A fronteira entre Brasil e Paraguai voltou a ser palco de um episódio de alta complexidade criminosa que culminou em um dos maiores assaltos a bancos da história do país vizinho. Em meio às investigações que mobilizam forças policiais de ambos os lados da divisa, um brasileiro natural de Apucarana, no Norte do Paraná, foi detido nesta quinta-feira (18), no Paraguai, suspeito de envolvimento direto no mega-assalto a instituições financeiras em Santa Rita. A operação que levou à prisão também apreendeu um arsenal de guerra, incluindo coletes balísticos, espingardas e munições, reforçando a gravidade e o planejamento da ação criminosa.
O incidente, que chocou a população e as autoridades paraguaias, ressalta a intrínseca relação entre a criminalidade transnacional e a dinâmica das regiões de fronteira, onde a cooperação policial é fundamental para combater grupos organizados que exploram a proximidade geográfica para cometer crimes e buscar refúgio. A prisão do paranaense lança luz sobre a participação de criminosos brasileiros em ataques audaciosos que se estendem para além das divisas nacionais.
A Dinâmica do Mega-Assalto: Planejamento e Execução Audaciosa
O ataque que desestabilizou Santa Rita, cidade a cerca de 70 quilômetros da fronteira com o Brasil, ocorreu na madrugada da terça-feira (16). Mais de 20 criminosos armados invadiram simultaneamente as agências dos bancos Familiar, GNB e Ueno, além de uma casa de câmbio. A quadrilha demonstrou um alto nível de organização e brutalidade, utilizando explosivos para acessar os cofres e render funcionários e policiais que patrulhavam a área.
Durante a fuga, os assaltantes incendiaram veículos em diversos pontos da cidade e espalharam 'miguelitos' – artefatos perfurantes metálicos – nas principais vias de acesso, com o objetivo claro de dificultar qualquer perseguição pelas forças de segurança. Quatro policiais foram cercados, tendo suas armas e um fuzil roubados, em uma demonstração da superioridade tática e bélica dos criminosos no momento da ação. O prejuízo financeiro ainda não foi totalmente calculado, mas estima-se que milhões de guaranis tenham sido levados, impactando significativamente as instituições financeiras e a economia local.
Operação Policial e as Primeiras Prisões na Fronteira
As investigações da Polícia Nacional do Paraguai rapidamente direcionaram as atenções para a participação de indivíduos de diferentes nacionalidades, dada a natureza do crime. A primeira leva de prisões ocorreu em uma residência no bairro Loma III, em Minga Guazú, cidade que fica a aproximadamente 30 quilômetros de Foz do Iguaçu. Entre os detidos estão o brasileiro Emanuel Cidade Campos, de 23 anos, natural de Apucarana (PR), e dois paraguaios: Leandro Alfredo Portillo Achucarro, de 30 anos, e Adriana Barboza Balmori, de 34 anos.
A ficha criminal de Emanuel Cidade Campos no Brasil, que inclui roubos agravados e tráfico de drogas, corrobora a suspeita de sua ligação com o crime organizado. Leandro Alfredo Portillo Achucarro, por sua vez, possuía um mandado de prisão em aberto por roubo com resultado de morte ou lesão grave, evidenciando o perfil de alta periculosidade dos envolvidos. Durante a operação em Minga Guazú, foram apreendidos coletes balísticos reforçados com placas metálicas, uma espingarda calibre 12 com munições, cinco dispositivos do tipo miguelito, balaclavas, luvas, celulares e documentos, um arsenal que aponta para o caráter paramilitar do assalto e a preparação meticulosa dos criminosos.
A Complexa Teia do Crime Organizado Transnacional
A participação de brasileiros no mega-assalto já era uma das linhas de investigação da polícia paraguaia, corroborada por relatos de testemunhas que afirmaram ter ouvido integrantes da quadrilha falando português durante o ataque. Essa dinâmica de colaboração entre criminosos de diferentes nacionalidades é uma marca do crime organizado que atua na Tríplice Fronteira, uma região conhecida pela intensa circulação de pessoas, mercadorias e, infelizmente, também de atividades ilícitas.
Carlos Alberto Dure Rios, chefe do Comando Tripartite – uma força conjunta de segurança de Brasil, Paraguai e Argentina – destacou que “são pessoas que atuam no Paraguai, brasileiros junto com paraguaios para realizar esse tipo de ação. Alguns vivem no Paraguai”. Essa afirmação reforça a tese de que a região serve tanto como base operacional quanto como rota de fuga e refúgio para criminosos. A polícia segue apurando possíveis ligações dos suspeitos com organizações criminosas brasileiras, o que adiciona uma camada de complexidade às investigações e sinaliza a dimensão transnacional do crime.
Desdobramentos da Investigação: Outras Detenções e o Rastro do Dinheiro
Além das prisões em Minga Guazú, a Polícia Nacional do Paraguai efetuou outras duas detenções na quarta-feira (17). José Cuevas Yegros e Ramon Leonardo Bogado, ambos paraguaios, foram localizados em Emboscada, na região de Caacupé, próximo à capital Assunção. Essas prisões, em uma localidade mais distante da fronteira, sugerem que a rede criminosa possui ramificações mais amplas dentro do território paraguaio. Celulares e uma mochila apreendidos com eles foram encaminhados ao Ministério Público, na esperança de que contenham informações cruciais para desvendar por completo a participação dos detidos e o paradeiro dos demais envolvidos.
A busca pelos milhões de guaranis roubados e pela identificação de todos os criminosos continua intensamente. O caso se tornou uma prioridade para as autoridades paraguaias, que buscam não apenas punir os responsáveis, mas também desmantelar as estruturas criminosas que permitem a execução de assaltos de tamanha envergadura. A colaboração com as forças de segurança brasileiras é crucial para desvendar todos os elos dessa cadeia criminosa e garantir que a fronteira não continue a ser um corredor seguro para o crime organizado.
O mega-assalto a bancos no Paraguai, com a detenção de um paranaense e a apreensão de um arsenal, serve como um lembrete contundente dos desafios impostos pelo crime organizado transfronteiriço. Continuaremos acompanhando de perto os desdobramentos desta complexa investigação e os esforços das autoridades para levar os responsáveis à justiça e reforçar a segurança na região. Para se manter atualizado sobre este e outros temas relevantes que afetam a nossa região e o cenário nacional, continue conectado ao Guarapuava no Radar, seu portal de informação relevante, atual e contextualizada.
Fonte: https://g1.globo.com