento adequado e pleno acesso a direitos no Sistema Único de Saúde (SUS). As atividades, que ocorreram simultaneamente em diversas cidades brasileiras, tiveram como objetivo principal desmistificar a condição e pressionar por políticas públicas mais eficientes.

Em Brasília, a capital federal, o Parque da Cidade foi palco de um dos principais eventos. A programação incluiu sessões gratuitas de acupuntura e liberação miofascial, além de orientações especializadas em fisioterapia, abordagens psicológicas e rodas de conversa. O foco foi proporcionar algum alívio e, sobretudo, conscientizar a população e as autoridades sobre a complexidade da fibromialgia e o impacto devastador que ela tem na vida dos pacientes, muitos deles invisibilizados pela falta de um diagnóstico claro e de suporte adequado.

A Dor Invisível e Seus Desafios

A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores musculares e articulares difusas e persistentes em diversas partes do corpo, frequentemente acompanhadas de uma fadiga avassaladora, distúrbios do sono, dificuldade de concentração – a chamada “névoa mental” – e alterações de humor. Embora não cause inflamações visíveis ou deformações físicas, a condição é implacável, afetando significativamente a qualidade de vida e a capacidade de realizar atividades cotidianas e profissionais. É uma batalha diária que não deixa marcas externas, o que muitas vezes leva à incompreensão e ao subdiagnóstico, agravando o sofrimento dos pacientes.

A servidora pública Ana Dantas, uma das organizadoras da mobilização e portadora da síndrome, expressa a essência dessa luta: "É uma doença que não é visível; ela existe no nosso corpo, mas ninguém a vê." Essa invisibilidade é um dos maiores obstáculos, pois dificulta o reconhecimento social e médico, atrasando diagnósticos e tratamentos. Ana, de 45 anos, descobriu a doença há pouco mais de um ano e descreve as limitações impostas: "Coisas que a gente fazia em 20 minutos, agora levam três ou quatro horas para finalizar. É tudo muito lento, tem a questão do esquecimento, a gente esquece as coisas fácil, além da dor que é em todo o corpo." Seu relato ecoa a experiência de milhares de brasileiros.

Estudos indicam que a fibromialgia é mais prevalente em mulheres entre 30 e 60 anos, mas pode acometer indivíduos de qualquer idade ou gênero. As causas exatas ainda são objeto de pesquisa, mas há consenso de que a síndrome envolve alterações no funcionamento do sistema nervoso central, resultando em uma amplificação da percepção da dor. Fatores como estresse crônico, traumas físicos ou emocionais, ansiedade, depressão e predisposição genética podem desempenhar um papel no seu desenvolvimento, tornando-a uma condição multifacetada que exige uma abordagem complexa.

Avanços Legais e a Lacuna na Implementação

Nos últimos anos, houve um avanço importante no Brasil com o reconhecimento da fibromialgia em âmbito federal. Uma lei sancionada em 2023 estabeleceu diretrizes para o atendimento de pessoas com a doença no SUS. Essa legislação prevê uma abordagem multidisciplinar, o incentivo à divulgação de informações sobre a síndrome e o estímulo à capacitação de profissionais de saúde para um diagnóstico e tratamento mais eficazes. A intenção é clara: garantir que os pacientes recebam o suporte necessário, um passo crucial após anos de invisibilidade e descaso.

Além disso, a lei equipara as pessoas com fibromialgia aos direitos das Pessoas com Deficiência (PcD), desde que aprovadas em avaliação biopsicossocial. Isso abre portas para o acesso a auxílio por incapacidade temporária (o antigo auxílio-doença), aposentadoria por invalidez e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), ferramentas essenciais para assegurar a dignidade e o sustento de quem enfrenta as severas limitações da síndrome. "A nossa mobilização é no intuito de buscar políticas públicas, adequar a demanda da comunidade fibromiálgica no SUS", reforça Ana Dantas, evidenciando que a batalha não termina com a promulgação de uma lei, mas se intensifica na sua aplicação prática.

Apesar do arcabouço legal, a realidade ainda é desafiadora. Muitos pacientes ainda encontram barreiras significativas para obter diagnóstico e tratamento especializado pelo SUS, enfrentando longas filas, falta de profissionais capacitados e escassez de recursos. A mobilização deste domingo reflete justamente essa lacuna entre o que a lei prevê e o que é oferecido na prática, clamando por uma efetivação das políticas públicas que transforme a legislação em acesso real e humanizado à saúde, e não apenas em uma promessa no papel.

Tratamento Multidisciplinar e a Importância do Acolhimento

O tratamento da fibromialgia é complexo e geralmente envolve uma combinação de abordagens. Medicamentos específicos são empregados para controlar a dor, melhorar a qualidade do sono e tratar sintomas associados, como ansiedade e depressão. Contudo, a medicação é apenas uma parte da solução. Exercícios físicos regulares, como caminhadas, hidroginástica e alongamentos, são considerados pilares fundamentais para a redução dos sintomas, ajudando a aliviar a rigidez muscular e a melhorar o bem-estar geral, embora exijam acompanhamento e adaptação às limitações de cada paciente.

Terapias psicológicas, fisioterapia, técnicas de relaxamento e mudanças no estilo de vida complementam o plano terapêutico. A psicóloga Mariana, citada no evento, enfatiza a relevância da psicoeducação: "Nesse processo de abordagem da doença a gente desenvolve a consciência sobre tudo o que envolve essa condição, as limitações. Porque afeta a autoestima de muitas mulheres, justamente porque elas ficam muito limitadas, então é muito importante saber como lidar e receber acolhimento." O acolhimento e a compreensão, tanto da família quanto dos profissionais de saúde, são cruciais para que o paciente não se sinta isolado em sua dor e consiga desenvolver estratégias de enfrentamento.

Embora a fibromialgia não tenha uma cura definitiva, um tratamento bem conduzido e acessível permite que a maioria dos pacientes gerencie os sintomas, mantenha uma rotina ativa e desfrute de uma qualidade de vida significativamente melhor. A conscientização e a luta por mais recursos e melhor infraestrutura no SUS são passos essenciais para que essa realidade se torne acessível a todos que sofrem com a síndrome, incluindo aqueles em Guarapuava e em toda a região, reforçando a importância de um sistema de saúde que enxergue e atenda a todos os seus cidadãos.

A mobilização deste domingo sublinha a urgência de uma resposta mais robusta do poder público e da sociedade. A luta por tratamento e direitos para pacientes com fibromialgia é uma causa que merece a atenção de todos, desde os órgãos de saúde até cada cidadão, pois impacta diretamente a vida de milhões de brasileiros. O Guarapuava no Radar segue comprometido em trazer informação relevante e contextualizada sobre temas que afetam a vida em nossa região e no país. Para continuar acompanhando essa e outras notícias de saúde, política e cidadania, fique conectado ao nosso portal e às nossas redes sociais, garantindo acesso a um jornalismo de qualidade e sempre atualizado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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