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Mulheres dominam a força de trabalho no setor de seguros, mas enfrentam barreiras na liderança e no consumo, aponta Susep

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um estudo inédito divulgado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) lança luz sobre um paradoxo persistente no mercado brasileiro de seguros e previdência privada aberta: embora as mulheres constituam a maioria da força de trabalho no setor, essa presença robusta não se traduz em equidade nos cargos de liderança nem em sua participação como consumidoras de produtos e serviços. A pesquisa FeMa Meter, a primeira do tipo realizada pela autarquia, busca mapear essa dinâmica para embasar futuras políticas públicas.

O Contraste Alerta: Maiores na Base, Minoria no Topo

Os números apresentados pela Susep são claros e contundentes. Em um universo de 142 empresas supervisionadas — entre seguradoras e entidades abertas de previdência complementar —, as mulheres representam 54,4% do total de colaboradores. No entanto, a escalada hierárquica revela um cenário de exclusão progressiva. Nos cargos de gestão executiva, essa proporção cai para 28,5%. O quadro se agrava ainda mais nos conselhos de administração, onde a presença feminina é de meros 18,5%.

Essa disparidade não é uma novidade exclusiva do setor securitário, ecoando o fenômeno conhecido como 'teto de vidro', que limita o avanço profissional de mulheres em diversas indústrias, mesmo com alta qualificação e experiência. A pesquisa da Susep, no entanto, quantifica essa barreira de forma inédita para o mercado de seguros, evidenciando um desequilíbrio significativo entre a contribuição feminina na base operacional e o acesso a posições estratégicas de decisão. A ausência de diversidade de gênero na liderança pode custar às empresas inovação, diferentes perspectivas de mercado e, consequentemente, competitividade.

A Barreira do Consumo: Desvendando o Perfil da Consumidora

Além da desigualdade nos quadros corporativos, o FeMa Meter aponta outro desafio: a participação feminina como titular de seguros e planos de previdência privada aberta é inferior à masculina em todos os segmentos analisados. Compreender as razões por trás desse menor engajamento é crucial para o desenvolvimento de um mercado mais inclusivo e para a promoção da educação financeira entre as mulheres.

Fatores como a disparidade salarial, que impacta a capacidade de investimento em produtos financeiros de longo prazo, e a potencial falta de produtos que realmente se alinhem às necessidades e realidades do público feminino podem contribuir para essa lacuna. Muitas mulheres, por exemplo, ainda são as principais responsáveis pelo cuidado com a família e a casa, o que pode influenciar suas prioridades financeiras e a percepção sobre a necessidade e adequação de certos tipos de seguros. A Susep ressalta a importância de entender esse comportamento para criar ofertas mais adequadas e acessíveis, ampliando a inclusão securitária.

Metodologia e o Papel Estratégico da Susep

A pesquisa foi construída a partir de dados referentes a 31 de dezembro de 2024, fornecidos por 142 empresas supervisionadas pela Susep. A ferramenta FeMa Meter foi desenvolvida pela Access to Insurance Initiative, uma organização internacional sem fins lucrativos focada na inclusão securitária em mercados emergentes, garantindo um padrão de coleta e análise robusto. Os dados foram complementados por planilhas elaboradas pela própria Susep para informações específicas sobre seguros de automóveis, residenciais e previdência privada aberta, passando por um rigoroso processo de validação.

Integrando o Plano de Regulação da Susep para 2025, o FeMa Meter não é apenas um retrato do presente, mas um pilar para o futuro. A autarquia enxerga a iniciativa como fundamental para ampliar o conhecimento sobre a participação feminina e, com base nesses diagnósticos, orientar a formulação de políticas públicas. O objetivo é claro: construir um mercado mais equitativo e inclusivo, tanto para as profissionais que o impulsionam quanto para as consumidoras que buscam segurança e proteção financeira.

Implicações Amplas e o Caminho para a Igualdade

Os achados da Susep transcendem as fronteiras do setor de seguros, dialogando com um debate mais amplo sobre igualdade de gênero no mercado de trabalho brasileiro. A sub-representação feminina na liderança é um desafio presente em diversas esferas, impactando o desenvolvimento econômico e social do país. Seja na gestão de propriedades rurais, onde mulheres comandam duas em cada dez propriedades, ou nos índices de desemprego que afetam desproporcionalmente mulheres negras jovens, a agenda da equidade é multifacetada e urgente. O reconhecimento dessas barreiras, como faz a Susep, é o primeiro passo para a criação de um ambiente corporativo mais justo e produtivo.

A valorização da liderança feminina, a promoção de políticas de ascensão profissional e o desenvolvimento de produtos financeiros que considerem a realidade das mulheres são investimentos que beneficiam não apenas o público feminino, mas toda a sociedade. Um mercado de seguros mais inclusivo e com lideranças diversas é, inevitavelmente, um mercado mais resiliente, inovador e alinhado com as demandas de um Brasil em constante transformação.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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