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Inglaterra, mesmo com um a menos, derruba México no Azteca e avança na Copa

© Daniel Becerril/Reuters/proibida a reprodução

O sonho de levar a Copa do Mundo “de volta para casa” permanece vivo para a Inglaterra, mas a jornada rumo ao bicampeonato não poderia ser mais dramática. Em uma noite de domingo marcada por um clima tenso e uma virada de roteiro, os Três Leões não se intimidaram com o mar verde de torcedores que lotou o mítico Estádio Azteca, na Cidade do México. Demonstrando resiliência e eficácia, a seleção inglesa venceu a anfitriã por 3 a 2 em um embate pelas oitavas de final que ficará na memória dos amantes do futebol.

O peso da história no Estádio Azteca

Para a Inglaterra, campeã mundial pela primeira e única vez em 1966, quando sediou o torneio, cada passo na competição carrega o peso de uma nação que anseia reviver a glória. A vitória no Azteca não foi apenas um avanço tático; foi um triunfo sobre um adversário obstinado e um ambiente historicamente hostil. O palco da partida, o Estádio Azteca, é um monumento do futebol mundial, onde Pelé e Maradona ergueram suas respectivas Copas. Sua atmosfera vibrante, com quase 90 mil vozes mexicanas impulsionando o time da casa, é um desafio para qualquer visitante.

Para o México, no entanto, o resultado adiciona mais um capítulo à crônica de decepções em Copas do Mundo. Desde 1986, ano em que também sediou o Mundial e chegou às quartas de final pela última vez, a seleção mexicana parece amaldiçoada nas oitavas. Ausente em 1990, na Itália, a equipe foi eliminada nesta fase pela oitava vez nas últimas nove edições, um ciclo doloroso que impede o tão sonhado “quinto jogo”. Em 2022, no Catar, a frustração foi ainda maior, com a seleção sequer avançando para a fase eliminatória, tornando a expectativa para este confronto no Azteca ainda mais palpável e, infelizmente, mais uma vez, frustrada.

Do caos climático aos '15 minutos de loucura'

O pontapé inicial, previsto inicialmente para as 21h (horário de Brasília), foi postergado em uma hora devido às condições climáticas adversas. Horas antes de a bola rolar, um forte temporal com raios caiu sobre a Cidade do México, forçando a Federação Internacional de Futebol (Fifa) a adotar um protocolo de segurança, comum em partidas nos Estados Unidos, direcionando torcedores a áreas protegidas e atrasando o início do jogo. Mesmo quando os jogadores foram liberados para o aquecimento, ainda chovia no estádio, embora com menor intensidade.

Os primeiros momentos da partida refletiram a tensão. Um cartão amarelo aplicado ao volante inglês Declan Rice nos segundos iniciais de bola rolando sintetizou uma etapa inicial de muita transpiração e pouca inspiração, pelo menos nos primeiros 30 minutos. O jogo era truncado, disputado, sem grandes chances. A melhor oportunidade veio aos 14 minutos, com uma cabeçada de Raúl Jiménez que exigiu boa defesa do goleiro Jordan Pickford.

Contudo, os 15 minutos que antecederam o intervalo transformaram completamente a dinâmica da partida. Aos 36, em um contra-ataque fulminante iniciado no campo defensivo com Pickford, o atacante Buyako Saka avançou pela direita, superou a marcação de Jesús Gallardo e cruzou na medida para o jovem meia Jude Bellingham escorar para as redes, silenciando momentaneamente a torcida local. Um minuto depois, o volante Elliot Anderson desarmou Gilberto Mora na intermediária, a bola sobrou para Bellingham, que acionou Harry Kane. O atacante chutou cruzado e Bellingham, com oportunismo impressionante, apareceu novamente para ampliar o placar, calando o Azteca lotado em um piscar de olhos.

Mesmo atordoado, o México demonstrou uma capacidade notável de reação. Aos 42, após cobrança de falta na área, a bola resvalou no zagueiro Ezri Konsa e sobrou para Julian Quiñones chutar forte, recolocando os anfitriões no jogo. O empate quase veio antes do intervalo, com duas boas chances de Jiménez nos acréscimos, em uma delas Pickford fez uma grande defesa, impedindo que a vantagem inglesa se esvaísse.

Expulsão, pênaltis e um final eletrizante

A segunda etapa iniciou com a mesma intensidade frenética. Aos três minutos, o lateral Nico O'Reilly carimbou a trave esquerda em uma finalização de primeira. Quatro minutos depois, o jogo ganhou um novo contorno dramático: o lateral inglês Jarell Quansah atingiu a perna de Gallardo com a sola do pé. O árbitro Alireza Faghani, inicialmente não assinalando falta, foi chamado ao vídeo e, após revisão, entendeu que a ação era passível de expulsão, aplicando o cartão vermelho ao inglês. Com um jogador a menos e mais de trinta minutos pela frente, o cenário parecia desfavorável para a Inglaterra.

Mas o roteiro guardava mais reviravoltas. Aos 12 minutos, o goleiro mexicano Raul Rangel derrubou Anthony Gordon na área, e a arbitragem assinalou pênalti. Harry Kane, com a frieza de um artilheiro, cobrou e anotou seu sexto gol na Copa, aumentando a vantagem inglesa para 3 a 1. No entanto, o próprio camisa 9 cometeria uma penalidade aos 20 minutos, dentro da própria área, ao acertar a perna de Brian Gutiérrez em uma disputa de bola. Novamente, o VAR interveio, e Jiménez converteu, diminuindo para 3 a 2 e incendiando a partida.

Os minutos finais transformaram-se em um verdadeiro ataque contra defesa. O México, impulsionado pela torcida e pela vantagem numérica, pressionou de todas as formas, buscando desesperadamente o empate. A Inglaterra, por sua vez, mostrou uma solidez defensiva notável, mesmo com a ausência de um jogador, segurando o ímpeto mexicano. No fim, a bravura dos Três Leões prevaleceu, selando mais uma Copa de frustração para a apaixonada torcida mexicana.

Caminho aberto para a próxima fase

Com a vitória, a Inglaterra avança às quartas de final, onde terá pela frente a Noruega, que foi a algoz do Brasil neste mesmo domingo, ao vencer por 2 a 1 em Nova Jersey. O aguardado confronto será no próximo sábado (11), às 18h (horário de Brasília), em Miami, nos Estados Unidos. A jornada inglesa continua desafiadora, mas a capacidade de superar adversidades, como demonstrado no Azteca, fortalece a confiança da equipe e de seus torcedores. O sonho do bicampeonato segue vivo, mas o caminho promete mais emoções e desafios dignos de um grande Mundial.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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