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Idosa de 72 anos cobra explicações após cirurgiões implantarem prótese no joelho errado em Curitiba

Idosa de 72 anos cobra explicações após cirurgiões implantarem prótese no joelho errado em Curitiba
Foto: Foto: RPC

Abalada e em busca de respostas, Marilda da Silva, de 72 anos, retornou nesta sexta-feira (9) ao Hospital da Cruz Vermelha, em Curitiba, para iniciar um acompanhamento médico. A ida ao hospital, contudo, não foi por um procedimento de rotina, mas para lidar com as consequências de um erro cirúrgico grave: uma prótese foi implantada no joelho errado. O caso, que rapidamente ganhou repercussão, levanta sérios questionamentos sobre a segurança do paciente e os protocolos em ambientes hospitalares.

Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo, Marilda expressou sua indignação e perplexidade. “Eu espero que seja feita justiça, para que não aconteça com outras pessoas o que aconteceu comigo. Porque isso aí é muito marcante, é uma coisa que não poderia ter acontecido. É uma equipe médica que está ali na sala de cirurgia, como que todo mundo errou?”, desabafou a idosa, visivelmente emocionada com a situação.

O Desabafo de Marilda da Silva e o Erro Inacreditável

A cirurgia, uma artroplastia, estava programada para o dia 30 de setembro e visava o joelho esquerdo de Marilda, que sofria de artrose. A artroplastia é um procedimento complexo que consiste na substituição de superfícies ósseas e cartilagens desgastadas por uma prótese de metal e polietileno, com o objetivo de restaurar a função e aliviar a dor. Todos os exames e documentos pré-operatórios confirmavam a necessidade de intervenção no lado esquerdo.

Apesar de toda a documentação, Marilda recorda-se de ter alertado a equipe médica no momento da cirurgia. “Quando eu sentei na mesa de cirurgia, eu ainda falei: ‘é a perna esquerda’, porque eles não marcaram, né? ‘É a perna esquerda!’”, relatou. No entanto, ao acordar da sedação, a realidade era outra: o joelho direito havia sido operado. “Depois eu só lembro que eu pus a minha mão e vi que eles tinham operado errado. Daí eu gritei com eles, eu falei ‘vocês fizeram a cirurgia errada, meu Deus do céu, o que é isso?’”, contou a paciente, que recebeu uma resposta tranquilizadora da equipe: “calma, dona Marilda, tá tudo bem, a sua família já tá sabendo, tá tudo certo”.

A Versão da Família e a Controvérsia Médica

O caso veio à tona após a filha de Marilda, Sabrina da Silva, compartilhar o ocorrido nas redes sociais, gerando grande comoção. Segundo Sabrina, ao questionar o médico responsável pelo procedimento, a família recebeu uma explicação surpreendente e controversa. O profissional teria alegado que a própria Marilda, já sob efeito de sedativos, teria insistido na troca do joelho a ser operado, e que ele teria acatado o pedido da paciente.

Sabrina refutou veementemente essa justificativa, destacando a falta de protocolo e a responsabilidade do médico. “Ele me falou que a minha mãe, sedada, quando ela estava com sedação, ela foi muito insistente e ela quis mudar o joelho na hora ali. E segundo ele, isso é comum acontecer, e se o paciente quer trocar eles trocam ali na hora, não tem protocolo a seguir”, narrou Sabrina. Ela enfatizou que a decisão sobre o lado da cirurgia não cabe ao paciente sedado ou aos familiares, mas sim ao médico, que detém a responsabilidade e o comando do procedimento.

Investigações em Andamento: CRM-PR e Hospital Cruz Vermelha

Diante da gravidade dos fatos, tanto o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) quanto o Hospital Cruz Vermelha de Curitiba agiram. O CRM-PR informou que instaurou uma sindicância para apurar a conduta da equipe médica envolvida. Esse processo investigativo, que tramita sob sigilo, visa verificar se houve violação das regras éticas da profissão. As sanções, caso comprovada a culpa, podem variar desde uma advertência confidencial até a cassação do registro profissional, dependendo da gravidade das consequências.

Paralelamente, o Hospital Cruz Vermelha do Paraná comunicou que iniciou uma apuração interna detalhada. O objetivo é esclarecer as circunstâncias do ocorrido, analisando tecnicamente os registros assistenciais e os procedimentos adotados durante a cirurgia. A instituição também afirmou que está programando a continuidade do acompanhamento da paciente por um ortopedista de sua equipe, garantindo a assistência necessária a Marilda da Silva. Para mais informações sobre a importância dos protocolos de segurança em cirurgias, clique aqui.

A Importância da Segurança do Paciente e a Repercussão do Caso

O episódio envolvendo Marilda da Silva transcende o drama individual e se torna um alerta crucial para a importância da segurança do paciente em todo o sistema de saúde. Erros de lateralidade, como a cirurgia no lado errado, são considerados eventos adversos graves e evitáveis, que podem ter impactos devastantes na vida dos pacientes, além de minar a confiança pública nas instituições médicas. A repercussão do caso nas redes sociais e na mídia destaca a necessidade de rigor na aplicação de protocolos de segurança, como a marcação do sítio cirúrgico e o “time-out” pré-operatório, onde toda a equipe confirma os dados do paciente e do procedimento.

A busca por justiça e a garantia de que tais falhas não se repitam são fundamentais. A investigação do CRM-PR e a apuração interna do hospital são passos importantes para a responsabilização e para a implementação de medidas corretivas que reforcem a segurança e a qualidade do atendimento médico. A sociedade acompanha de perto, esperando que o desabafo de Marilda se traduza em ações concretas que protejam outros pacientes.

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