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Caixa lucra R$ 3,9 bi no segundo trimestre com alta de 5,9% apesar de inadimplência subir

Caixa lucra R$ 3,9 bi no segundo trimestre com alta de 5,9% apesar de inadimplência subir
A margem financeira, que representa os ganhos do banco com operações que envolvem juros, alcançou R$ 19,7 bilhões no trimestre, crescimento de 20,2% em um ano Crédito impulsiona

A Caixa Econômica Federal apresentou um desempenho financeiro marcado por contrastes no segundo trimestre de 2026. O banco estatal registrou um lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões entre abril e junho, o que representa uma alta de 5,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Quando o recorte é feito em relação ao primeiro trimestre deste ano, o avanço é ainda mais expressivo, atingindo 12,4%. Apesar da recuperação trimestral, o acumulado do primeiro semestre mostra um desafio maior, com o lucro recorrente somando R$ 7,4 bilhões, uma retração de 17,6% frente aos doze meses anteriores.

Expansão do crédito imobiliário como motor do banco

O principal pilar de sustentação da instituição continua sendo o financiamento habitacional. A carteira de crédito total da Caixa atingiu a marca de R$ 1,448 trilhão em junho, um crescimento de 11,9% em um ano. Dentro desse montante, o setor imobiliário detém a fatia majoritária, representando 69,4% de toda a carteira. O saldo deste segmento chegou a R$ 1,005 trilhão, consolidando a liderança histórica do banco no setor, com uma participação de mercado que gira em torno de 68%.

A dinâmica de contratações reforça essa relevância. Apenas no segundo trimestre, o banco firmou R$ 137,6 bilhões em novos financiamentos imobiliários, um salto de 29,3% na comparação anual. Outros setores também registraram desempenho positivo, como o crédito para pessoas físicas, que alcançou R$ 156,5 bilhões, e o crédito para empresas, que somou R$ 113,9 bilhões, demonstrando uma estratégia de diversificação que busca equilibrar o portfólio da estatal.

Desafios com a inadimplência e provisões

Apesar do volume robusto de crédito concedido, o cenário macroeconômico trouxe reflexos diretos na qualidade da carteira. O índice de inadimplência, considerando operações com atraso superior a 90 dias, subiu para 3,64%, ante os 2,66% registrados no mesmo período de 2025. O setor do agronegócio foi o que apresentou maior volatilidade, com a inadimplência saltando de 7,02% para 20,74% em um ano.

Para mitigar os riscos decorrentes desse cenário, a instituição precisou elevar significativamente suas provisões. A despesa destinada a cobrir possíveis perdas com crédito atingiu R$ 6,97 bilhões no trimestre, um aumento expressivo de 97,6% em relação ao segundo trimestre de 2025. O banco justifica que a forte concentração em financiamentos habitacionais, que historicamente possuem garantias sólidas e índices de inadimplência mais baixos — na casa de 1,45% —, ajuda a conferir estabilidade ao balanço geral diante de oscilações em outros segmentos.

Rentabilidade e margem financeira

A margem financeira, que reflete os ganhos do banco com operações de juros, apresentou um resultado sólido de R$ 19,7 bilhões, um crescimento de 20,2% em 12 meses. Contudo, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) sofreu uma pressão negativa, fechando em 9,16%, o que representa uma queda de 2,7 pontos percentuais na comparação anual. O balanço divulgado pela Agência Brasil também aponta que as despesas administrativas cresceram 5,9%, totalizando R$ 11,44 bilhões, enquanto a receita com prestação de serviços subiu 12,9%.

O Guarapuava no Radar segue acompanhando de perto os movimentos do setor bancário e os impactos das políticas de crédito na economia nacional. Para se manter informado sobre as atualizações do mercado e outros temas relevantes para o seu dia a dia, continue navegando em nosso portal, onde prezamos pela apuração rigorosa e pela clareza na informação.

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