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Novas diretrizes alteram tratamento de tireoide em gestantes no Brasil

Novas diretrizes alteram tratamento de tireoide em gestantes no Brasil
Cleo Mesa Júnior / Arquivo Pessoal

Uma mudança significativa no manejo clínico de gestantes com alterações na tireoide foi anunciada, trazendo novas perspectivas para o acompanhamento pré-natal no Brasil. Baseadas em evidências científicas recentes, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) atualizaram suas recomendações, restringindo o uso preventivo de medicamentos hormonais em casos específicos.

Fim do tratamento preventivo para anticorpos positivos

A principal alteração diz respeito às gestantes que apresentam anticorpos contra a tireoide (anti-TPO) positivos, mas que mantêm o funcionamento da glândula dentro da normalidade. Três grandes estudos internacionais comprovaram que, nesses quadros, o uso de levotiroxina — o hormônio sintético utilizado na reposição — não traz benefícios na redução de riscos como abortamento ou parto prematuro.

O subcoordenador do Departamento de Tireoide da SBEM, Cleo Mesa Júnior, esclarece que a presença do anticorpo indica apenas uma predisposição. “Se os hormônios TSH e o T4 livre estão normais, a mulher é considerada eutireoidiana e não há benefício comprovado em usar levotiroxina apenas pelo anticorpo positivo”, explica. Nestes casos, a conduta passa a ser o monitoramento atento, sem a necessidade imediata de medicação, visto que o risco de desenvolver hipotireoidismo ao longo da gestação permanece presente.

Manutenção do rastreamento universal no Brasil

Enquanto novas diretrizes internacionais, como as da Associação Americana da Tireoide (ATA), sugerem um rastreamento seletivo baseado em fatores de risco, o Brasil optou por manter a estratégia de testagem universal. Isso significa que todas as gestantes continuarão sendo rastreadas desde o início da gravidez para identificar precocemente quem realmente necessita de intervenção.

A decisão brasileira busca evitar que mulheres sem fatores de risco tradicionais — como idade materna avançada ou obesidade — deixem de ser diagnosticadas. A estratégia visa equilibrar a detecção precoce com a individualização dos casos, evitando a prescrição de medicamentos desnecessários para pacientes que não apresentam disfunção clínica.

Manejo do hipotireoidismo subclínico

O posicionamento também traz ajustes importantes para o hipotireoidismo subclínico, caracterizado pelo TSH elevado com T4 livre normal. O tratamento com levotiroxina para níveis de TSH entre 4,0 e 10 mUI/L agora é focado prioritariamente no primeiro trimestre, período em que o desenvolvimento fetal é mais dependente dos hormônios maternos.

Caso o diagnóstico ocorra apenas no segundo ou terceiro trimestre, a recomendação é de acompanhamento, sem a introdução de hormônios, a menos que o TSH ultrapasse 10 mUI/L. Além disso, o Brasil mantém uma postura cautelosa quanto à repetição de exames: enquanto o protocolo internacional sugere aguardar de uma a três semanas para confirmar a alteração, especialistas brasileiros alertam que a logística do sistema de saúde pode tornar essa espera prejudicial, fazendo com que a “janela de oportunidade” para o tratamento seja perdida.

Para pacientes que já possuíam diagnóstico de hipotireoidismo antes da gestação, a orientação permanece inalterada: o aumento de cerca de 30% na dose habitual do hormônio deve ser realizado imediatamente após a confirmação da gravidez. Para mais informações sobre saúde e atualizações médicas, continue acompanhando o Guarapuava no Radar, seu portal de confiança para notícias relevantes e contextualizadas.

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