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Mercado financeiro ajusta projeção da inflação para 5% em 2026

Mercado financeiro ajusta projeção da inflação para 5% em 2026
© Marcello Casal JrAgência Brasil

O mercado financeiro brasileiro revisou, nesta terça-feira (8), a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve como termômetro oficial da inflação no país. Segundo o Boletim Focus, relatório semanal publicado pelo Banco Central, a previsão para o acumulado deste ano recuou de 5,01% para 5%. Embora o ajuste indique uma leve desaceleração, o número ainda permanece acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A meta oficial de inflação é de 3%, com um intervalo de tolerância que permite variações entre 1,5% e 4,5%. A persistência das projeções acima desse limite superior reflete a cautela dos agentes econômicos diante de um cenário global ainda instável. O comportamento dos preços tem sido monitorado de perto, especialmente após o recuo registrado em julho, quando o IPCA fechou em 0,07%, impulsionado pela queda nos preços dos alimentos.

A dinâmica da taxa Selic e o controle de preços

Para ancorar as expectativas e buscar o centro da meta, o Banco Central utiliza a taxa Selic como principal ferramenta de política monetária. Atualmente fixada em 14% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica de juros passou por quatro reduções consecutivas desde março, quando o cenário inflacionário começou a dar sinais de arrefecimento após um longo período de aperto monetário.

No entanto, a trajetória de queda dos juros enfrenta desafios externos significativos. A instabilidade geopolítica, notadamente o conflito no Oriente Médio, tem pressionado os custos de insumos essenciais, como combustíveis e alimentos, criando uma barreira para reduções mais agressivas na Selic. O mercado projeta que a taxa encerre 2026 em 13,75% ao ano, com uma curva de declínio gradual para os anos seguintes, chegando a 10% em 2029.

Crescimento do PIB e perspectivas econômicas

Além da inflação e dos juros, o Boletim Focus trouxe uma atualização sobre o desempenho da economia nacional. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 subiu ligeiramente, passando de 1,92% para 1,93%. Este dado acompanha o resultado do segundo trimestre, que apontou uma alta de 0,5% na atividade econômica em relação aos três meses anteriores.

O Brasil mantém uma sequência de crescimento que já dura cinco anos, com o setor agropecuário desempenhando um papel central na sustentação desses números. Para o mercado de câmbio, a expectativa consolidada é de que o dólar encerre o ano cotado a R$ 5,20. Esses indicadores são fundamentais para que empresas e famílias planejem investimentos e consumo, em um momento em que o crédito ainda sofre os efeitos dos juros elevados.

O próximo passo para a política econômica será definido nos dias 15 e 16 de setembro, durante a reunião do Copom. O mercado aguarda com expectativa o posicionamento do Banco Central sobre a continuidade dos cortes na Selic, considerando os novos dados de inflação que serão divulgados pelo IBGE na próxima sexta-feira (11).

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