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El Niño intensifica tempestades no Paraná: entenda a relação e as previsões climáticas

El Niño intensifica tempestades no Paraná: entenda a relação e as previsões climáticas
Foto: Edson de Oliveira e RPC

O Paraná tem sido palco de uma série de tempestades severas nos últimos dias, resultando em estragos significativos por diversas regiões do estado. A intensidade e a frequência desses eventos meteorológicos extremos têm uma forte ligação com um fenômeno climático global: o El Niño, que já demonstra impactos no estado desde o início do inverno.

Historicamente, o El Niño está associado a volumes de chuva acima da média na Região Sul do Brasil, potencializando a ocorrência de vendavais intensos, precipitação de granizo, inundações, enxurradas e, consequentemente, deslizamentos de terra. A intensificação desse fenômeno já era esperada e, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), ele é considerado forte e pode se agravar ainda mais nas próximas semanas.

A Força do El Niño e Suas Projeções para o Paraná

Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA) revelam que o El Niño já elevou a temperatura em 1,8°C acima da média na área de referência para monitoramento, localizada no Pacífico equatorial. Esse aquecimento impacta diretamente a atmosfera global, alterando padrões climáticos em diversas partes do mundo, incluindo o Paraná.

As projeções são de que o fenômeno se mantenha em alta. Há uma probabilidade superior a 90% de que o El Niño seja categorizado como “muito forte” entre a primavera e o verão no Brasil. Mais alarmante, entre outubro e dezembro deste ano, existe 75% de chance de que ele se torne o mais intenso já registrado desde 1950. O pico da sua atuação é previsto para ocorrer entre novembro e janeiro, período em que as estimativas da NOAA apontam para uma temperatura da superfície do mar 2,9°C acima da média.

Com este cenário climático, o Simepar alerta para a previsão de chuvas acima da média, concentradas em poucos dias. Essa concentração aumenta consideravelmente o risco de temporais severos, granizo, raios, enxurradas e cheias repentinas, além de saturação do solo e movimentos de massa em todo o Paraná. Embora a previsão de chuva seja para todas as regiões, os maiores desvios são esperados nas áreas Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste do estado.

Impactos Registrados: Um Inverno de Chuvas Históricas

O El Niño, somado a outros fenômenos meteorológicos como frentes frias, cavados, sistemas de baixa pressão, jatos de baixos níveis e sistemas convectivos, já deixou sua marca no Paraná. Os registros de chuva nos últimos meses são um testemunho da sua influência.

Em agosto, por exemplo, das 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de operação, apenas três registraram chuva abaixo da média: Cianorte, Maringá e Apucarana. Em Fazenda Rio Grande (desde 2009), Laranjeiras do Sul (desde 2017) e no Distrito de Horizonte, em Palmas (desde 2019), os volumes de chuva foram os maiores para o mês de agosto desde a instalação das estações.

O mês de julho também apresentou um cenário de chuvas intensas. Somente quatro estações do Simepar (Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba) registraram volume abaixo da média histórica. Nas outras quarenta e uma estações, a chuva superou a média, com alguns registros históricos. Em Palmas, por exemplo, os 311 mm de chuva foram a maior marca para julho em 28 anos. Outras cidades como Altônia (desde 2018), Cianorte (desde 2017), Cornélio Procópio (desde 2019), Cruzeiro do Iguaçu (desde 2022), Foz do Iguaçu (desde 2017) e Ubiratã (desde 2018) também tiveram seus maiores volumes de chuva para o mês.

O mês de junho seguiu a mesma tendência, com apenas uma estação (Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba) registrando volume de chuva ligeiramente abaixo da média histórica.

Entendendo o El Niño – Oscilação Sul (ENOS)

O El Niño – Oscilação Sul (ENOS) é um fenômeno complexo que ocorre na região do Oceano Pacífico equatorial e suas proximidades. Ele se caracteriza por variações anômalas na temperatura da superfície do mar e na circulação atmosférica. O Simepar explica que o ENOS é um dos fenômenos climáticos mais importantes do planeta, capaz de alterar a circulação atmosférica global e, consequentemente, influenciar o comportamento da temperatura do ar e da precipitação em vastas áreas por períodos que podem durar de vários meses a anos.

O El Niño, especificamente, é a componente oceânica do ENOS, marcada pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico equatorial em relação à média climatológica. A NOAA confirmou que o El Niño se fortaleceu no último mês, com a temperatura 1,4°C acima da média na principal área monitorada, e a camada de água até 200 metros de profundidade do Pacífico equatorial central e oriental também está muito acima da média.

Já a Oscilação Sul representa a componente atmosférica do ENOS, relacionada às variações na pressão atmosférica ao nível do mar entre o Pacífico tropical oeste e leste. Mudanças na direção dos ventos, tanto na baixa quanto na alta atmosfera (entre 1,5 km e 10 km da superfície), já são observadas, completando o ciclo de influência global do fenômeno.

Diante desse cenário, o Simepar ressalta a importância do acompanhamento diário e contínuo das previsões do tempo. Embora o El Niño influencie o comportamento de precipitação e temperatura, indicando meses e estações com variáveis distantes das médias históricas, os períodos específicos de chuva dependem de sistemas atuantes na região, como frentes frias e sistemas de baixa pressão. Para mais detalhes sobre o fenômeno e suas implicações, você pode consultar informações adicionais no site da NOAA.

Manter-se informado sobre as condições climáticas é crucial para a segurança e o planejamento. O Guarapuava no Radar está comprometido em trazer as informações mais relevantes e atualizadas, com análise aprofundada e contextualizada. Continue acompanhando nosso portal para não perder nenhum detalhe sobre este e outros temas que impactam a sua vida e a sua região.

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