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Governo federal proíbe bets no Brasil e estabelece cronograma para devolução de saldos

Governo federal proíbe bets no Brasil e estabelece cronograma para devolução de saldos
© Paulo Pinto/Agência Brasil

O cenário das apostas esportivas e jogos de azar online no Brasil sofreu uma mudança drástica nesta sexta-feira (25). O governo federal anunciou a publicação de uma medida provisória que veta a exploração, oferta, intermediação e publicidade de qualquer modalidade de apostas virtuais, as populares bets, em todo o território nacional. A decisão marca uma guinada na política econômica e social do país, visando conter o avanço do endividamento das famílias e os graves impactos na saúde mental da população.

Cronograma de encerramento e resgate de valores

A partir da vigência da medida, as plataformas estão proibidas de aceitar novas apostas. O governo estabeleceu um cronograma rigoroso para o encerramento das atividades e a proteção do patrimônio dos usuários. Os apostadores têm até as 23h59 do dia 5 de outubro para realizar o resgate voluntário de seus saldos diretamente nas plataformas. Após essa data, os sites e aplicativos deverão estar fora do ar.

Para garantir que os recursos não fiquem retidos, o processo de devolução seguirá um fluxo centralizado. Entre os dias 7 e 8 de outubro, as empresas deverão repassar aos bancos as informações sobre os saldos vinculados aos CPF’s de cada usuário. A restituição será processada pelas instituições financeiras entre 9 e 14 de outubro. Em casos de impedimentos técnicos, a Caixa Econômica Federal atuará como intermediária para assegurar o pagamento aos cidadãos.

Impactos sociais e a justificativa do governo

Ao oficializar a proibição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou termos fortes, classificando o mercado de apostas como um “câncer” que corrói o orçamento doméstico e a estrutura familiar. O presidente relatou ter colhido diversos depoimentos sobre o drama da ludopatia, incluindo casos de tentativas de suicídio e destruição de lares devido ao vício em jogos. A medida busca proteger, prioritariamente, a renda destinada ao consumo básico, como alimentação e moradia.

O governo também rebateu críticas de entidades esportivas sobre a perda de patrocínios. Segundo o Planalto, o aporte das bets representa uma fatia limitada, entre 6% e 7%, do orçamento dos clubes, e não justifica a dependência financeira de um setor que, na visão do Executivo, explora a vulnerabilidade do torcedor. A estratégia de fiscalização será intensificada com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal, focando na derrubada de sites ilegais e no bloqueio de fluxos financeiros irregulares.

Contexto de um mercado em expansão descontrolada

A trajetória das bets no Brasil ganhou força a partir da Lei 13.756, de 2018, que legalizou as apostas de quota fixa. Contudo, a demora na regulamentação efetiva, que só ocorreu em dezembro de 2023, permitiu que o setor crescesse sem barreiras adequadas. Estudos recentes, como os da USP, apontam que o impacto financeiro das apostas no SUS chega a R$ 30,6 bilhões anuais, considerando custos com saúde e tratamentos para depressão e dependência química.

O cenário é alarmante também entre os mais jovens: um em cada cinco estudantes do ensino fundamental e médio já participou de apostas online. A ludopatia, caracterizada pela busca incessante pela recompensa dopaminérgica do jogo, tornou-se um desafio de saúde pública. Com a proibição, o governo tenta estancar um rombo que, somente em 2025, retirou R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras.

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