PUBLICIDADE

No Paraná, mulher busca tratamento para cálculo renal, descobre gravidez e dá à luz no mesmo dia

G1

A vida, por vezes, reserva surpresas que desafiam a lógica e a expectativa. No Noroeste do Paraná, essa realidade se manifestou de forma singular na vida de Tatiane dos Santos. Procurando atendimento médico para o que acreditava ser uma crise de cálculo renal, ela se viu diante de um diagnóstico totalmente inesperado: estava grávida de 39 semanas e, em um intervalo de apenas 12 horas, deu à luz a pequena Louise Emanuelly. A história, que se desenrolou no final de junho, é um testemunho da capacidade do corpo humano de guardar segredos e da imprevisibilidade da natureza.

Da dor lombar à sala de parto: uma manhã de surpresas

A jornada que culminaria no nascimento de Louise começou para Tatiane de uma forma bastante comum para quem lida com problemas renais. Às 5h da manhã de 22 de junho, ela acordou com uma forte dor nas costas, que se irradiava para a região abdominal inferior. Conhecendo o incômodo dos cálculos renais, e com histórico de tratamento para infecção urinária nos seis meses anteriores, Tatiane não hesitou em buscar ajuda. Após organizar os dois filhos, de 11 e quatro anos, e deixá-los sob os cuidados da irmã, ela se dirigiu ao hospital em Alto Paraná.

No hospital, a equipe médica, baseada em seu relato, solicitou um ultrassom para investigar a possível presença de pedras nos rins. O exame foi agendado em uma clínica na cidade vizinha de Paranavaí, a 18 quilômetros de distância. Foi ali, às 14h20, que o médico iniciou o procedimento e a vida de Tatiane mudou completamente com poucas palavras: "Tem um [bebê]. Você está com dor do parto", ela recorda, ainda surpresa com a revelação. A partir dali, a urgência não era mais para um tratamento renal, mas para um nascimento iminente.

O mistério da gravidez "silenciosa"

O que torna a história de Tatiane ainda mais extraordinária é o fato de que ela viveu uma gestação completa, de 39 semanas, sem perceber os sinais clássicos. Mãe de dois meninos, ela não é inexperiente com a gravidez, o que ressalta o quão singular foi esta experiência. "Vivi minha vida como se não houvesse amanhã. […] comi normal, fui trabalhar normal, tudo normal", contou. Essa ausência de sintomas típicos, como náuseas matinais, inchaço ou os movimentos do feto, é o que a medicina chama de gravidez críptica ou silenciosa, um fenômeno raro, mas documentado.

Segundo o ginecologista e obstetra Gustavo Vitorino, consultado sobre o tema, não identificar uma gravidez é incomum, uma vez que a maioria das gestações é acompanhada de sensações notáveis, muitas vezes "desagradáveis". Contudo, ele explica que fatores como ciclos menstruais irregulares, baixo fluxo e, em alguns casos, o sobrepeso da mulher, podem mascarar os sinais. "Como eu sou bem 'fortinha', a barriguinha não tinha, porque ela continua aqui […] Louise ficou bem quietinha, escondidinha, não mexeu nem nada", relata Tatiane, explicando como seu próprio corpo camuflou a presença da bebê.

Os riscos da falta de pré-natal

Apesar do desfecho feliz com o nascimento saudável de Louise Emanuelly, que chegou ao mundo com 3,335 quilos e 48 centímetros, a situação de uma gravidez não identificada acende um alerta importante sobre a saúde pública. A ausência de acompanhamento pré-natal, como no caso de Tatiane, priva tanto a mãe quanto o bebê de exames cruciais, orientações nutricionais e preparação para o parto. O pré-natal é fundamental para identificar e tratar precocemente possíveis complicações, como diabetes gestacional, hipertensão, anemias, ou infecções que podem colocar em risco a vida de ambos. A história da família dos Santos reforça, de forma dramática, a importância de uma rotina de cuidados médicos e do acompanhamento regular, mesmo quando não há sintomas aparentes.

Um pai pego de surpresa e um nome "no susto"

A surpresa não se limitou a Tatiane. O marido e pai da bebê, que estava trabalhando em um local sem sinal de telefonia, só foi informado sobre a gravidez e o nascimento às 20h, horas depois do parto. "Ele ficou se sentindo surpreso, de boca aberta. Ele falou que não imaginava", contou Tatiane. A emoção e a incredulidade perpassaram a família, que rapidamente se adaptou à nova integrante.

Até a escolha do nome, Louise Emanuelly, refletiu a urgência e a espontaneidade da situação. "Na hora você não consegue raciocinar tudo", lembra a mãe, que aceitou a sugestão da irmã. O apoio, inclusive de outras mulheres no hospital, mostra a solidariedade humana diante de um momento tão singular e inesperado. A história de Tatiane dos Santos e Louise Emanuelly, que em 7 de julho completou seus primeiros 15 dias de vida, ecoa como um lembrete da complexidade do corpo humano e dos milagres que a vida pode trazer, mesmo nas circunstâncias mais improváveis.

Situações como esta nos fazem refletir sobre a importância de estarmos atentos aos sinais do nosso corpo e de buscarmos apoio médico sempre que algo parece fora do comum. Para acompanhar mais notícias relevantes e aprofundadas sobre Guarapuava, o Paraná e as histórias que impactam nossa sociedade, continue navegando no Guarapuava no Radar. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, atual e contextualizada, para que você esteja sempre bem informado.

Fonte: https://g1.globo.com

Leia mais

PUBLICIDADE